Resenha

Senjutsu

Álbum de Iron Maiden

2021

CD/LP

Por: Fábio Arthur

Colaborador Especialista

04/09/2021



Amadurecimento musical em evoluções

A maior dificuldade para uma banda é de se manter sob seu legado por anos em frente. De certa forma, o Iron Maiden motiva toda uma expectativa em torno de seu nome e lançamentos. 

Com um hiato longo entre seus álbuns, o que já se tornou um hábito comum, o grupo inglês marca novamente o cenário com um disco que foi gravado em 2019, mas somente saiu agora em 2021. "Senjutsu", algo como tática em sua tradução mais simplória, seria um fator surpresa tanto para o bem maior quanto para o desafeto. 

A banda remete novamente em uma produção da qual Kevin acentua a fonte de cordas em um sopro delicado e delineado por uma singela força, deixando tudo muito mais leve, sem o peso do Heavy habitual. Eu realmente não costumo compactuar com essa abordagem de produção, mas enfim, por outro lado, enobrece o trabalho. 

A bateria de Nicko soa muito bem ainda e satisfaz até mesmo na questão técnica, além da forma como a elaboração das faixas foram adicionadas ao disco. Em se tratando ainda dos músicos, Dickinson se mostra muito bem, com mais de sessenta anos e mantendo uma voz em harmonia com melodias, dobras vocais, agudos e demais fatores. 

Na questão de composições, o Maiden de hoje foca em ter Progressive Rock, Heavy, Southern Rock e as tradicionais maidenianas sonoras. 

Sou fã da banda, mas, sem mesmo deixar de ter bom senso, eu gostei muito do que ouvi. As canções curtas, as longas e em seu todo o disco, fornecem uma nova face do grupo. Desde sempre o Maiden não deixou de ser uma surpresa, e temos exemplos muitos, tais como: "Strange World", "The Ides of March", "Sea of Madness", "Stranger in a Strange Land", "Can I Play With Madness", "Look for The Truth", "Face in the Sand" e demais canções. 

A banda toca de forma agradável. Os solos são bem desenvolvidos, as melodias misturam algo de discos passados e uma textura mais moderna. Em diversos momentos, se tem a referência de "The X Factor", "Brave New World", Bruce Dickinson solo e algo do Maiden da fase oitentista. 

Eu comecei ouvindo Maiden no final de 1983, com o disco "Piece of Mind" e mantive até hoje o interesse pelo grupo, degustando cada disco de fato. Mas não deixo de ter minha posição sobre alguns álbuns tais como "The Final Frontier", que não consigo definir suas faixas e muito menos sua introdução gigantesca. A mudança entre álbum para outro é clara, e isso desde 1981, com "Killers", e que por sua vez destoa de seu sucessor totalmente. Enfim, a banda sempre mudou sua fonte musical.

Não tem como esperar outro "Somewhere in Time". Lógico que não, e se os fãs esperam isso, podem deixar de ouvir o grupo daqui adiante. A banda soa, nesse álbum de agora, muito bem. As faixas me parecem bem ajustadas. "The Parchment", "Death of the Celts", "Hell on Earth", são de cunho altamente fluente em sonoridades. Seus andamentos e sua nuances perante as letras e profundidade musical encantam e muito. Perfeitas eu diria.

"Senjutsu" abre o petardo e vem com um brilho diferente fora do Maiden, até mesmo de discos anteriores a esse, uma fórmula bem evolutiva. "Stratego" move como o Maiden mais antigo, soa curta, mais direta e com mais peso. "Writining on the Wall" é bem alinhada com violão, vocal firme, passagens mais estilosas e chega como uma das fontes de Harris em progressivo tais como: Beckett ou Jethro Tull. "Darkest Hour", a balada, e que remetem ao Bruce do disco solo de anos atrás, é muito boa, mas não exige do ouvinte toda aquela expectativa ampla e sim mantém o nível mais moderno do grupo.

Dave e Smith são perfeitos nas suas cordas solos e riffs. Janick mantém-se como um compositor mais competente e deixa seus solos com mesmo gosto e efeitos do passado, evoluindo nessa questão muito pouco. Harris compõe e toca baixo eletro/acústico, e consegue ampliar seu gosto por progressivo ainda mais nesse novo trabalho.

Temos aqui um dos pilares do Maiden, eu diria, sem desmerecer trabalhos passados como "Book of the Souls". Permanece o grupo como uma ode ao som, já que fazem ainda um trabalho digno, diferente e ainda mantém a cultura ampla de seu passado.

Recomendo o disco para quem deseja abrir a mente e ouvir sem esperar o Maiden de outros tempos.

Up The Irons!


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Sobre Fábio Arthur

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 04/02/2018

"Obtive meu primeiro contato com o Rock, com o grupo KISS no final de 1983, após essa fase, comecei a me interessar por outros grupos, como Iron Maiden, do qual ganhei meu primeiro vinil o "Killers" e enfim, adquiri o gosto por outras bandas, como Pink Floyd, John Coltrane, AC/DC entre outras."

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Sobre o álbum

Senjutsu

Álbum disponível na discografia de: Iron Maiden

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,36 - 7 votos

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