Resenha

Good For The Soul

Álbum de Dionne Bromfield

2011

CD/LP

Por: Roberto Rillo Bíscaro

Colaborador Especialista

23/08/2021



A afilhada de Amy Winehouse

A última aparição pública da trágica Amy Winehouse aconteceu poucos dias antes de seu falecimento, em show da afilhada Dione Bromfield, que lançava seu segundo álbum.

O sucesso de Back to Black deflagrou minionda de nepotismo. O pai de Amy lançou álbum e começou a fazer shows (ele se apresentava em Nova York, quando a filha morreu) e a madrinha anunciou Bromfield como sua possível sucessora, afirmando que a garota de então 13 anos era melhor que a mentora na mesma idade.

Frente ao carnaval de mídia cercando o lançamento de Introducing Dionne Bromfield (2009), chequei um par de canções no You Tube. A petulância de batizar o álbum quase como o Presenting Dionne Warwick (1963) me divertiu e a seleção de covers da soul music me interessou. Não passei da audição online. A adolescente não fez feio, mas, não tinha nada a acrescentar a clássicos como Ain’t No Mountain High Enough.

Não fiquei bravo. Em minha juventude fui introduzido a clássicos Motown por branquelos ingleses como Phil Collins ou Kim Wilde. Os críticos detonavam as releituras, mas foram elas que marcaram essa fase de minha vida. Por mais que eu reconheça que You Can’t Hurry Love e You Keep Me Hanging On são melhores com as Supremes, insisto em ouvir Collins e Wilde. Por que os jovens não poderiam fazer o mesmo com Bromfield?

Quando Good for the Soul foi lançado em julho, de 2011, pensei em novamente checar algumas canções no You Tube e boa. A morte da madrinha me fez querer escutar o álbum inteiro, porém.

Good for the Soul é uma coleção de canções inéditas, dando sequência ao coquetel retrô de soul, rhythm’n’blues e outras antiguidades, tipo Phil Spector, do primeiro álbum. Se para mim, essa sonoridade é antiga, para uma menina de 15 anos é pré-histórica! De vez em quando, uma piscadela trip hop ou electronica para salpicar o trabalho com alguma contemporaneidade. 
  
Os arranjos e a produção são impecáveis, o que não é mais do que obrigação, afinal, parte do time era o que trabalhou com Wino. 
  
Yeah Right abre o álbum com um funk rappeado, sinalizando que Dionne era teen do século XXI e não dos anos 60. Ouch That Hurt é bem Motown e A Little Love é informada pela Wall of Sound, de Phil Spector. Co-autora de várias canções, Bromfield atualiza as influências de black music norte-americana que possui, misturando-as com ska e pop.
Mas, a menina tinha apenas 15 anos e por mais simpático que soe, Good for the Soul carece de maturidade vocal. Há que resistir à tentação de compará-la com Winehouse, embora o timbre anasalado da garota lembre o da protetora e em vários trechos fique clara a tentativa de imitá-la. Mas, Wino já possuía a experiência e a dor necessárias para encharcar suas canções com aquela qualidade pertencente às grandes.

A afilhada era jovem demais para isso, o que neutraliza o impacto que poderiam ter canções como Remember Our Love e Good for the Soul. Quando ouvi a urbana Foolin’ não deu para evitar o desapontamento no verso “You’re the best teacher that I ever know”. Daria frêmitos de prazer numa voz mais experiente.

Há pérola perdida no meio do álbum, porém. Too Soon to Call It Love é canção pop deslizante com genes de Burt Bacharach no arranjo. Quando a voz de Bromfield se permite a doçura debutante do refrão é como se o Mestre andasse de patins pela Califórnia na adolescência. 


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Sobre Roberto Rillo Bíscaro

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Sobre o álbum

Good For The Soul

Álbum disponível na discografia de: Dionne Bromfield

Ano: 2011

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 2,5 - 1 voto

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