Resenha

Come One, Come All

Álbum de Circus Of Rock

2021

CD/LP

Por: Diogo Franco

Colaborador

16/08/2021



Tem música boa? Tem sim senhor...ou não!

Não é de hoje que alguns cantores/músicos do nefasto metal melódico (ou power metal) se aventuram pela seara do hard rock/aor,. Às vezes com bons resultados, como no caso do Pink Cream 69, e outras nem tanto, como no caso do plastificado Brother Firetribe.

Idealizado por Mirka Rantanen, batera do King Company, esse supergrupo finlandês lançou esse mês seu debut, com resultados um tanto irregulares. O disco abre com The Beat, que traz Riku Turunen (Iron Sphere, Exlibris, Enfarce) no vocal. A música começa com um riff arrasa quarteirão, numa linha hard and heavy que lembra de longe os medalhões do hard oitentista, mas é justamente a voz de Riku que soterra tudo ao transformar uma ótima canção num xerox mal feito do Helloween, deixando tudo com gosto de comida requentada. Tudo melhora quando entra a segunda faixa, com Johnny Gioeli nos vocais. Aor até a medula, lembrando momentos do Giuffria e até mesmo parecendo um Bon Jovi menos galã, essa faixa é uma das melhores do disco, com uma melodia cativante e refrão arrebatador, no melhor estilo FM dos anos 80. O álbum segue com Sheriff of Ghost, com um riff de guitarra meio Ozzy/Halford, pesadaço, com um refrão sensacional cantado por Marco Hietala (ex-Nightwish). Destaque também para os teclados na medida certa, sem os exageros fantasmalóides de sua ex-banda. Never vem em seguida, com um riff que copiou descaradamente Double Vision do Foreigner; mesmo assim é uma canção poderosíssima, hardão acima da média com refrão que lembra o Petra no sensacional Beyond Belief. O vocal aqui fica por conta de Kimmo Blom (Avalon, Boys of The Band, Leverage) e sua performance é correta, mas não espetacular. Na quinta faixa, tudo desmorona de novo: Elize Ryd, do Amaranthe, canta muito e tem um timbre bem bonito, isso é indiscutível, mas In Times of Despair é uma piada de mau gosto de tão ruim. Com uma cadência mais manjada que final de big brother, teclados parecendo terem saído de um videokê no bar da esquina e um refrão que seria constrangedor até pro pop do Roxette, tudo aqui soa artificial e sem emoção, com aquelas baterias que ninguém aguenta mais e riffs que mais parecem um Symphony X com covid do que algo pra se levar a sério. A irregularidade é a tônica desse álbum, veja por exemplo o blues intitulado Crossroads, que traz o vocal do Thunderstone, do Revolution Renaissance e do Lordi, Pasi Rantanen. Extremamente coeso e emotivo, com uma produção que beira a perfeição e um clima maravilhoso, sendo que essa música é com certeza um dos melhores blues já feitos por alguém que não é do ramo. Danny Vaughn do Tyketto aparece na melhor do disco, Caught In The Middle, mostrando que sua forma vocal está intacta. Destaque para o baixo melódico e gorduroso pulsando em toda a música. Destaco ainda Tears of Clown, Plywood Covered Windows and Crappy Shoes e Edge of Love como faixas essenciais e que tornam esse álbum muito interessante. A produção é um ponto negativo, pois oscila demais entre uma faixa e outra, comprometendo um pouco a audição.

No geral é um bom disco, longe de se tornar um clássico, mas bom para manter os fãs satisfeitos e mostrar que ainda querem trabalhar sério, mesmo que esse lance de supergrupos já esteja virando de fato um circo.


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Sobre Diogo Franco

Nível: Colaborador

Membro desde: 31/12/2019

"Sou carioca de Nova Iguaçu , músico há 25 anos , admirador de AOR , Hard , Glam , Heavy Metal e suas vertentes. Tenho 38 anos."

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Sobre o álbum

Come One, Come All

Álbum disponível na discografia de: Circus Of Rock

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3 - 2 votos

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