Resenha

Chapter II

Álbum de Chalcedony

2011

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

13/08/2021



Música original e imaginativa

Antes de tecer essa resenha, devo admitir que tive um preconceito com a imagem que vi ao ser apresentado à Chalcedony, pois ele não me parecia um artista de rock progressivo sinfônico, a sua aparência meio de Marylin Manson me fez esperar na verdade algo glam, eletrônico ou um hard rock 80’s, enfim, longe de uma sonoridade sinfônico. Foi então que ao ouvir a sua música eu fiquei de boca aberta, de forma surpreendente, estava eu ali de frente com um artista com grande conhecimento que leva a música muito a sério como um dos elementos fundamentais de sua vida.  

Eveshka Ghost- nome real de Chalcedony - é quem toca praticamente todos os instrumentos, tendo apenas a companhia de Chris Wilson nas guitarras. Olhando as coisas assim, inicialmente o ouvinte pode prever um problema, pois muito dos multi-instrumentistas que fazem esse tipo de disco acabam caindo na tentação de usar baterias programadas, porém, aqui é diferente, pois esse cara é um baterista e tanto e isso acaba fazendo com que o disco tenha uma excelente sonoridade e vários aspectos.  

“Truth Be Told” já faz com que o disco inicie de uma forma poderosa. Teclados deslumbrantes, bateria firme, além de algumas mudanças radicais e vocais com bastante firmeza. É o tipo de som que é difícil comparar com algo, mas pode ser uma mistura entre algumas linhas sombrias e misteriosas do Genesis com a complexidade do King Crimson e algumas boas doses de drama. 

“Regyne” começa de forma muito sentimental e suave, seguindo assim até por volta dos quatro minutos e meio, quando as coisas começam a mudar, a intensidade da música vai seguindo em uma crescente, enquanto é conduzida por vocais que são sombrios e enigmáticos, além de grande versatilidade. Passa longe de ter o mesmo frenesi encontrado na faixa anterior, mas também é uma peça muito bem bolada. Destaque também para um excelente e dramático solo de guitarra.  

“India” é uma peça muito incomum. A introdução percussiva continua ao longo de toda a faixa, mas à medida em que ela vai avançando, vai também acontecendo a junção com os demais instrumentos. Não sei se isso acontece apenas comigo, mas em sua seção final, ela me faz lembrar um pouco Tubular Bells do Mike Oldfield, só que de uma forma mais explosiva - até pelo seu tamanho inferior.  “Blood From Stone” começa de uma forma bastante direta por meio de uma bateria solitária, mas que logo ganha a companhia dos demais instrumentos, e ao ir avançando, se torna mais bem elaborada. Tem algo nessa música que me faz lembrar do Queen. Apesar de não ser tão progressiva como as demais que vimos até aqui, consegue soar tão boa quanto.  

“The Angel” começa bastante suave por meio de um piano muito delicado, mas mesmo assim incrivelmente dramático. Há um coro sutil que faz algumas pinceladas em belas cores na melodia. Este é aquele tipo de música dramática que causa uma claustrofobia no ouvinte e o leva para uma dimensão que ele parece não conseguir escapar e voltar à realidade. Um som realmente maravilhoso que tem tudo aquilo que eu – como fã de rock progressivo sinfônico - procuro. “Pandora's Box” tem o seu início com um trabalho de órgão bastante forte e que dá ao ouvinte uma sensação barroca muito cativante, mas basta a bateria entrar na música que a peça passa a ser do tipo de tirar o fôlego. Sabe aquele tipo de música que não permite o ouvinte prestar atenção em mais nada além dela? Eis aqui um dos clássicos exemplos disso. “Wrong Again” é uma verdadeiro deleite, onde Chalcedony mostra as suas habilidades como pianista e vocalista. Uma peça muito suave e dramática e sem a necessidade alguma de explosão instrumental mais forte do que a que ocorre para que funcione bem. O trabalho de guitarra também é excelente. 

“Pulse” começa de uma forma bizarra, mas não demora muito para se transformar e uma excelente peça progressiva e que funciona muito bem como uma espécie de curto interlúdio para a faixa seguinte. “Mechanical Wind” é um curto épico com pouco mais de dez minutos. A atmosfera dramática do início é criada muito por conta dos seus vocais dramáticos. Mais à frente a música entra em uma seção mais pesada e que mostra toda a qualidade de multi-instrumentista que Chalcedony possui.  

“Final Love” é o grande épico com quase dezoito minutos e que finaliza o disco. Uma canção muito ambiciosa e que a princípio é difícil achar palavras que a defina. Uma criação cheia de dissonâncias, grande nuance de estilos, gêneros e atmosferas que parecem sempre dançar diante de nós um após o outro. As coisas parecem sempre acontecer de forma inesperada, o que amplia ainda mais a experiência alcançada. Por ser muito difícil defini-la, apenas digo para que se você gosta de um rock progressivo sinfônico feito com excelência, se presenteie ouvindo essa epopeia musical.  

São muitas as audições que já fiz de Chapter II e ainda hoje fico impressionado com a experiência que ele me proporciona, sendo que certamente isso vai seguir acontecendo por muito tempo, pois sempre parece haver uma nova descoberta. Em os seus quase setenta e sete minutos não existe um ponto de fraqueza que seja, Chelcedony é um multi-instrumentista incrível e Chris Wilson faz alguns excelentes trabalhos de guitarra e entregam ao ouvinte uma música original e imaginativa. O que mais um fã de rock progressivo pode querer?


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Chapter II

Álbum disponível na discografia de: Chalcedony

Ano: 2011

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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