Resenha

School Days

Álbum de Stanley Clarke

1976

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

11/08/2021



Baixista genial erguendo um pilar do fusion

Por mais que ame os discos de Stanley Clarke, School Days terá a vaga garantida no Olimpo. 
Escolhendo os dez melhores do jazz fusion, de olhos fechados School Days estará lá, junto com Birds of Fire, Elegant Gypsy, Blow by Blow, Strange New Flash e por ai segue-se.
Com um time sempre de feras, Stanley simplesmente destrói tudo com a faixa título. O inicio dos bicordes é uma etapa mais simples tecnicamente, mesmo assim marcado como umas das introduções mais legais das quatro cordas. 
A vez da casa cabe-se aos solos de guitarra e a bateria em seu curso de marcações, viradas e exploração do chimbal. Por segundos tudo aquieta-se e o americano tem a consagração no melhor solo de contrabaixo de todos os tempos. Bends inimagináveis, pizzicatos, mais uma série de técnicas contando tradicional slap e seus double stop ao qual Clarke pinta e borda deixando qualquer um com cara de quem viu assombração ou tomou um choque de 220 volts. 
O Papel do teclado é o alicerce durante o solo citado, ai entra o retorno com os bicordes e acaba-se a canção que se faz presença garantida em seu setlist. Adiante qualquer nota bastaria, a paga estava feita, mas não para Stanley Clarke. 

Quiet Afternoon ludibria os menos acostumados com timbres,  nesse caso confunde-se com uma guitarra em seu start e posteriores. O lance todo está no baixo piccolo e a afinação propícia para solos puxando notas mais agudas. Entenda-se uma oitava acima, ou no A, D, G e C. 
Isso, acrescentado a genialidade, mais um pedal de efeito flanger e a magia está feita. Resumindo : ele gravou uma base de grave convencional e usou o picollo para o papel de guitarra. Dessa forma os teclados solavam e dobravam melodias confundindo-se com o próprio piccolo.

The Dancer tem Gerry Brown nas baquetas e a percussão Milton Holland, ambos promovendo levadas expressivas e tribais. O groove de slap mantem o padrão, assim como a bateria. A conta cai para David Sancious organizar o órgão e solo de moog na conversa com a guitarra de Raymond Gomes, que também enobrece os finais.

Em Desert Song temos um John Maclauglin "desplugado", mais o baixo acústico, nesse Stanley faz tudo e mais um pouco, desde o emprego de arcos e solos inacreditáveis.

Hot Fun é puro funk, agora com outro participante "fraco", também conhecido por Steve Gadd. Hot Fun foi aproveitada e convém dizer, melhorada para o disco Modern Man (1978) com More Hot Fun. A mesma pegada funk, somente algumas mudanças de arranjos com vocais femininos e instrumentos de sopro.

Antes de abraçar o fusion, Life is Just a Game guarda laços de música clássica e molho oriental, expandindo com o surgimento de frases do épico à orquestra. Pode-se dizer que é o inicio do conceito apresentado no excelente Modern Man. 
Com algumas passagens vocais feitas pelo próprio Stanley, até ai seguindo com cadência, e ... em alguns segundos vira o jogo, embolsando velocidade nas linhas extremamente elaboradas em grupamento a bateria de Billy Cobham ( palavras não lhe bastam para especular a destreza) e os préstimos do parceiro George Duke. Algumas escalas estão num ponto tão feroz que evocam Al Di Meola. 

Deste modo termina a saga do álbum mais consagrado do baixista, que na opinião do escritor, é o mais completo de todos.

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Sobre Marcel Dio

Nível: Colaborador Sênior

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Sobre o álbum

School Days

Álbum disponível na discografia de: Stanley Clarke

Ano: 1976

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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