Resenha

Hűség

Álbum de East

1982

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

04/08/2021



Neo Prog sólido, às vezes muito próximo do sinfônico dos pioneiros dos gêneros

Muito devido ao fato dos regimes do Leste Europeu não gostar muito de rock por achá-lo uma expressão do Capitalismo, o progressivo – como uma vertente qualquer do gênero - não chegou com força em terras húngaras ao mesmo tempo em que chegou no restante da Europa – apesar de que dos anos 70 ter saído do país nomes como Omega e Locomotive GT. Durante os anos oitenta, quando o resto do mundo viu o rock progressivo como um subgênero quase que arcaico ao mesmo tempo em que se entregava, por exemplo, ao synth pop, bandas como a East tocavam um neo progressivo sólido muito próximo do sinfônico dos pioneiros dos gêneros, mas com alguns elementos próprios.  

Em Hüség, a banda parece fazer uma abordagem que inicialmente pode ser vista como simplista, alternando muito bem faixas instrumentais com peças cantadas em húngaro de uma maneira muito bem harmoniosa, mas não é bem assim. Tudo funciona muito bem porque os instrumentais tendem para um lado mais fusion lembrando nomes como Passport e Jean-Luc Ponty, enquanto que as peças com vocais são mais sinfônicas eslavas na linha do Omega ou mesmo o início do Barcley James Harvest. Uma boa dica sobre Hüség é ouvi-lo do começo ao fim e não se preocupar com quando uma faixa termina e outra começa - apesar de eu falar de cada uma delas separadamente aqui na revisão.  

O disco se inicia por meio da faixa título. Começa com uma boa sensação de jazz que remete um pouco ao francês Jean-Luc Ponty, porém, com alguns componentes sinfônicos preeminente. Os teclados são lúdicos e casam perfeitamente com a guitarra elétrica que incrementa na música um tempero de hard rock. Um ótimo começo de disco.  

“Keresd Önmagad” possui um começo bastante dramático e com uma forte introdução de órgão que direciona o ouvinte pela primeira vez aos vocais cantados em húngaro. Sem perder a sua atmosfera sombria, suaviza um pouco o clima. Mais alguns solos de guitarra são responsáveis por adicionar um clima agradável à peça.  

“Mágikus Erő” vai fazendo o disco seguir na mesma direção da faixa anterior por meio de um órgão bastante forte e misterioso, porém, logo se transforma em uma peça mais rápida com alguns teclados e guitarras a todo vapor. Considero essa mudança algo muito bom, pois mostra que a banda tem uma boa versatilidade e a capacidade de se mover quase que radicalmente de um estilo para o outro.  

“Én Voltam...” coloca o ouvinte diante de mais uma nova mudança de clima, em algo mais orientado para o som do Alan Parsons Project – mais precisamente de algo encontrado em Pyramid. Mesmo soando muito mais simples, consegue fazer com que o interesse no álbum seja mantido, principalmente devido ao excelente órgão e solos de mellotron.  

“A Végtelen Tér Öröme” é uma peça instrumental curta e que serve muito bem como introdução para “Ujjászületés”, música que privilegia o lado mais folclórico da banda. Possui uma melodia muito bonita que só muda mais próximo do fim, quando um excelente trabalho de órgão e uma passagem de mellotron engrandecem a música.  

“Ablakok” mostra mais uma das inúmeras faces apresentadas pela banda, se aproximando agora a uma sonoridade mais próxima do space rock misturada com atmosferas pesadas pouco diluídas e com vocais que soam meio fora do lugar. “Vesztesek”, a mesma atmosfera é mantida aqui, mas desta vez com um trabalho vocal muito mais interessante. Vale destacar também o solo surpreendente linha de David Gilmour.  

“Felhőkön Sétálva”, uma música que tem como tradução “andando nas nuvens” não poderia ter um gênero diferente do space rock. Começa bastante suave, mas vai ficando mais rápida e enérgica conforme vai avançando. “Várni Kell” é uma peça sinfônica cheia do requinte, apresentando um bom desempenho do piano e vocais fortes que são muito bem apoiados pelo restante da banda. “Merengés” é a faixa que encerra o disco. Uma canção curta e melancólica de um ar bastante contemplativo que vai desaparecendo suavemente e dando ponto final a tudo.  

Por mais que alguns admiradores mais puristas e exigentes de rock progressivo não tenha caído na graça da banda por achá-la leve demais, eu prefiro olhar que estamos diante de um álbum muito bom gravado quando o gênero para muitos “agonizava” no resto do mundo, impulsionando o desenvolvimento de um determinado tipo de música em uma região onde ela dava os seus primeiros passos em direção ao rock – seja progressivo ou não.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Hűség

Álbum disponível na discografia de: East

Ano: 1982

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,5 - 1 voto

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