Resenha

Ritual De Lo Habitual

Álbum de Jane's Addiction

1990

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

23/07/2021



Na magia dos anos 90

Meu contato com esse disco veio através de uma resenha de Gastão Moreira, no qual comparava Three Days a Xanadu do Rush, não lembro em que revista vi, talvez na ShowBizz ?, quem sabe...
Confesso não recordar em que sentido as palavras de Gastão se encaixavam quanto a isso, e logo fui correndo alugar o CD, principalmente por ser fã do Rush. 
Adoro essa banda, mesmo tendo certo ranço com a voz irritante de Perry Farrell. 
Jane's Addiction reinou quando o rock respirava com experimentos e tinha apoio midiático. 
Nothing Shock (álbum anterior) não fica por baixo deste, todavia em Ritual de lo Habitual a força estava com eles e essa força não tinha freio. 

A introdução em espanhol fazia a reza aos moleques da época em um discurso de abertura na voz de uma criança : "Senhores e senhoras, nós temos mais influência sobre seus filhos que vocês tem, mas nós os amamos!". Claro que ninguém dava a mínima para tais frases e que eles não amavam muitas coisas além do cacau$, ou entenda por pura balela roquista.
Bom, deixando as besteiras de escanteio, é o som que se ama ou odeia, até pela voz de Perry. Infelizmente pouco tempo depois entraram no ostracismo e deixaram esse como dose de tequila da boa e completa, voltando somente em 2003. 

"Stop!" chegava após o tal discurso, discorrendo sobre meio ambiente e poluição. Tiro certo na lata do suingue, bem corriqueiro no som deles a misturar groove ao rock alternativo e algumas camadas do que vem a ser considerado épico, em guitarras por vezes "gritantes" e difíceis de serem assimiladas inicialmente. David Navarro fazia parte do grupo antes de partir para o Red Hot Chili Peppers. 

"No One's Leaving" era comandada pelo baixo de Eric Avery sobre uma bateria insana e vocal mais ainda, enquanto a abertura de "Ain't no Right" chegava ao Lou Reed e The Doors, para logo espantar com um riff matador de contrabaixo, direcionando também a porradaria a seus pares, vide os vários solos de guitarras entre meio a bateria tribal e cheia de viradas. 

"Obvious" causava mais pelos pianos de fundo, acordes e certo caminho ao grandioso traçavam o híbrido de Red Hot e Led Zeppelin. 

"Been Caught Stealing" caminhava na mesma proposta, sem ser tão reparada quanto as outras.
A história muda completamente com a soberba "Three Days", homenagem a uma amiga que morreu devido uma overdose de heroína nos três dias em que ficou "confinada" a uma mini festa regada a drogas e sexo.
Para uma banda nascida no meio dos anos oitenta compor algo que ultrapassasse dez minutos era incomum. O interessante é que "Three Days" tem suas fases com a introdução de baixo com ligados ao qual se repete por boa parte junto com os vocais e uma bateria cadenciada. Até o momento comportada pela questão instrumental e a quase narrativa de Perry Farrel sobre a questão da estadia da amiga no apartamento. Quando a coisa começa a "pegar no apê", o andamento muda junto com a bateria e eleva-se angustiante, claramente em uma posição que nem eles sabiam o que estava tornando-se. A letra tem lá suas gírias ou loucuras do que Farell recorda sobre o fatídico dia. Na ilustração da capa vemos os três coadjuvantes de tal fato.
Adiante um solo extraordinário fazendo jus a qualidade de David Navarro. Logo após o concreto potente do trio baixo, guitarra e bateria, a música retoma e repete algumas partes, como jam direta da agonia ou inferno, enfim, uma aula de música, como Gastão ousou a colacionar com Xanadu.

O exemplo de como acordes simples são tão importantes quanto solos, esta está contido em "Then She Did ..."
Sobra espaço para a guitarra fazer coisas que músicos de conservatórios diriam : banais !. Só que no enquadramento entende-se o quanto esses caras manjavam de música. Posteriormente os riffs são adicionados a elementos orquestrais e a coisa vai decolando.
Apesar de rasgar sedas a "Thee Days", esse é o som definitivo deles na minha opinião. Provando que eram tão bons quanto o Faith No More na exploração de novos componentes, assim como o fazem em "Of Course" e sua construção de música árabe. Certo que não complicam dessa vez e quem dá o tom é o violino do convidado John Philip Shenale. 

"Classic Girl" pega acordes parecidos com os de "Then She Did ...", de forma menos viciante e mais coesa. Acelerando apenas em avulsos momentos.

Farrell foi um dos criadores do festival Lollapalooza, além de ter cantado em outros grupos.
Lollapalooza foi diretamente ligado ao nascimento de Ozzyfest. Aconteceu que a participação de Ozzy foi negada em certo momento, o que deixou Sharon Osbourne revoltada, e assim decidiram por criar o próprio festival.


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Sobre Marcel Dio

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Sobre o álbum

Ritual De Lo Habitual

Álbum disponível na discografia de: Jane's Addiction

Ano: 1990

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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