Resenha

It's That Girl Again

Álbum de Basia

2009

CD/LP

Por: Roberto Rillo Bíscaro

Colaborador Top Notch

11/09/2017



Uma Polaca do Batuque

No início dos anos 80, na Inglaterra, Sade Adu, Corrine Drewery e Basia Trzetrzelewska trabalhavam no mundo da moda ao mesmo tempo em que faziam backing vocals para bandas influenciadas por sons latinos, jazzísticos e afins. Três beldades chiques, sem dúvida. Adu explodiu em 84 e virou diva. Drewery teve alguns sucessos com seu Swing out Sister, continua chique até hoje e até pouco tempo ainda era bem cotada em círculos que curtem acid jazz. 

A polonesa Basia juntou-se ao Matt Bianco em 1982. O grupo fazia jazz-pop, influenciado por bossa nova, jazz e ritmos caribenhos. Junto com Everything But the Girl, Working Week e outros, foram juntados pela crítica britânica sob o termo New Bossa.

Matt Bianco teve música na trilha da novela De Quina Pra Lua (1985), embora More Than I Can Bear os vocais não sejam de Basia, e sim de Danny White. Aliás, na mesma trilha havia With Everything to Lose, do Style Council, outra banda da New Bossa. O sambinha Half a Minute, do Matt Bianco – esse com vocais de Basia – chegou a tocar por aqui também.

Em 1987, a moça levantou voo solo. Time And Tide (1987) e London Warsaw New York (1989) ganharam discos de ouro na Europa e EUA. A fórmula foi a mesma: produção lisinha e limpa, ênfase em bossa nova, samba, pitadas de Caribe. The Sweetest Illusion (1994) falhou e Basia ficou anos sem lançar álbum de estúdio. Houve um ao vivo na Broadway, em 1995, e diversas participações em projetos de outros artistas, como na radiante Springtime Laughter, do norte-americano Spryo Gyra. Em meados da década passada, uma agradável volta aos tempos de parceria com Danny, resultando em Matt’s Mood, típica new bossa, parecia que ainda estávamos nos anos 80. 

A carreira solo de Basia estava tão quieta que sua volta aos estúdios, em março de 2009, passou batida para quase todo mundo. It’s That Girl Again mostrou que a voz da polaca continuava afinada e cheia de bossa.

A primeira faixa, If Not Now Then When, entrega o ouro: Basia mudou, mas muito pouco. Trata-se de um samba de gafieira com sax e tudo. Uma gostosura chique para animar qualquer vernissage, coquetel ou jantar de cinquentões sofisticados! A novidade é que a sonoridade é menos sintetizada do que aquelas dos anos 80, encharcados de teclados. Mudou para melhor.

A cantora continua amando os ritmos brasileiros. Blame It on the Summer dá vontade de flanar pela orla de Ipanema com Helô Pinheiro! Two Islands oscila entre balada e samba agradável. Winners é sambão com cuíca, apito e tudo! Para um álbum com treze canções, o Brasil mostra que continua com tudo para a batuqueira Basia!

Mas, também há o cha cha cha que vira meio rock no meio (I Must), a mudérrrrna Everybody’s On the Move, que é um dance funkeado. A cantora abre brecha para cantar em polonês na interessante Amelki Smiech. Continuo achando que a voz de Basia merecia baladas melhores. Ah Burt Bacharach, você faz falta nessa salada de influências! There’s a Tear, por exemplo, não ultrapassa o status de “bonitinha”, mera canção de fundo. A canção final é a que nomeia o álbum. Balada sem graça, salva pelo vocal de Basia, como em quase todas as demais. 
Apesar da tentativa e de algumas faixas realmente agradáveis - quando foge do terreno baladeiro – It’s That Girl Again não logrou recolocar Basia em nicho significativo de mercado e desde então, não houve outro álbum de estúdio. Uma pena, mas nada impede que se conheça o trabalho dessa polonesa do batuque, tanto solo, quanto com o Matt Bianco. 


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Sobre Roberto Rillo Bíscaro

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 11/09/2017

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Sobre o álbum

It's That Girl Again

Álbum disponível na discografia de: Basia

Ano: 2009

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3 - 1 voto

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