Resenha

Beyond Expression

Álbum de Finch

1976

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

02/07/2021



Beyond Expression soa diferente do disco de estreia, mas ainda brilhante

Mesmo sendo um pouco diferente do disco de estreia, Beyond Expression ainda traz um Finch exalando rock progressivo no seu som. Eles continuam com uma abordagem de produção sinfônica a partir de ótimas e pesadas performances instrumentais tecnicamente deslumbrantes e de um nível muito elevado. Muito melódico, ardente e expressivo, provavelmente a única queixa em relação ao disco é a sua produção que poderia ser melhor, porém, isso chega a ser quase irrelevante se levarmos em conta toda a excelência musical de arranjos poderosos encontrados em suas três faixas – sim, o disco só tem três faixas.  

“A Passion Condensed”, com os seus vinte minutos de duração, é a faixa que abre os trabalhos no disco. Sabe aquele tipo de situação que passamos durante a nossa infância, quando estávamos brincando e de repente algumas horas pareciam minutos? Tenho essa mesma noção de tempo aqui. A faixa começa por meio de algumas expressões musicais arejadas, onde cada membro da banda entra ao mesmo tempo, mas logo depois, um baixo solitário e cheio de groove se isola por alguns segundos. O resto da banda regressa. As teclas de Cleem Determeijer estão sempre se mantendo em um alto padrão de criação, entregando ao ouvinte na maior parte do tempo um trabalho naturalmente atmosférico, exceto pelo momento com mais groove do disco. Com influências blues-rock, Cleem faz alguns incríveis e furiosos ataques de órgão. A banda entra então em uma seção mais delicada por meio de um pano de fundo de teclas atadas de reverberação melódica que eventualmente desaparecem e se transformam em um solo de guitarra emotivo de Joop Van Nimwegen. Joop mostra um estilo muito parecido com Andy Latimer. Essa abertura de disco é impressionante.  

“Scars On The Ego” tem em sua abertura um pouco de “influência” na música “Utopia” de Todd Rundgren, em seguida, mudando para uma sonoridade com a estrutura parecida com “Black Mariah”, também faixa de Rundgren. Particularmente eu acho isso bem interessante. A música entra em uma linha melódica muito agradável e simples. Possui um “refrão” que novamente me faz lembrar do Camel, mas em seu segundo verso possui uma guitarra estilo Steve Hillage. A banda regressa novamente ao tema, “Black Mariah”, antes de mudar para uma linha pesada e muito mais veloz – sem perder a influência em Rundgren -, com direito a um solo incrível de sintetizador antes de tudo chegar ao fim.  

“Beyond The Bizarre” começa por meio de um arpejo lento e pesado de guitarra, acompanhado de algumas notas ao piano. A atmosfera criada aqui é fúnebre. Chegando por volta do seu segundo minuto, a peça preenche a sua paisagem sonora por meio de um blues rico em emoção e de sons semelhantes ao Focus. O ritmo então fica mais acelerado e uma seção rítmica muito boa acompanha os trabalhos velozes de guitarra e teclado. Ela então entra em uma seção de piano mais suave e que estranhamente me faz lembrar da seção lenta de “Layla” da Derek and the Dominos, mas esse momento de piano cintilante liga a faixa para um de guitarra estridente e que a estabelece em um ritmo simples e bem melódico. Uma melodia emocional toma de conta, um solo de guitarra mais simples, porém, cheio de sentimento, vai levando a faixa para um fim sinfônico.  

Se você gosta do primeiro disco da banda, não tem motivo algum para não gostar desse também - mesmo e como já dito, sendo um pouco diferente um do outro.  Mais uma vez a banda prova que sabia como poucas soar imprevisível, mesclando partes mais volumosas e rígidas com alguns interlúdios espaciais e suaves. Em seu segundo disco, esse quarteto produziu novamente um dos exemplos mais puros e arquetípicos de rock progressivo sinfônico. Tendo novamente os seus talentos acentuados pelo fato de sua música ser inteiramente instrumental, o que obriga os músicos a levarem ao máximo sua expressividade e inventividade.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Beyond Expression

Álbum disponível na discografia de: Finch

Ano: 1976

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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