Resenha

Glory Of The Inner Force

Álbum de Finch

1975

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

30/06/2021



Glory Of The Inner Force é técnica, criatividade e ousadia musical

Finch é um grupo bastante subestimado e que deveriam ter tido uma fama ao mesmo no nível dos seus compatriotas do Focus. Em seu disco de estreia, eles apresentaram um progressivo instrumental da maior qualidade, bastante inventivo e com excelentes melodias tocadas com bastante entusiasmo e tecnicamente executadas com maestria. Ainda que as gravações apresentem uma sonoridade de muitas voltas e reviravoltas ao longo de cada uma de suas faixas, é possível perceber também um forte componente melódico - sendo essa última característica muito semelhante ao que o Focus fazia na época.  

“Register Magister” logo de cara mostra uma banda querendo estabelecer um excelente entrelaçamento sonoro liderados por teclas muito técnicas, linhas robustas de baixo e batidas ferozes em uma melodia muito bem guiada pela guitarra. Tudo soa de forma implacável. Uma boa mistura entre Camel e Jan Akkeerman, com a adição de um verdadeiro bombardeio do baixo de Peter Vink. Impossível não mencionar também os teclados de Cleem Determejer vindo de todos os lados e dando toques impressionantes a peça.  

“Paradoxical Moods” é uma peça ainda mais violenta e arrebatadora, exibindo alguns passeios musicais extremamente sofisticados em uma atitude quase funky. Conforme vai se desenvolvendo, a música vai se alternando entre estocadas raivosas e carícias mais suaves e delicadas. Por volta dos quatro minutos e meio o órgão toma a dianteira com um solo cheio de vigor. No geral, mais uma vez a banda entrega uma música cheia de nuances sonoras que se misturam muito bem e entregam pro ouvinte uma peça sensacional.  

“Pisces” começa com um trabalho de guitarra atonal até que o groove do baixo coloca tudo no seu devido lugar, empurrando ferozmente a faixa para frente. Possui um solo de órgão extremamente jazzístico que chama bastante atenção enquanto que por de traz dele a banda produz linhas instrumentais ardentes – principalmente por parte da guitarra. A seção média é suave e muito bonita, quase como um blues, certamente o movimento mais hipnotizante do disco, Joop Van Nimwegen e a sua guitarra matadora fazem um verdadeiro “estrago” por meio de uma habilidade técnica incrível. Que música maravilhosa.  

“A Bridge To Alice” com mais de treze minutos é a faixa mais longa do disco, além de também ser a que o encerra.  Uma música estranhamente complexa, tendo a visão do grupo e a execução da técnica como algo simplesmente supremo, ao mesmo tempo em que é possível perceber uma alegria, como se os músicos tivessem preocupados apenas em se divertirem. A amplitude das mudanças estilísticas nesta faixa por si só é alucinante, riffs estridentes de rock e um jazz mais swingado são dois dos ingredientes encontrados nesse pacote maravilhoso de sons. Há um momento em que o clima muda para algo mais pastoral, violões cintilantes vão evoluindo lentamente, direcionando a faixa para algo mais sombrio. Algumas batidas ao estilo de marcha e um baixo “diabólico” começam a emergir, piano também passa a acompanhá-los até que a guitarra coloca a música no ritmo que ela vai ter a até encerrar. Um final de disco apoteótico.  

Glory Of The Inner Force possui um material musical de clara combinação técnica, criatividade e ousadia. São apenas quatro faixas*, mas todas musicalmente densas e complexas, além de bastante melódicas. A entrega instrumental desses quatro talentosos músicos é de humores diversos e ritmos intrincados sempre satisfatórios, em alta voltagem e eficiência. Para amantes do rock progressivo clássico que queira ouvir uma banda que possui a aura musical do Yes, com elementos do Focus e de influências fusion, esse disco é um item obrigatório.  

*Em sua versão remasterizada, inclui no CD duas faixas bônus: Colossus Part I e Colossus Part II


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Glory Of The Inner Force

Álbum disponível na discografia de: Finch

Ano: 1975

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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