Resenha

Captain Beyond

Álbum de Captain Beyond

1972

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

15/06/2021



Hard Rock forte, enérgico e equilibrado, além de ótimas incursões progressivas

O primeiro e autointitulado disco da Captain Beyond também é de longe o seu melhor feito. Acho que não há o que discutir em relação a isso. A música encontrada no disco é um hard rock um tanto peculiar, talvez um pouco entre o estilo do Deep Purple e o início do Rush – embora ele seja mais antigo que o primeiro disco do trio canadense. Todas as músicas do álbum parecem estar unidas umas nas outras, porém, devo admitir que nunca tive capacidade de entender as letras o suficiente para extrair um tema lírico coerente do álbum.  

Esse disco possui inúmeras mudanças de ritmo e compassos, uma bateria muito boa e por vezes influenciada pelo jazz, ritmos firmes e alguns trabalhos de guitarra até mesmo violentos, fazendo com que tudo soe anos à frente do seu tempo. Embora o álbum seja segmentado em muitas canções individuais, existem três temas básicos que realmente segmentam o álbum em três composições estendidas. As músicas fluem com uma naturalidade incrível até mesmo quando se trata de uma peça acústica para um hard rock mais pulsante.  

“Dancing Madly Backwards (On a Sea of Air)” é a faixa que inicia o disco. O riff principal lembra o Rush em seu primeiro álbum - mas como já dito, na verdade antecede esse. Embora em hipótese alguma eu chamaria o Captain Beyond de heavy metal, é possível notar aqui um som que pode ter influenciado o Judas Priest, por exemplo. Os vocais são muito fortes e o trabalho de guitarra solo é um deleite. “Armworth” com menos de dois minutos faz parte das faixas mais curtas do disco. Os vocais mais uma vez são ótimos e a linha de baixo é excelente. A melodia como um todo é amarga e reflexiva sobre um cara que perdeu um braço em uma batalha e está tentando encontrar algum significado ou razão para anexar à perda.  

“Myopic Void” começa com uma sonoridade espacial/psicodélica em que a guitarra parece emitir um som de pássaro. Aqui é possível perceber a banda enfatizando a influência de Johnny Winter sobre ela. Durante boa parte do seu desenvolvimento a bateria guia a peça através de uma batida militar.  

“Mesmerization Eclipse” é uma música de uma energia incrível e de uma seção rítmica motriz. Trata-se de uma música sobre estar chapado. Bastante pesada e de uma guitarra vibrante. Um bom exemplo para comparação aqui era como se estivéssemos ouvindo Ronnie Van Zant cantando por cima da guitarra de Jimi Hendrix. Um dos grandes destaques do disco. “Raging River of Fear” é uma música que já vi em um lugar que foi a menos tocada ao vivo na época, porém, o motivo ninguém sabe. Os vocais são muito harmônicos e em camadas, passagens instrumentais estendidas e pesadas na guitarra, além de um final de bateria que é puro massacre. 

“Thousand Days of Yesterday (Intro)” é mais uma das faixas curtas. A guitarra acolhe muito bem o ouvinte, além de possuir um baixo muito agradável. Lenta, triste, reflexiva, suave e nostálgica em um espaço curto, a peça é capaz de despertar muitas sensações em quem a ouve. “Frozen Over” entrega algo entre o Led Zeppelin e os primeiros anos do Rush, fazendo com que ela seja condecorada com o título de mais pesada do disco.  

“Thousand Days of Yesterdays (Time Since Come and Gone)” pega o gancho na faixa anterior. Baseada em um excelente trabalho de guitarra, é possível notar um toque progressivo – diria que algo na linha do Yes. Uma bela peça e que mantem o disco em uma alta temperatura. “I Can’t Feel Nothin’ (Part I)” é mais uma música em que é possível notar algo semelhante ao início do Rush, mas também com alguma veia crimsoniana no final.  

“As the Moon Speaks (To the Waves of the Sea)” é bastante psicodélica, com a guitarra ditando o ritmo sob vocais falados, até que ela explode e se transforma em um hard rock clássico dos anos setenta. “Astral Lady” é somente uma peça de transição com dezessete segundos de duração e que liga a faixa anterior com a próxima.  

“As the Moon Speaks (Return)” começa novamente com uma linha suave de guitarra sob um vocal falado. É um dos momentos mais progressivos do disco, tendo como grande destaque sem dúvida o trabalho de guitarra solo. A percussão no fim lembra algo que o Santana faria. “I Can’t Feel Nothin’ (Part II)” com pouco mais de um minuto e dez é onde o disco chega ao fim. Uma mistura entre – mais uma vez – os primeiros anos do Rush, mas com um fim influenciado pelo Yes.  

Se você gosta de bandas como Uriah Heep, Deep Purple, Iron Butterfly, Babe Ruth, Rush da frase inicial entre outras, esse disco foi feito pra você. Já o vi sendo colocado por algumas pessoas no mesmo nível de álbuns como In Rock e Machine Head do Deep Purple ou Demons and Wizards do Uriah Heep, nesse caso não concordo, por mais que se trate de um disco excelente. No fim, um Hard Rock forte, enérgico e equilibrado, além de ótimas incursões progressivas.


Nota: As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor



Comentários

Faça login para comentar

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.

Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito, aberto e democrático para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.



Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

Veja mais algumas de suas publicações:

  • Image

    ResenhaAnthony Phillips - The Geese And The Ghost (1977)

    13/02/2019

  • Image

    ResenhaPink Floyd - Obscured By Clouds (1972)

    31/10/2019

  • Image

    ResenhaVan Der Graaf Generator - Pawn Hearts (1971)

    08/11/2017

  • Image

    ResenhaLed Zeppelin - Led Zeppelin IV (1971)

    11/10/2017

  • Image

    ResenhaPendragon - Love Over Fear (2020)

    28/05/2020

  • Image

    ResenhaNine Skies - 5.20 (2021)

    01/09/2021

  • Image

    ResenhaCervello - Melos (1973)

    16/05/2018

  • Image

    ResenhaYes - The Yes Album (1971)

    09/11/2017

  • Image

    ResenhaPeter Hammill - Fool's Mate (1971)

    21/04/2020

  • Image

    ResenhaBacamarte - Sete Cidades (1999)

    17/03/2019

Visitar a página completa de Tiago Meneses



Sobre o álbum

Captain Beyond

Álbum disponível na discografia de: Captain Beyond

Ano: 1972

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 5 votos

Avalie

Você conhece esse álbum? Que tal dar a sua nota?

Faça login para avaliar

Veja mais opiniões sobre Captain Beyond:

  • 26
    dez, 2019

    Um disco absoluto

    User Photo Fábio Arthur

Visitar a página completa de Captain Beyond



Continue Navegando

Através do menu, busque por álbums, livros, séries/filmes, artistas, resenhas, artigos e entrevistas.

Veja as categorias, os nossos parceiros e acesse a área de ajuda para saber mais sobre como se tornar um colaborador voluntário do 80 Minutos.

Busque por conteúdo também na busca avançada.