Resenha

14 Bis

Álbum de 14 Bis

1979

CD/LP

Por: allecradical00

Usuário

12/06/2021



Debuta o Quinteto Semi-mineiro: do prog ao folk passando pela MPB, o primeiro LP

Esse, apesar de não ser meu álbum preferido (os preferidos ficam por conta de Espelho das Águas (1981), A Idade da Luz (1983), A Nave Vai (1985) e Outros Planos (2004)) ele tem músicas que me cativam. Ainda em 1970, Flávio Venturini e Vermelho escreviam músicas juntos, e com o sucesso do FIC, uma das músicas cadastradas pela dupla foi 'Espaço Branco', defendida por ironia do destino pela banda O Terço (que Flávio viria a fazer parte (sem saber) em 1974). E em 1973, as peças do 'avião musical' começavam a se mover quando pedindo á um dos f*dões da MPB, Milton Nascimento, Sérgio Hinds pediu a indicação de um tecladista. Logo se fez presente, Flávio Venturini (com Sérgio Magrão a tiracolo) que trouxe uma composição revolucionária a banda, 1974, que emplacou sucesso no escultural álbum Criaturas da Noite (1975), que alcançou o escalão de clássicos como Yes, ELP, Genesis e muitos outros. Em 1976, após Casa Encantada, Flávio deixa o Terço pra cumprir "outros trabalhos" (logo descobrirão o porquê das aspas). Sérgio Magrão continuou pra dar suporte ao Terço no álbum Mudança de Tempo (1978). Enquanto isso... no ano de 1975, Vermelho, se aliou á alguns caras incluindo o percussionista Hely Rodrigues e formou o Bendegó (que chegou a gravar um álbum em 1976, sendo desconhecido se gravou outros). E, em 1977 tivemos um semi 14 Bis no álbum de estréia de Beto Guedes, A Página do Relâmpago Elétrico (1977) com Hely, Vermelho e Flávio. Enfim... como o Terço viu seu fim temporário em 1979, com cada um dos integrantes partindo pra projetos próprios antes da breve reunião da banda em 1981, Flávio, assim como Sérgio Hinds e Cézar de Mercês, decidiu fazer um trabalho solo ainda em 1979. Mas, infelizmente (ou felizmente), ele decidiu abortar a carreira solo, e formar uma banda com os três elementos: Magrão, Hely e Vermelho. Mas espera! Está faltando alguém! O irmão mais novo de Flávio, Cláudio Venturini, não havia alçado a maturidade, mas em 1976 e 1977 ele havia se empenhado brutalmente na guitarra. E em 1978, foi convidado para ser o guitarrista de Ló Borges no álbum A Via Láctea (1978). E então, Flávio puxou seu irmão pra banda. (Curiosidade: Cláudio estava pra ser "sequestrado" pela dupla Sá & Guarabira, mas Flávio saiu em sua defesa). 
Enfim... em 1979 com a banda formada, eles decidiram gravar o primeiro álbum autointitulado (14 Bis) e como era de se esperar, o produtor do álbum foi ninguém mais, ninguém menos que: Milton Nascimento!
E, como eu disse, esse primeiro não é meu favorito, mas tem canções que muito gosto.

Em primeira mão "Perdido em Abbey Road" mostra não só no título, como também na sonoridade, a clara influência dos Beatles no som da banda. O teclado seguido por linhas de guitarra e bateria 'casados' com uma pequena orquestra no Background faz com que a música fique bem uniforme. Nos álbuns posteriores, a música foi reproduzida após o semi-refrão "E os meus amigos, dispersos pelo mundo, a gente não se encontra mais pra cantar, aquelas canções, que disparavam nossos corações".
"Canção da América" foi uma música inédita de um cantor-compositor que não fora cantada pelo criador original. O 14 Bis estreou em primeira mão a composição da dupla Milton-Brant, que só foi reproduzida originalmente no álbum de Milton Nascimento, Sentinela (1980). Flávio e Vermelho mostram um verdadeiro show "orgânico" na música e os vocais de coro dos quatro (Cláudio, Flávio, Vermelho e Magrão) são muito bons.
 "Ponta de Esperança" mostra um desempenho igualitário a Perdido em Abbey Road, fazendo uma recaída proposital, e os teclados de abertura me lembram um relógio, e o encerramento, uma canção francesa.
"Pedra Menina" enaltece o lado Folk Vocal do grupo, com acompanhamento tímido do teclado e leves percussões por parte de Hely. O vocal sinceramente é o melhor da música, e ver que a incluíram no mais recente trabalho pré-pandemia (Bis Acústico, 2020) me palpitou nervoso.
Se Pedra Menina acalma o disco (que por sí só é uma verdadeira morraria musical), "Cinema de Faroeste" a quebra. O 14 Bis faz o seu máximo nesta faixa, incluindo um interlúdio lúdico que me faz lembrar um circo que termina numa risada acompanhada de uma sigilosa gaita.
Abrindo o lado B do disco, "Natural", que assim como Canção da América, virou um hit da banda. Uma música deliciosa de ouvir que não possui ritmo ou gênero certo.
"O Vento, A Chuva, O Teu Olhar" também possui da mesma fórmula que Natural, porém seu final que descamba pruma distorção na guitarra, e despedida num teclado, que soa eletrônico, torna-se o diferencial da música.
"Blue" é uma instrumental do álbum que releva os trabalhos de Flávio e Vermelho, que a medida que o riff termina, quando ele se repete, trás mais instrumentos na mesa.
"Meio-dia" trás o suco do prog verde. Começa com uma gaita afoita, e os vocais provam-se mais uma vez... (poxa... como eu queria esquecer de trabalhar) e o solo de teclado faz maravilhas lembrando vagamente Lucky Man do ELP.
"Três Ranchos" que faz alusão indireta a Minas Gerais, é completamente distorcida não tendo ao menos uma introdução. Confesso que tenho um pouco de medo da música. 
Outra que me lembra a França é a última faixa do disco "Sonho de Valsa" que me faz embarcar na voz solo de Flávio Venturini (que só fico no imaginário pensando em como seria esse álbum solo abortado de Flávio ainda em 79). Uma música ideal pra fechar este belo disco. 

Enfim, no ponto terminal da linha, é que dou minhas considerações finais: uma bela estreia, já que os músicos vinham treinados e, uma boa pedida pra quem quer uma referência na MPB. O virtuosismo desse álbum acaba contaminando (de maneira positiva) o que viria depois, principalmente no segundo álbum 14 Bis II de 1980. Enfim... um clássico!


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Sobre o álbum

14 Bis

Álbum disponível na discografia de: 14 Bis

Ano: 1979

Tipo: CD/LP

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