Resenha

If I Could Do It All Over Again, I'd Do It All Over You

Álbum de Caravan

1970

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

10/06/2021



Órgãos ricos e pastorais, linhas de guitarra sutis e seção rítmica propulsora

Enquanto que no primeiro álbum a banda ainda estava em uma tentativa de estabelecer um estilo próprio, por meio de If I Could Do It All Over Again, I'd Do It All Over You o grupo já estava entregando uma verdadeira obra-prima. Suas composições são perfeitamente harmonizadas e encantam com a forma refinada, imaculada e multifacetada com que se desenvolvem. O disco parece se manter sempre em um clima melancólico, mas por vezes sofre ataques instrumentais mais enérgicos.  

A atmosfera que a banda cria aqui consegue ser ao mesmo tempo suave e muitas vezes viajada, mas também de um forte impulso jazz-rock. No entanto, raramente é pesado, o que é muito interessante de ouvir. Também vale ressaltar alguns elementos psicodélicos no som. E mesmo que em alguns momentos seja possível notar uma experimentação e progressão em quantidade excessiva, ainda assim o disco não se direciona para algo muito pretensioso.  

O disco começa por meio da faixa título. Possui algumas boas camadas vocais, além de um ótimo som mais rock and roll. Também gosto de destacar o solo de órgão. “And I Wish I Were Stoned-Don't Worry” oferece ao disco uma textura sonora que lembra um pouco o Procol Harum. Possui um refrão envolvente, mas também de psicodelia lúdica. Ao longo da faixa a banda entrega algumas seções instrumentais simplesmente matadoras. A seção de “Don’t Worry” tem uma ótima sonoridade “hippie” e progressiva. Ainda há espaço para um final falso que dá lugar a um solo de bateria antes da música finalizar definitivamente.  

“As I Feel I Die” quando começa faz com que o ouvinte possa se lembrar do Pink Floyd era Syd Barrett, além de um pouco de Moody Blues. A faixa vai crescendo de uma maneira bastante lenta, mas de repente ela entra em uma linha instrumental muito efusiva. A banda então cria alguns movimentos alternados. A seção do solo de órgão novamente traz um clima floydiano para a música que depois nos dá a possibilidade de perceber também algo de Emerson, Lake & Palrmer durante essa seção.  

“With An Ear To The Ground You Can Make It” começa extremamente suave e vai se transformando em uma espécie de brincadeira pop psicodélica. Por volta dos dois minutos, a banda silencia novamente e vai aos poucos criando um tema para regressar a um ritmo interessante. À medida que continuam a crescer, eles transformam isso em outra jornada musical de rock progressivo ardente. Mais à frente a música cai em um outro momento mais suave, lembrando um pouco o Moody Blues. A partir daí a banda entra em uma outra seção instrumental, seguindo para uma seção bem legal. Novamente a banda ingressa em um segmento mais suave antes de encerrar a faixa.  

“Hello Hello” é mais uma música em que é bastante válida a comparação com o início do Pink Floyd. Trata-se de uma peça alegre e divertida, que embora não possua o mesmo nível das demais, consegue se encaixar bem e não compromete o disco. Como destaque, há um ótimo solo de teclado “Asforteri”, com menos de dois minutos e meio é a faixa mais curta do disco. Mesmo muito curta é bem legal, possui muita percussão e alguns vocais arranjados em um tema musical excelente que parece crescer constantemente. Uma pena ser tão curta, pois consegue deixar aquele velho gostinho de quero mais.  

“Can't Be Long Now”, ao contrário da faixa anterior, com mais de catorze minutos, trata-se da faixa mais longa do disco. Começa muito suave e bonita. É uma peça bastante jazzística e muito em formato de balada. Podemos fazer comparações aqui com o Traffic.  A seção então cresce e a banda explode em um rock progressivo matador que faz alguns acenos à Emerson, Lake & Palmer, com solos incríveis, destacando o de teclado e o de saxofone. É incrível o quanto que essa música é bem desenvolvida e extremamente inspirada. A partir daí, tudo se transforma em uma jornada de rock progressivo mais puro. Após algumas voltas e reviravoltas no som a música regressa para uma linha mais jazz parecida novamente com o Traffic. Seus momentos mais pesados fazem com que o ouvinte imagine até mesmo o Black Sabbath. “Limits” é mais uma faixa curta do disco com pouco mais de um minuto. Uma peça prog folk bastante bonita e que encerra o disco. Só inverteria a ordem entre penúltima e última faixa, pois assim o disco chegaria ao fim de maneira bem mais poderosa.  

If I Could Do It All Over Again, I'd Do It All Over You é um disco cheio de humor, ótimas melodias vocais, trabalhos de órgão ricos, pastorais e fabulosos, linhas de guitarra sutis e seção rítmica propulsora. Se você é um fã de rock progressivo, não há motivo para você não ter esse disco, pois se trata de um registro essencial de uma banda essencial.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

If I Could Do It All Over Again, I'd Do It All Over You

Álbum disponível na discografia de: Caravan

Ano: 1970

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,75 - 2 votos

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