Resenha

Cosmic Light

Álbum de Eloy Fritsch

2020

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

14/04/2021



Entre o alegre, divertido e até dançante e o melancólico, taciturno e espacial

É impressionante como sempre podemos deixar passar por nós, bandas e/ou artistas que se encontram no mundo da música a décadas e – nesse casso específico - com mais de uma dezena de discos lançados. Apesar do nome Eloy Fritsch ser ainda uma novidade pra mim, ele já figura na história do progressivo nacional há mais de trinta anos. Sim, novidade pra mim, tendo o próprio músico entrado em contato comigo recentemente, para depois disso eu poder dizer que o conheço melhor – inclusive uma gafe de que obviamente eu não me orgulho.  

O castelo musical de Fritsch é construído em várias cores musicais diferentes, como música eletrônica, new age, experimental e música progressiva. De antemão eu tenho que deixar claro que não se trata exatamente do tipo de álbum que eu vou sempre escolher para ouvir, mas isso não me impede de enxergar qualidade quando estiver diante de uma obra que a carregue. Cosmic Light é o mais recente e 14º disco do músico.  

“Gravitational Force” possui uma forte ênfase em batidas eletrônicas que eu confesso não gostar muito. A atmosfera por cima das batidas eletrônicas é bem otimista e edificante, criando um início de álbum de tom alegre. “Physical Activity” começa através de um vocoder, mas o mais impressionante aqui foi eu me lembrar da introdução do disco Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water do Limp Bizkit – sei que isso parece uma loucura, inclusive eu acho que seja mesmo, mas não tive como deixar de mencionar – mesmo que cada um dos robôs estejam falando sobre assuntos completamente diferentes. Ao mesmo tempo em que são usadas várias camadas de sintetizadores, a peça possui uma batida de levada que tem um pé na disco music. O que teoricamente eu diria que não ficaria bom, visto na prática me deixou surpreso. Vale destacar também que se trata de uma música de mais de dez minutos, então tem que haver uma boa variação em sua base para que tudo não fique tedioso – algo que Eloy fez muito bem. 

“The Time Tunnel” é mais uma boa peça. Os primeiros trinta segundos são divertidos, mas a música depois muda um pouco sua direção acenando para uma ambientação menos colorida. A faixa regressa ao tema inicial antes de oferecer um som mais pomposo por alguns instantes. O maior destaque aqui certamente fica por conta do ótimo solo de sintetizador. “Spacetime” direciona o disco para um caminho diferente até o momento em termos de aura musical. Se até aqui o que tínhamos eram faixas nitidamente eletrônicas de caráter e sonoridade otimista, agora a música espacial se mostra mais presente, além de possuir uma linha mais sinfônica. Alguns rufos de bateria também ajudam no desenvolvimento desse que é um dos momentos de destaque do álbum.  

“Memories Of A Mysterious Dream” traz para o álbum uma atmosfera sombria, seja pelas notas de piano ou pelas simulações bem acentuadas de harpa e themerin – que ficaram muito boas por sinal. Mais uma peça de sonoridade bastante espacial, que conforme vai se desenvolvendo, sua harmonia cresce mais, a deixando com um final sinfônico. “Artificial Inteligence” é mais uma música com o tipo de batida que não me agrada muito – um eletrônico explícito demais. Também há novamente o uso de vocoder, mas dessa vez através de algumas incursões em diferentes partes faixa. Se na peça anterior o clima era meio sombrio, aqui as coisas funcionam de uma forma até mesmo dançante.  

“Droids” começa com algumas bonitas notas de sintetizadores tocadas com simplicidade, mas que vai ganhando mais camadas. Possui algo que eu achei que não chegaria a gostar no disco, mas as batidas aqui funcionam muito bem e cadenciam a faixa em um ritmo relaxante e sereno. “Secret Path” carrega com ela mais alguns dos momentos taciturnos do álbum. Algumas batidas bem acentuadas e sintetizadores penetrantes como se estivessem se aproximando e distanciando do ouvinte.  

Os poucos mais de quinze minutos restantes do álbum, são destinados para a faixa título e que foi dividida em três partes. “Cosmic Light – Part I”, como até o momento eu não disse o quanto existe influência em Vangelis nesse disco, acho que essa seja a hora. O melhor estava guardado para o fim. Sinfônica e emocional, se em algumas crenças religiosas as pessoas dizem que enxergamos uma luz antes de morrer, essa deveria ser a trilha sonora de fundo. “Cosmic Light – Part II” mantem as coisas igualmente belas. Tudo soa elegante e suave, mas dessa vez a harmonia atinge momentos mais sombrios através de linhas sinfônicas muito bem construídas. “Cosmic Light – Part III” é onde a jornada do disco termina. Das três partes é a menos inspirada, mas mesmo assim traz um bom desfecho para o álbum. Sintetizadores que parecem pincelar toda a cabeça do ouvinte – caso esteja com um bom fone - através de boas nuances até chegar a um final de disco de atmosfera edificante.  

O que Cosmic Light entrega ao ouvinte? Uma música por vezes alegre, divertida e até mesmo dançante, já em outros momentos, uma linha mais melancólica, taciturna e espacial – sendo esses momentos os que mais me agradaram no disco. Por não eu não me considerar exatamente um entusiasta da música eletrônica, Cosmic Light não é um álbum que eu vá usufruir sempre como um todo, porém, há pontos cruciais que sempre me farão voltar a colocá-lo pra tocar novamente.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Cosmic Light

Álbum disponível na discografia de: Eloy Fritsch

Ano: 2020

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,5 - 1 voto

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