Resenha

Vivid

Álbum de Living Colour

1988

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

11/04/2021



Groove e peso marcam a estreia do grupo

O quarteto americano Living Color foi formado na década de 80 pelo guitarrista Vernon Reid que na época era bem conhecido no circuito de jazz da cidade. 

Após algumas mudanças, a formação se estabilizou no ano de 1986 com Reid, o vocalista Corey Glover, o baixista Muzz Skillings e o baterista Will Calhoun. A estabilidade da formação também coincidiu com o direcionamento a ser adotado.

O experiente guitarrista e sua trupe vieram para quebrar vários paradigmas, pois além do quarteto ser formado exclusivamente por negros, seu hard rock era enriquecido com doses cavalares de Soul, funk, jazz, hip hop  e até mesmo pitadas de rock alternativo, algo impensável para a época, pois no final dos anos 80 o hard rock era dominado exclusivamente pelos brancos, e seguia uma vertente pré determinada por bandas como Bon Jovi, Def Lepard, Van Halen e etc...

Além da sonoridade muito mais diversa e plural, a banda também se diferenciava na composição das letras, que passavam longe dos clichês do estilo, abordando problemas sociais como o racismo e o estilo de vida da periferia americana como acontece em “Funny Vibe” onde Glover canta: “Não, eu não vou te roubar / não, eu não vou te matar...”, inspirada em uma situação  vivida por Vernon, quando encontrou uma senhora branca no elevador e esta imaginou que fosse ser atacada por ele.  

O mais interessante é que o Living Color conseguia fazer sua critica social na medida certa, sem indução político partidária ou extremismos desenfreados. Uma crítica eloquente bem direcionada, deixando uma mensagem de reflexão ao ouvinte mais atento como acontece em “Cult of Personality”, que abre o álbum e fala sobre a necessidade que a sociedade tem de idolatrar determinadas personalidades.

Quem adorou o frescor da mistura groveada e esquizoide do grupo foi o Stone Mick Hagger, que empolgado, assumiu a produção do álbum ao lado de Ed Stasium (Talking Heads, Ramones, Motorhead).

A sonoridade surpreende desde o inicio. Nunca tinha aparecido tanto groove e malemolência em um disco de rock, como pode ser visto na Hendrixiana “Desperate People”, ou na citada “Funny Vibe”, onde uma parede de guitarras pesadas na introdução é substituída por uma guitarra malandra no melhor estilo Jimmy Nolen (James Brown band);

“Glamour Boy” tem um swing refrescante e o baixo pulsante orientando toda canção. O peso das guitarras só aparece no refrão fazendo um contraponto interessante com a melodia. Tem a participação especial de Jagger nos vocais.  A performance do grupo lhe rendeu uma indicação ao Grammy por melhor canção. “Open Letter...” parece ter sido feita para destacar os vocais de Glover, que apresenta uma performance impecável em meio a mudanças de andamento e base sincopada; 

Vale mencionar ainda a hardona “Middle Man”, primeiro single do grupo, que mostra como Vernon conseguia balancear naturalmente peso e groove. E a cadenciada “Cult of Personality” que abre o álbum aliando guitarras pesadas e um excelente trabalho vocal.

O álbum foi lançando em maio de 1988 e mostrou que ainda havia novos caminhos a serem descobertos dentro do hard rock. O grupo foi convidado a participar da turnê “Stell Wheels” dos Rolling Stones, como banda de abertura ao lado do Guns N Roses, aumentando ainda mais sua popularidade.


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Sobre o álbum

Vivid

Álbum disponível na discografia de: Living Colour

Ano: 1988

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 4 votos

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