Resenha

Inventure

Álbum de Los Exploradores

2019

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

09/04/2021



Um álbum excelente e divertido, com produção e musicalidade de primeira linha

Los Exploradoras é uma banda norueguesa e de nome bastante sugestivo que explora uma vasta variedade de estilos. São ecléticos em uma linha progressiva instrumental de estilo bastante lúdico e de influências musicais de toda parte do mundo. Apesar do seu - até então - primeiro disco ter saído somente em 2019, a banda já estava junta desde cerca de 2011. O álbum consiste em apenas cinco faixas e possui duração curta para os padrões de hoje em dia, tendo pouco mais de trinta e cinco minutos. Mas nesse pequeno espaço a banda consegue apresentar com muita propriedade um trabalho lúdico e bastante cativante através de músicas que chamam a atenção do ouvinte rapidamente, mostrando com nitidez todos os instrumentos e utilizando de muitas influências da música progressiva, com direito a até mesmo algumas passagens mais pesadas variando ainda mais a sua música.  

O conceito encontrado no disco é solto, algo como uma homenagem as conquistas humanas ao longo da história, abordando até mesmo tempos pré-históricos. Apesar da grande variedade de estilos já mencionados, a música consegue se manter sempre muito coesa. Cada uma das faixas possui um gráfico no estilo de história em quadrinhos e que é associado a ela para ajudar a ilustrar o conceito principal de cada música individualmente. Mesmo assim, o álbum ainda fornece espaço suficiente para permitir que o ouvinte dê sua própria interpretação.  

“From Fish To Man” começa com algumas falas e um som de água, mas logo em seguida pula para uma sonoridade frenética com os instrumentos se organizando até entrar no tema que será o principal da faixa – com destaque para os trabalhos de improvisação de guitarra e teclado. É interessante perceber como a música se move muito bem entre o jazz e o rock, passando sempre por diferentes texturas e estilos. A batida segue permanecendo sempre otimista. Mesmo com solos elaborados a banda ainda consegue permitir que a música seja acessível. É uma ótima maneira de começar o disco e deixar claro o quão atraente é o álbum, tendo capacidade de entrar na graça tanto de ouvintes de música progressiva como de fusion.  

“Metroparis” possui uma batida moderada que atua muito bem como um pano de fundo para uma música bastante cativante. A atmosfera encontrada aqui é muito alegre e otimista. Primeiro são os sintetizadores que assumem o papel principal, depois acordes rítmicos de piano criam uma cama para algumas ótimas improvisações de violão. A guitarra então entra por uns instantes, seguida pelo órgão e um trabalho de bateria agora mais agressivo. A faixa nesse ponto já se encontra em uma linha muito progressiva. A música então regressa para uma linha mais suave novamente, tendo a guitarra como instrumento protagonista antes de chegar ao fim.  

“Genie Type A” tem o início um pouco mais pesado onde um sintetizador enérgico logo dá lugar para um piano mais ameno. A guitarra que vem em seguida repete o tema feito pelo piano anteriormente antes de emendar um bom solo que eleva a música. A estrada por onde a música mais percorre é o fusion, tornando mais pesada em alguns momentos, enquanto que em outros soa mais leve e alegre. Possui alguns estilos diferentes de guitarra, porém, mesmo que de maneira mais discreta, o trabalho de teclado às vezes aparece em primeiro plano para manter uma boa variedade sonora na faixa. O piano que encerra a peça é excelente.  

“Monkey Paw” começa com uma conversa retirada provavelmente de algum filme. A faixa então se vira para um riff empolgante e vibrante em que toda a banda contribui de maneira maravilhosa. Considero impossível que o ouvinte não seja agarrado por uma sensação rangtime dos velhos tempos. Possui algumas passagens progressivas intrincadas que somente deixam as coisas mais interessantes e cativantes ainda. Guitarras e teclados são bastante divertidos. Também vale mencionar o trabalho de bateria e baixo – principalmente este que possui linhas muito boas. Uma faixa extremamente empolgante do começo ao fim.  

“Evil Scientist” é a que o encerra o disco, se inicia mais calma e direciona o álbum para um caminho mais sereno. Começa com uma guitarra solitária, sendo em seguida acompanhada pelo restante da banda, o sintetizador estabelece um tema que é transmitido pela guitarra mais à frente. A música quase em sua totalidade se apresenta suave, exceto por algumas explosões de guitarra, que em alguns momentos a dominam, sendo apoiada por um órgão e piano. Por volta dos três minutos a atmosfera fica sombria e misteriosa. O efeito coral criado pelo sintetizador é excelente. A banda então retorna para uma instrumentação mais agitada e lúdica. Mais à frente, o piano segue um padrão de estilo rumba enquanto que algumas vozes aparecem ao fundo, a bateria começa a acompanhá-lo antes que todos os instrumentos entrem na mesma linha de rumba. O tema principal retorna, mas agora tudo é mais otimista. Um belo final de música e de álbum.  

Um álbum excelente e divertido, com produção e musicalidade de primeira linha. A banda é de um entrosamento incrível. Se você é uma pessoa que gosta de fusion e jazz-rock certamente não tem motivo algum de não considerar esse disco um item essencial, porém, sua música também é direcionada para amantes da música progressiva, instrumental e eclética. Definitivamente um álbum muito bem estruturado do começo ao fim.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Inventure

Álbum disponível na discografia de: Los Exploradores

Ano: 2019

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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