Resenha

Liquid Tension Experiment

Álbum de Liquid Tension Experiment

1998

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

17/03/2021



Pra quem procura um prog metal fervoroso, mas com tendências suaves e melódicas

Muito provavelmente que foi nas gravações deste disco que Mike Portnoy e John Petrucci viram que Jordan Rudess era O cara para assumir as teclas do Dream Theater – tanto que pouco tempo depois foi exatamente isso que aconteceu e ele segue até hoje no posto. Podemos dizer que se trata de um álbum principalmente improvisado e com momentos de lembram não apenas Dream Theater, mas King Crimson e Al Di Meola. Do início ao fim o álbum expõe a necessidade de Mike e John em tocarem mais rápido e pesado – e isso tanto é verdade que depois eles levariam essa pegada para o próprio Dream Theater.  

“"Paradigm Shift" começa de uma maneira tão efusiva que parece que a faixa pulou diretamente pata o seu meio. Aquele tipo de música que consegue chamar a atenção do ouvinte desde o seu primeiro segundo. Contém uma sonoridade influenciada pelo futuro Dream Theater – sei que isso soou meio estranho. Embora estejamos falando de uma peça de rock bem definida, a faixa contém algumas passagens bastante descontraídas focando principalmente na musicalidade de Levin e alguns bons recursos da bateria. Perto do final, vale ressaltar que a faixa tem uma passagem ao estilo oriental que é bem bonita. Sua conclusão é frenética. Na turnê do Train of Thought do Dream Theater a música era lembrada pela banda durante a execução da Instrumedley. “Osmosis” tem uma roupagem que remete um pouco a Al Di Meola. Uma faixa mais curta e mais simples, mas muito bonita.  

“Kindred Spirits” é uma peça bastante enérgica e de grande influência jazzística. De certa forma, nota-se novamente uma influência em Meola, mas há também um bom aceno para o Kansas – embora Meola realmente seja o nome principal. É possível notar uma grande positividade na sua atmosfera, além de algumas grandes inclinações em direção ao Dream Theater. “The Stretch” tem um baixo funkeado que assume a liderança e direciona muito bem a canção. Certamente a faixa no álbum com mais influência em King Crimson. 

"Freedom of Speech” começa com um bom trabalho de piano que faz com que a banda se coloque mais ou menos no modo Dream Theater – mesmo que na época o Jordan não fosse o dono das teclas do grupo. A música depois vai se cadenciando em mais um momento influenciado por Meola. Somente por volta do seu terceiro minuto que a faixa sofre de fato uma guinada para algumas direções mais fortemente influenciadas pelo jazz, além de umas excelentes camadas de piano. As linhas de baixo de Levin – como sempre - são um caso à parte. Sem a menor sombra de dúvida que estamos diante de um dos pontos mais altos deste disco. Vale ressaltar também alguns trabalhos de órgão de uma sonoridade clássica e notável. Possui uma conclusão muito bonita. “Chris and Kevin's Excellent Adventure” começa com um rufar de bateria. Uma peça curta e bastante peculiar com alguns assobios incomuns. Esta faixa as vezes lembra um pouco o período de Discipline do King Crimson.  

"State of Grace" começa primeiramente com um leve toque de piano solo, mas que logo tem a companhia de uma guitarra que eu poderia comparar a algo feito por Satriani - porém, vejo mais sentimento aqui. Contém alguns trabalhos muito bem feitos de teclado, incluindo um piano que compõe a conclusão da faixa. No geral uma música muito adorável. “Universal Mind” é mais uma faixa que o Dream Theater usou no seu Instrumedley. Uma peça bastante enérgica e que contrasta muito bem com a faixa anterior. Novamente, creio que amantes de Meola e Kansas possam notar lampejos de ambos na faixa. Uma música bastante forte. Um piano clássico no seu núcleo mostra uma influência em Rick Wakeman, onde logo em seguida dá início a um baixo funkeado. Não é exagero imaginar o Dream Theater tocando esta faixa como se fosse um material seu.  

“Three Minute Warning” com os seus mais de vinte e oito minutos divididos em cinco partes é quem encerra o álbum. Esta faixa foi grava ao vivo no estúdio em apenas uma tomada. Ela abre lentamente com um trabalho de bateria espaçado, guitarra viajante e baixo firme. Nota-se neste início uma clara influência no jazz. A música vai sempre aumentando tanto em complexidade quanto intensidade até que por volta dos sete minutos e meio há uma queda. Podemos notar algumas seções novamente influenciadas por King Crimson, atingindo em determinado ponto um verdadeiro caos antes de um ressurgimento instrumental triunfante como se fosse uma fênix renascendo das cinzas. Difícil entrar em cada detalhe da música, mas tenha uma certeza, “Three Minute Warning” consegue manter o ouvinte sempre em alerta através de suas muitas mudanças dramáticas e reviravoltas. Uma ótima conclusão para um álbum igualmente ótimo.   

Em resumo se trata de um ótimo disco que com o passar do tempo consegue permanecer fresco e novo. Um disco onde todos os quatro músicos envolvidos conseguem expor as suas capacidades técnicas no seu melhor. Dificilmente alguém que admire o metal progressivo não o tenha ouvido, mas se você se encontra nessa situação, não perca mais tempo.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Liquid Tension Experiment

Álbum disponível na discografia de: Liquid Tension Experiment

Ano: 1998

Tipo: CD/LP

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