Resenha

Queen II

Álbum de Queen

1974

CD/LP

Por: Fábio Arthur

Colaborador Especialista

08/03/2021



Império: A perfeição musical

Queen II, ele transcende entre a evolução musical, o Rock pesado, progressivo e audacioso. Fica anos luz do que seria feito no futuro, e deixa discos como "The Works" e "Kind of Magic" bem para trás, trazendo o fã para pensar o que houve com o grupo, vide tamanha desenvoltura aqui neste trabalho.

Thomas Baker e Roy Anthony produziram em comum acordo essa bolacha, e o som melhorou muito do debute para esse álbum. Gravado ao final de 1973, lançado em 1974, o grupo nesse disco trouxe uma qualidade vocal de Mercury incrível, inclusive no instrumental, vide May com sua técnica mais aflorada e com um punch que se perdeu ao longo dos anos, infelizmente. Roger e Deacon ajudaram e muito embalando no mesmo sentido dos dois da linha de frente.

Um fator bem curioso é que no lançamento nas prensagem inglesas, em um lado o A era descrito como White Side, pois as faixas eram em um contexto mais ameno e romantizado, já o segundo lado do LP vinha como Black Side, conforme o esperado o lado sequencial tinha o título por causa dos termos mais fortes e sombrios, e algo meio fantasioso. Genial!

Mick Rock fotografou o grupo e trouxe a fonte da banda com fundo negro, o que o Kiss faria na mesma época com seu auto intitulado. A banda, no caso o QUEEN, usou essa imagem ao longo dos anos em vídeos e edições. 

O disco não é bem aceito pelos não fãs e até mesmo alguns mais atenciosos não entendem a postura. Agora, já o público dos anos 80 não sabe nada sobre a obra - a maioria - por ficarem presos ao fadado momento "Radio Ga Ga", "I Want to Break Free", ou até mesmo em faixas antigas, porém mais radiofônicas, até mesmo por causa do filme sobre Mercury, canções como "Bohemian Rapsody" e "We Are the Champion", que já enjoaram devido a sua exposição maciça por conta da película. Algo como "Love of my Life" já vinha batendo na cabeça das pessoas desde o álbum "Queen Killers", enfim, acredito que aqui nós temos uma banda buscando um caminho, mas ela mesma não havia percebido que esse álbum era já algo bem inovador e forte, e que batia de frente com tantos outros de época.

E por causa da canção "Seven Seas of Rhye", único single do disco, a banda começou a vender e muito, já que antes a força era modesta, justo por se tratar de um grupo mais novo em época. "Father to Son" vinha do álbum de estreia, mas havia ficado de fora por falta de finalização, e outras já eram executadas ao vivo na turnê do debute, como "Ogre Battle". "Some Day One Day foi gravada por May e "The Looser in the End" por Taylor, mas todos se valeram do backing vocal.

 A banda não usava sintetizadores em época, mas operaram com amplificadores diferentes e May usou sua guitarra em equipamentos que deram uma fonte mais complexa ao som, modificando totalmente as notas e efeitos. Para Freddie tocar, o Hammond serviu bem, assim como o Cravo e um piano normal clássico na maioria do disco.

O título do disco causou brigas e como sempre Taylor foi o responsável, ele não queria o nome de QUEEN II, mas a banda queria para chamar a atenção do público. Taylor sempre disse que o título era sem um pingo de emoção ou criatividade, e no entanto foi esse que trouxe a banda a ser mais conhecida, passando em ser mais assertiva em produção de propagandas. 

Ainda sobre as faixas, em "White Queen" a banda traça uma junção entre o perfil Heavy do começo de década de setenta e mantém o lado Rock acústico de certa forma, já era um flerte, aliás esse disco traz uma pegada ótima de Metal nas cordas. "Nevermore" tem efeitos e complementos de voz, soando muito bem entre o fim de uma faixa e o começo dela. "The March of the Black Queen" traz a fonte de andamentos 8/8 e também 12/8 e acaba sendo bem interessante dentro do repertório. Richard Dadd pintou a obra "The Fairy Feller's Master - Stroke" e que foi inspiração para nome da canção. A castanhola foi gravada pelo produtor John e a canção flui assim como outras em algo até meio medieval.

Um disco bem confortável, totalmente dotado de valores ótimos e mantém como um dos pontos excelentes da carreira do grupo, realmente bem inovador e muito gostoso de ouvir, sem soar enjoativo. 

Vale conferir.


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Sobre Fábio Arthur

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 04/02/2018

"Obtive meu primeiro contato com o Rock, com o grupo KISS no final de 1983, após essa fase, comecei a me interessar por outros grupos, como Iron Maiden, do qual ganhei meu primeiro vinil o "Killers" e enfim, adquiri o gosto por outras bandas, como Pink Floyd, John Coltrane, AC/DC entre outras."

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Sobre o álbum

Queen II

Álbum disponível na discografia de: Queen

Ano: 1974

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,33 - 12 votos

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