Resenha

Dream Theater

Álbum de Dream Theater

2013

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

07/03/2021



Simplesmente Dream Theater!

Após a traumática saída de Mike Portnoy, o grupo realizou audições para contratar um novo baterista e a “escolha” recaiu sobre Mike Mangini (óbvio que ele já era o escolhido, mas o grupo resolveu criar um reality show para se autopromover). 

Com o novo integrante, veio a tona o bom “A Dramatic Turn of Events”. Porém o disco carregou o peso de provar que o grupo poderia seguir sem o carismático Portnoy, além do fato do trabalho não contar com o envolvimento de Mangini, uma vez que o guitarrista John Petrucci compôs todas as linhas do instrumento em estúdio através de programação de bateria.

Durante a turnê de “Dramatic...”, ainda na estrada, a banda pensava em seu próximo álbum, criando novas ideias nas longas jams do grupo durante a passagem de som. Petrucci gravava os temas e separava trechos para serem usadas posteriormente.

Em janeiro de 2013, a banda entrou nos  Cove City Sound Studios, em Nova York, sob o comando do próprio guitarrista, encarregado de produzir o novo trabalho. Toda a banda se envolveu na parte musical, elaborando e refinando os temas apresentados. Somente as letras ficaram em sua maioria a cargo de Petrucci, com algumas colaborações.

O certo é que o novo integrante trouxe mais dinamismo e vitalidade ao restante da banda. Petrucci assumiu naturalmente a posição de líder e o tecladista Jordan Rudess está ainda mais presente, auxiliando nos arranjos e criações. Até mesmo o baixista Myung que estava “apagado”, aparece mais dinâmico, contribuindo inclusive com  criação de letras para os temas.

Após a boa aceitação por parte de critica é publico, o grupo entrou em estúdio mais relaxado. Mangini aparece mais solto e mais integrado ao grupo. É inegável que o baterista é mais técnico que seu antecessor, embora isso não seja necessariamente uma vantagem. Apesar da técnica rebuscada apresentada pelo músico, lhe falta certo carisma, coisa que Portnoy tinha de sobra. 

Essa tranquilidade se refletiu em todo o trabalho de criação, e o Dream Theater nos apresenta uma evolução natural dentro de sua sonoridade. Não traz nenhuma novidade exuberante, mas um refinamento de uma sonoridade já apresentada anteriormente. O comprometimento maior de Rudess realmente ajudou nessa evolução. Os teclados estão ainda mais presentes, fazendo um contraponto maior com a guitarra do líder e enriquecendo a melódica e harmonicamente o álbum.

Com exceção da suíte que encerra o álbum, os temas estão mais diretos, dinâmicos, mas nem por isso menos intrincados, apresentando um grupo que, se não ousa em buscar novos caminhos, pelo menos se preocupa em evoluir.

Após a introdução com cinematográfica de “False Awakening Suite”, o grupo emenda “The Enemy Inside”, que se tornou o primeiro single. É um tema vigoroso, comandado pela guitarra de John. Os teclados de Jordan são essenciais para que o tema não caia no heavy metal comum; “The Looking Glass” é um hard rock influenciado pelo Rush de “Permanent Waves” ou “Moving Pictures”;

“Enigma Machine” é a instrumental rebuscada que o grupo estava devendo há alguns anos. Mostra que em termos técnicos o grupo continua afiado, com destaque para o “novo” baterista Mangini; “The Bigger Picture” é bela e melódica; 

“Behind the Veil” é totalmente orientada pelo riff de guitarra e tem uma introdução progressiva na linha do Pink Floyd;  A faixa seguinte,  “Surrender to Reason” com suas variações rítmicas, passagens complexas e letra meio soturna composta pelo baixista Myung, se tornou uma das minhas favoritas do disco;“Along For The Ride” é uma daquelas indefectíveis baladas sempre presentes nos álbuns do grupo. Se não chega a acrescentar alguma coisa no contexto musical do disco, pelo menos não atrapalha; 

Por fim, temos a suíte “Illumination Theory”, com mais de vinte minutos aliando peso, melodia vigor e dinamismo. É um trabalho épico, dividido em cinco partes com uma riqueza harmônica impressionante. Petrucci usa sua guitarra de sete cordas para criar uma base eficiente e a cozinha se mostra coesa e criativa. LaBrie canta de maneira mais despojada, sem alongar tanto as notas durante os versos (uma mania que sempre me irritou quando usado em demasia). Não é exagero dizer que está é uma das melhores composições do grupo.

“Dream Theater”, o álbum, é a ratificação da competência e evolução da banda, que conseguiu se desvencilhar da imagem do carismático Portnoy e seguir em constante evolução. 



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Sobre o álbum

Dream Theater

Álbum disponível na discografia de: Dream Theater

Ano: 2013

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,45 - 11 votos

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