Resenha

Condition Human

Álbum de Queensryche

2015

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

06/03/2021



Um clássico do novo milênio

Após brigas e divergências o Queensryche se separa de seu vocalista original Geoff Tate e os membros remanescente seguem em frente recrutando Todd La Torre para assumir os vocais. O Grupo inicia uma nova fase lançando um álbum autointitulado em 2013. É inegável a qualidade do álbum e a tentativa do grupo de voltar às raízes musicais após alguns equívocos anteriores, mas a saída traumática do vocalista após mais de três décadas e as disputas judiciais influenciaram no resultado final. 

Em 2015 o grupo estava mais reestruturado, livre de disputas judiciais e com o vocalista La Torre mais integrado a banda. Então começaram a preparar um novo álbum de estúdio.

A banda começou a compor ainda na estrada, geralmente em duplas ou trios, e com o intuito de que todas as músicas tivessem qualidade acima do normal, evitando canções que contribuíssem apenas para aumentar o tempo do álbum.

O guitarrista Michael Wilton e o baterista Scott Rockenfield  tinham grandes ideias que não foram usadas na década anterior por decisão arbitraria do ex-vocalista Tate e resolveram trazer a tona alguns desses temas sob uma ótica mais renovada e atual. 

Com este espírito, o grupo entrou no Uberbeatz Studios, em Lynnwood, Washington , EUA, acompanhados pelo produtor Chris “Zeus” Harris. O resultado é um álbum pesado, melódico, sólido e com certeza o melhor disco do grupo desde “Promisse Land” de 1994!

O timbre de La Torre é similar ao seu sucessor, mas é inegável sua dedicação e força de vontade em apresentar um estilo próprio. A cozinha Rockenfield / Jackson sempre soou coesa, mas está mais dinâmica, integrada, e as guitarras voltaram a se complementar, soando em uníssono como nos velhos tempos. Wilton trouxe para si a responsabilidade de resgatar o velho estilo da banda, conseguindo  fazer com que Lundgren entendesse a antiga dinâmica das guitarras. 

O “novo” Queensryche já mostra a que veio em “Arrow of Time”, faixa de abertura e primeiro single do grupo: Guitarras solando em harmonia antes do vocal enérgico entrar cantando em cima do riff. Peso e melodia voltam a se complementar; A faixa seguinte, “Guardian” é uma grata surpresa, pois me lembra os antigos temas do grupo calcados na bateria de Scott, que comanda o tema junto com os vocais. Ela possui um refrão mais arrastado que ficou perfeito como anticlímax;

“Hellfire” tem uma introdução mais progressiva e um andamento mais cadenciado. Na verdade, essa canção se chamava “Hollow”, escrita há muito tempo pelo guitarrista Wilton como um tema promocional, tendo sido reestruturada para o disco. Seu solo, segundo o próprio guitarrista, foi feito na base do improviso, como uma Jam session, dentro do estúdio;

Outros destaques interessantes: “All There Was”, tema dinâmico e pesado,  com letra tratando do suicídio do pai do vocalista Todd, o médico Willian La Torre;  “Bulletproof”, uma das mais progressivas, com performance impecável de La Torre e acompanhamento de orquestra;

“Eye9”, composição de Eddie Jackson, que não por acaso, traz aquele baixo encorpado na introdução, várias mudanças de andamento e guitarras bem timbradas solando juntas; E ainda a  faixa titulo, que encerra o álbum  de maneira épica. Um daqueles temas que todos os fãs do grupo esperavam ansiosos. Um fato curioso é que ela começou curta, com apenas três minutos, composta por Wilton. Todd escreveu a letra, desenvolveram o tema e encaixaram a parte final de uma outra composição, escrita pelo guitarrista Peter Lundgren. Ela poderia fazer parte do clássico “Operation Mindcrime”, tamanha sua grandiloquência; 

“Human Ccondition” apresenta uma banda renovada, soando novamente como uma unidade sonora, aliando peso, técnica, melodia e ótimas composições. Faz jus em estar ao lado de qualquer clássico da banda. 



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Sobre o álbum

Condition Human

Álbum disponível na discografia de: Queensryche

Ano: 2015

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,83 - 6 votos

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