Resenha

Paradox Hotel

Álbum de The Flower Kings

2006

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

02/03/2021



Pode até ser menos aventureiro, mas ainda assim, um The Flower Kings clássico

Todas as vezes em que o assunto é The Flower Kings, sempre vejo pessoas com pensamento de que podemos ficar certo de que há material excelente no disco, mas por serem no geral muito longos – duplos em muitos casos -, também existe uma grande possibilidade de existir outra quantidade com músicas que se ficassem de fora não mudaria nada e ainda faria o álbum soar menos cansativo. Particularmente, não questiono esse tipo de pensamento, mas conhecendo a banda a tanto tempo, seus discos longos não me incomodam mais, muito pelo contrário, acho uma marca registrada e tanto de um dos baluartes do rock progressivo moderno. Paradox Hotel é mais uma prova de que por mais que seja em uma frequência menor, um disco de quase 130 minutos pode ser ouvido do começo ao fim – mesmo com alguns filers – sem problema algum.  
 
CD1: 
 
“Check In” abre o disco com pouco mais de um minuto e meio de uma maneira que eu não sei até que ponto é necessário, porém, o que temos aqui é basicamente uma contagem regressiva excêntrica. “Monsters & Men” além de ser um épico de mais de vinte minutos, também é a faixa mais incrível do álbum. Excepcionalmente bem arranjada, possui uma introdução adorável ao piano antes que entre uma guitarra de certa forma violenta que conduz o resto da banda. Os vocais de Froberg são bastante fortes enquanto que ele canta aquela que certamente é uma das letras mais atraentes da banda. Depois de uma seção instrumental bastante emocionante é a vez de Stolt tratar muito bem os ouvintes com sua performance vocal mais sincera. Seguindo com um ótimo órgão de igreja, um excelente movimento segue, permitindo que Stolt mostre suas proezas na guitarra. A música no geral consegue combinar passagens comoventes com algumas mais complexas sempre muito bem direcionada. 
 
“Jealousy” flui perfeitamente a partir do piano da faixa anterior, Bodin toca de maneira esparsa, mas adorável. O falsete de Stolt aqui também está muito bom. “Hit Me With A Hit” tem uma boa combinação de rock progressivo mais pesado e alguns toques jazzísticos. O refrão é excelente e considero inclusive um dos pontos mais memoráveis do álbum. Os vocais de Froberg estão ótimos. 
 
“Pioneers Of Aviation” é a primeira faixa instrumental do disco. Cheia de órgão de igreja, sintetizador e guitarra de extremo bom gosto. Após os seus dois primeiros minutos ela evolui para algo completamente diferente, com guitarras redondas e sons atmosféricos. Ainda que não seja a melhor faixa instrumental, certamente há muito o que se aproveitar aqui. O órgão de igreja no final é fabuloso.  
 
“Lucy Had A Dream” faz com que entremos justamente dentro daquilo que pode muitas vezes acontecer em discos muito longos, ou seja, momentos esquecíveis. Não apenas os vocais, mas a música é toda estranha e digna de pulo todas as vezes que for ouvir este álbum. “Bavarian Skies” não chega a ser desnecessária tanto quanto a faixa anterior, mas também não consegue agregar muito ao disco.  
 
“Selfconsuming Fire” coloca novamente o disco nos eixos, digamos assim. Possui um belíssimo violão clássico no início. No decorrer ainda podemos nos deparar com um trabalho adorável de mellotron, além de vocais que funcionam muito bem. “Mommy Leave The Light On”  apesar de começar com uma guitarra muito adorável, se trata de mais uma música que se não tivesse no álbum, não faria tanta diferença. Outro ponto a ser citado é o fato de Stolt ter tentado cantar uma letra perturbadora através da sua voz trêmula e que não encaixou legal.  
 
“End On A High Note” é a penúltima música do primeiro disco e fecha a primeira metade do álbum maravilhosamente bem. Lindo trabalho de violão e guitarra com um sintetizador assobiando apresentam o ouvinte ao tema principal. Esta pode com toda a certeza ser uma das músicas mais cativantes de toda a carreira da banda. Bodin através das teclas faz alguns solos selvagens que agregam muito no clima da faixa. Simplesmente lindíssima.  
 
CD2: 
 
“Minor Giant Steps” inicia o segundo disco através de algumas notas de guitarra e um sintetizador excelente. Esta faixa é muito boa em todos os sentidos, sendo uma das minhas favoritas de todo o catálogo da banda. Possui alguns dos melhores solos de teclado de Bodin, além de um excelente trabalho de guitarra. A princípio eu não havia gostado muito das inúmeras melodias vocais encontradas em abundância por toda a parte, mas com o tempo isso mudou.  
 
“Touch My Heaven” é mais uma música de sonoridade bastante branda, com uma bateria abafada e vocais que considero meio exagerados. Tenho que concordar que as ideias na guitarra são emocionantes – principalmente o solo -, mas por outro lado, acaba não tendo muito impacto em uma faixa que apesar de não ser ruim, não diz muito o que faz no disco.  “The Unorthodox Dancinglesson” é mais uma faixa instrumental do disco e que pra mim consegue soar mais interessante ainda do que “Pioneers Of Aviation”, mesmo possuindo alguns ruídos estranho nada convencionais.  
 
“Man Of The World” com certeza é mais uma das faixas que representam um dos melhores momentos do disco. Apresenta melodias e estruturas incríveis. Vale mencionar que Jonas Reingold com o seu baixo é quem tem alguns momentos de brilho através de um groove muito bem estabelecido. Possui um refrão muito interessante também. “Life Will Kill You” começa com alguns efeitos panning meio desorientados, mas logo a guitarra entra e transforma a música em algo inicialmente atraente, mas na hora dos primeiros versos eles soam meio estranhos. Com o decorrer isso deixa de ser um problema e os vocais rock and roll de Froberd acabam sendo uma manobra corajosa que deu certo.  
 
“The Way The Waters Are Moving” apresenta uma linha de piano inspiradora que combinou perfeitamente com a voz trêmula de Stolt, formando em conjunto uma música pensativa em seu resultado final. “What If God Is Alone” é mais um dos momentos fortes do álbum, muito bem construída gradualmente e de letras intrigantes. Como um todo, talvez ela demore a pegar o ouvinte, mas ao menos o seu solo final é maravilhoso e consegue encantar logo de primeira.  
 
“Paradox Hotel” é onde a banda decide abandonar o seu lado musical em que as coisas acontecem de forma mais fluida e decidem produzir um rock mais direto. Acho que essa música seria ótima para o Alice in Chains, mas curiosamente apesar de serem duas bandas tão diferentes, também fica boa para o The Flower Kings. Traz riffs pesados, vocais fortes e um refrão cativante.  
 
“Blue Planet” fecha o disco muito bem através de uma revisita maravilhosa ao épico de abertura. Porém, ela possui o seu próprio sabor. Desta forma podemos dizer que se trata da conclusão perfeita após uma longa jornada musical. O refrão desta faixa é simplesmente mágico. Possuindo tudo o que podemos esperar da banda, tem como destaque um trabalho de guitarra maravilhoso, extenso e que conduz a faixa por minutos, além de teclas cativante. Seus últimos dois minutos confesso que é desnecessário, sendo apenas o que parece ser um astronauta descrevendo a Terra do espaço.  
 
Não se trata de um disco excelente do começo ao fim, mas os acertos são infinitamente superiores aos erros – como todos os álbuns da banda costumam ser. No geral é mais um disco de ótima musicalidade de uma das mais representativas bandas do rock progressivo moderno. O caminho é longo – como já dito, são mais de 130 minutos -, mas deve ser percorrido algumas vezes, com paciência e mente aberta para assim absorver sua música na sua forma mais plena. Paradox Hotel pode até ser menos aventureiro, mas ainda assim, um The Flower Kings clássico.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Paradox Hotel

Álbum disponível na discografia de: The Flower Kings

Ano: 2006

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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