Resenha

From Within

Álbum de Anekdoten

1999

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

28/02/2021



Para pessoas que gostam de um rock mais atmosférico, sombrio e obscuro

Anekdoten é sem menor dúvida a mais sombria e menos otimista entre todo o catálogo – que não é nada pequeno - de bandas que conheço e aprecio. Porém, ao contrário da maioria das bandas que decidem caminhar pelas vielas da música depressiva, aqui a sensação de desespero e solidão é alcançada com um pouco mais de luz, digamos assim. Anekdoten não faz uma música simplesmente sedada, repetitiva e narcoléptica, mas de uma forma mais “regular” – nem sei se exatamente seria essa a palavra –, sendo tocada nas notas mais graves, apenas com as notas e ruídos mínimos exigidos, em uma definição curta, enfim, uma música feita com delicadeza. 

“From Within” já começa o disco em alto nível. Inicia-se com um rufar implacável de bateria e então um riff frenético de guitarra também se desenrola na faixa, tudo parece vir de uma mente insana. O clima fica ainda mais atmosférico com a chegada do piano e da voz meio embriagada. O que segue é uma música bastante sombria e muito sinistra com um rufar constante de tambores que ajuda a dar ao ouvinte a ideia de uma pessoa mentalmente descarrilada. Começo de disco excelente. 

“Kiss Of Life” começa bastante enérgica. As teclas conseguem dar a faixa uma atmosfera bastante poderosa, enquanto que o vocal faz um trabalho lindíssimo. Um dos meus momentos favoritos do álbum e se trata de uma música tão desolada quanto qualquer outra, mas também mostra que mesmo no esquecimento você pode tentar lutar – ainda que na própria música seja dito que é inútil, pois no final das contas é uma causa perdida. 

“Groundbound” é uma faixa que parece ainda mais com King Crimson, carregando com ela uma espécie de humor erótico – sem deixar de soar deprimente. Á música soa como uma espécie de narcótico que ataca os seus ouvidos e depois o seu cérebro. Apesar de não ser excelente é uma boa música. Possui uma seção intermediária que apesar de encaixar bem na faixa, acaba soando barulhenta demais pra mim. 

“Hole” é sem dúvida alguma a melhor música do álbum. Começa através de uma explosão musical bastante melancólica, pessimista e depressiva. Então que a faixa cai para uma atmosfera totalmente nebulosa e de ritmo lento, onde a aura ao seu redor parece querer nos levar a uma espécie de futuro sórdido e mórbido que nos espera. Dentro do seu núcleo temos uma seção minimalista e silenciosa, porém, ainda cheia de emoção. Este “descanso” serve como uma espécie de calmaria que precede uma destruição total, sendo que os sons vão sendo acrescentados lentamente à música até que a melodia do início volta com toda a sua perfeição depressiva. Dentro do universo da música obscura, não podemos defini-la como nada menos do que obra-prima. Mas apesar disso, a música não é obscura de uma forma maldosa e pejorativa, mas obscura por ilustrar uma alma perdida e de espirito desamparado. 

“Slow Fire” tem um começo bastante pesado, beirando a sonoridade metálica. A maneira como a banda representa aqui a obscuridade em um tipo mais maligno, perigoso e até mesmo demoníaco é incrível. Em alguns momentos eu sinto certa semelhança com o Radiohead - só que sem ser cansativo. No fim é uma ótima faixa. 

“Firefly” é mais uma música de atmosfera sombria, porém, soa menos retrô do que o restante do álbum – exceto pela sua produção. Confesso que ela é a música menos interessante do disco, pois a acho um pouco repetitiva. Não é ruim, mas acaba ficando apagada em meio a tantas faixas excelentes. 

“The Sun Absolute” é uma música igualmente sombria ao que estava acontecendo até agora, mas mais enérgica. A linha de baixo é algo tão persistente que confesso que pode chegar a irritar em alguns momentos. Os teclados como sempre conseguem fazer um trabalho que adiciona elegância à atmosfera, porém, sem jamais perder a obscuridade. Uma ótima música instrumental, sem solos ou seções intrincadas, apenas uma excelente atmosfera alcançada através de uma incrível experiência sonora. 

“For Someone” fecha o disco muito bem através de uma balada acústica. Os vocais cantam em tom de lamentos sobre violão e teclas de melodias cheia de tristeza. Um breve final de disco que soa nostálgico e sombrio, mas sem deixar de ser inspirador. 

No geral é um disco excelente, recomendado – como tudo da banda – para pessoas que gostam de um rock mais atmosférico, sombrio e obscuro principalmente para quem tem boa convivência com a música do King Crimson. Não recomendado para quem está atrás de virtuosismo ou demonstração técnica; e, principalmente, pessoas que buscam música para levantar o seu ânimo.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

From Within

Álbum disponível na discografia de: Anekdoten

Ano: 1999

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 2 votos

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