Resenha

Genesis Revisited : Live at The Royal Albert Hall

Álbum de Steve Hackett

2014

CD/LP ao Vivo

Por: Expedito Santana

Colaborador

17/02/2021



Uma espécie de coletânea “ao vivo” de músicas da fase progressiva do Genesis

Sempre apreciei muito as coletâneas e os discos ao vivo, as primeiras por conseguirem reunir geralmente (pois há exceções) a nata da sonoridade de uma banda, enquanto os registros de shows por sua vez são excelentes na captação da energia (às vezes, pois nem sempre isso ocorre) de uma banda. Não que o Genesis precise de uma coletânea de sua fase progressiva, uma vez que em muitos casos os discos conceituais só fazem sentido se escutados integralmente e também por que tais registros são tão bons que quase não há deslizes e, por consequência, raríssimas músicas puláveis. No entanto, há que se considerar que a banda não possui exemplar em seu catálogo que reúna de maneira tão bem selecionada, qualitativa e quantitativa, inúmeros sucessos prog em uma bolacha só como esse aqui. Genesis Live (1973), que, inclusive, tenho em vinil, é bom, mas muito curtinho, enquanto Seconds Outs (1977) falta muita coisa. Já outros discos ao vivo, até mesmo alguns não oficiais e bootlegs, incluem faixas do período pop. Se falhei na pesquisa, alguém aí me dá uma dica, please!    

Fiz esta breve introdução acima (talvez um pouco longa demais), para explicar justamente a importância e serventia que esse registro do mestre Steve Hackett tem pra mim. O álbum foi originado da Turnê Genesis Revisited, na qual, como o próprio nome denuncia, ele toca músicas (no geral hits) da sua ex-banda. Na verdade, “Genesis Revisited: Live at The Royal Albert Hall” de 2014, possui praticamente o mesmo setlist do álbum “Genesis Revisited: Live At Hammersmith”, de 2013. De qualquer forma, ele é uma ótima oportunidade para deliciar-se com grandes canções progressivas do Genesis, tocadas por uma excelente banda, com ótimas participações e sob a batuta de ninguém menos que o próprio Steve Hackett, um dos maiores guitarristas da história, cuja influência vai muito além do rock e a quem o Genesis deve uma considerável parte da genialidade presente nos discos da sua fase progressiva.   

Não comentarei faixa a faixa, logicamente, mas destacarei algumas do disco, cujo setlist baseia-se somente nos álbuns em que Steve esteve na banda: “Nursery Cryme” (faixas 6, 7 e 15); “Foxtrot” (faixas 8, 16 e 17), “Selling England By The Pound” (faixas 2, 12, 13); “The Lamb Lies Down on Broadway” (faixas 3, 4, 5); “A Trick of the Tail” (faixas 1, 14 e 18) e; “Wind & Wuthering” (faixas 9, 10 e 11).
   
“Dancing With the Moonlit Knight” me dá arrepios até hoje, a entrada vocal, os teclados e logo após a guitarra maravilhosa que fico lembrando sempre após o término da música (ahh... que sonho!), “The Carpet Crawlers” tem a participação de Ray Wilson, não tente comparar com Gabriel, apenas curta essa sensacional faixa que vai crescendo a cada nota e hipnotiza qualquer um. Em “The Return of the Giant Hogweed” Roine Stolt colabora com as guitarras e a versão fica bem legal. Em “The Musical Box”, que pra mim é uma das melhores canções do Genesis, o chão se abre e as guitarras conduzem a uma viagem maravilhosa e indescritível. “Afterglow” é outra ótima peça do Genesis, enquanto o incrível épico que ajudou a definir o conceito de rock progressivo, “Firth of Fifth”, tem John Wetton nos vocais e um instrumental impecável, e tem quer ser mesmo, pois a melodia dessa música carrega a perfeição e fluidez. Hackett parte meu coração toda vez que toca a sua guitarra aqui. A versão de “Ripples” fica ótima na voz delicada de Amanda Lehmann e “The Fountain of Salmacis” aparece balançante, sinuosa e macia como sempre. O que dizer então da mais longa suíte da banda, “Supper's Ready”, que continua massageando “minh`alma” e segue executada aqui com primor (que começo inesquecível, quase sonho acordado!!). “Watcher of the Skies” me deixa em estado de contemplação por culpa de seus teclados majestosos. Como nem tudo é perfeito, sei que alguns vão reclamar: aqui não “The Knife”. Sim, não tem, paciência!   

Enfim, como disse antes, esse álbum ao vivo de Hackett abre uma porta para uma olhadela privilegiada num horizonte belíssimo do estupendo Genesis, com a certeza de que tudo aqui fará sentido para o fã. Garanto, inclusive, que o deleite será incomensurável e a saudade certamente vai dar uma ligeira folga. Mas se prefere ouvir direto da fonte e de estúdio, sem problemas, desde que nunca se esqueça que foi por meio dessas faixas que o Genesis construiu um dos capítulos mais bonitos da história do rock progressivo.  


Songs / Tracks Listing
1. Dance on a Volcano
2. Dancing With the Moonlit Knight
3. Fly on a Windshield
4. Broadway Melody of 1974 (Vocals: Gary O'Toole)
5. The Carpet Crawlers (with Ray Wilson)
6. The Return of the Giant Hogweed (with Roine Stolt)
7. The Musical Box
8. Horizons
9. Unquiet Slumbers for the Sleepers...
10....In That Quiet Earth
11.Afterglow
12.I Know What I Like (In Your Wardrobe) (with Ray Wilson)
13.Firth of Fifth (with John Wetton)
14.Ripples (with Amanda Lehmann)
15.The Fountain of Salmacis
16.Supper's Ready
Encore:
17.Watcher of the Skies
18.Los Endos

Line-up / Musicians
- Steve Hackett / guitar, vocals
- Roger King / keyboards
- Gary O'toole / drums, percussion, vocals
- Rob Townsend / sax, flute and percussion
- Lee Pomeroy / bass
- Nad Sylvan / vocals

Special guests
- John Wetton / vocals
- Amanda Lehmann / vocals
- Ray Wilson / vocals
- Roine Stolt / guitar


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Sobre Expedito Santana

Nível: Colaborador

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"Sou um fã de música inveterado, principalmente de rock and roll, daqueles que podem ficar dias e dias imerso em discografias sem se preocupar com o mundo lá fora. Meu gosto é bastante eclético dentro do gênero rock, curto progressivo, hard, metal, alternativo etc."

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Sobre o álbum

Genesis Revisited : Live at The Royal Albert Hall

Álbum disponível na discografia de: Steve Hackett

Ano: 2014

Tipo: CD/LP ao Vivo

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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