Resenha

The Absolute Universe: Forevermore

Álbum de Transatlantic

2021

CD/LP

Por: José Esteves

Colaborador Especial

11/02/2021



Candidato a Prog do Ano

Esperar regularidade de um super grupo é sempre difícil, considerando que cada um dos membros do Translatlantic tem outras bandas e outras obrigações para cumprir. Seis anos depois do lançamento do quarto álbum, o Transatlantic lança três versões de um mesmo projeto: uma versão resumida chamada “The Breath of Life”, uma versão extendida chamada “Forevermore” e uma espécie de mistura dos dois, com apenas seis minutos a mais do que a versão extendida. O disco havia sido escrito em Setembro de 2019, mas por conta da ideia da divisão em duas versões diferentes, o lançamento é empurrado até 2021, sendo incrivelmente bem recebido pela crítica especializada.

Instrumentalmente, é um disco sem falhas. A bateria de Mike Portnoy, ora seguindo uma métrica mais convencional ora ritmando as músicas em tempos randômicos, criam um cenário perfeito para o florescimento de um rock progressivo mágico. Para completar, o baixo de Pete Trewavas é perfeito, todas as linhas que ele faz no álbum são merecedoras de atenção, ele é o instrumentista que melhor age no álbum e todo o seu baixo é incrível. Por cima, o teclado de Neal Morse é ótimo em elaborar essa atmosfera espacial, com harmonias muito bonitas e arpeggios fantásticos que fundamentam aquela sensação de estar vendo um filme de ficção cientifica; e a guitarra de Roine Stolt é um espetáculo a parte, com solos de guitarra fenomenais e riffs que complementam o teclado de forma excelente. Se vocais fossem importantes para um álbum desse tipo, talvez o vocal fosse um defeito, mas não sendo intrusivo, acaba não detratando da experiência como um todo.

Por ser um disco conceitual bem característico da década de 70, as faixas acabam se juntando de uma forma coesa, o que atrapalha um pouco na análise faixa a faixa. Mas uma coisa é certa: o primeiro disco é infalível: desde a introdução, conduzindo tudo de forma magnânima com os teclados, passando pela inspirada no Yes “Higher than the Morning”, pegando um pouco de soul com “The Darkness in the Light”, um pouco de pop com “Swing High Swing Low”, fechando com “The World We Used to Know” com ótimos solos de guitarra… o primeiro disco não tem pontos baixos. O segundo não ficou tão interessante quanto o primeiro: ele parece ter se pegado mais numa narrativa, que não era muito uma obstrução no primeiro disco, e travou um pouco com ela. Mesmo com as harmonias de vocal bonitas em “The Sun Comes Up Today”, algumas faixas ficaram um pouco pop demais (“Love Made a Way”) ou world demais (“Belong”), mas o disco se perde um pouco no segundo disco, quanto a composição. Nada disso muda a qualidade dos instrumentistas durante o processo: mesmo com faixas um pouco mais cansativas, a instrumentação é fantástica, mesmo que pareça as vezes a trilha sonora de um jogo de terror fofinho de nintendo 64 (“Owl Howl”).

A melhor faixa do álbum é a mais alegre do disco, “Rainbow Sky”. Se o disco for todo comparado a uma obra como Out of the Blue do Electric Light Orchestra, essa faixa seria o Mr. Blue Sky do álbum. Não só porque está no meio de várias faixas mais deprimidas (considerando que o conceito do álbum lida com “a situação do mundo moderno”, a faixa seguinte “Looking for the Light” é uma onda de pessimismo e negatividade), mas porque ela é de uma felicidade que chega a descompensar o resto do álbum. Existe um que de otimismo na faixa que foi capturada espertamente no baixo e na guitarra, que ainda trabalham de forma excepcional. Ainda mais que parece que a guitarra não se importa muito com a base, fazendo essas melodias nos solos que não se encaixam 100% bem, fazendo aquela dissonância gostosa de rock progressivo.


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Sobre José Esteves

Nível: Colaborador Especial

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"Eu gosto muito de rock clássico e tenho um blog de resenhas minhas em disconomicon.wordpress.com. Minhas bandas preferidas são Deep Purple, Queen, Beatles e Pink Floyd e tento também ouvir o que está mudando o cenário nos dias de hoje."

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Sobre o álbum

The Absolute Universe: Forevermore

Álbum disponível na discografia de: Transatlantic

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,75 - 2 votos

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  • 09
    fev, 2021

    Nada é tão incrível que não possa melhorar

    User Photo Tiago Meneses

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