Resenha

The Absolute Universe: Forevermore

Álbum de Transatlantic

2021

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

09/02/2021



Nada é tão incrível que não possa melhorar

Quando recebi as duas versões de The Absolute Universe para ouvir, algo estava me dizendo que a versão de apenas um disco, chamada de The Breath of Life deveria ser escutada primeiro, para somente depois eu me aventurar em Forevermore, sua versão de dois CDs. Fiz isso também com a ideia em mente de que The Breath of Life estaria ótimo, mas que Forevermore seria o que de fato me colocaria em órbita, porém, eu já fiquei completamente hipnotizado por The Breath of Life e não acreditava que Forevermore pudesse me causar algo além, engano meu, pois o disco consegue ser tudo que é sua outra versão e mais um pouco.

CD1:

“Overture” começa o disco em uma atmosfera cinematográfica. Uma faixa complexa, muito caprichosa e de uma musicalidade incrível. Stolt apresenta uma guitarra muito melódica e sentimental – quase chorosa -, enquanto que Neal usa alguns acordes grandiosos de teclado e que colocam um ar bastante sinfônico na faixa, até que tudo “explode” e os quatro músicos se juntam e desfilam suas habilidades de forma brilhante e dão as boas vindas ao ouvinte de uma maneira que não poderia ser melhor. 

“Heart Like A Whirlwind” - Reaching For the Sky” em The Breath of Life -, eu considero uma versão melhor – ainda que a outra seja maravilhosa também. Os vocais aqui e a forma que é cantada me cativa um pouco mais. Também adoro a sua sensibilidade que considero mais jazzy. 

“Higher Than The Morning” já é um caso que acontece o oposto com o que ocorreu com a faixa anterior, pois gosto mais de sua versão no disco The Breath of Life – ainda que por muito pouco, portanto, novamente digo que isso não tira o fato desta também ser uma versão excelente. Possui um refrão de harmonia vocal que deixaria mestres nesta arte como Crosby, Stills, Nash & Young orgulhosos do que ouviriam. A parceria de troca de vocais entre Morse e Stolt funciona muito bem. 

“The Darkness in the Light” é uma faixa que poderia estar presente em qualquer disco do Flower Kings, simplesmente adoro esse som. É um rock mais direto e sólido muito bem construído, principalmente entorno das muitas vezes rosnadas linhas de baixo de Trewavas, mas destacando também um ótimo trabalho de guitarra, além de preenchimentos muito bem acentuados da bateria. 

“Swing High, Swing Low” – “Take me Now my Soul” em The Breath of Life, além de possuir letras alternadas. Uma faixa belíssima e que de tão agradável parece que está nos abraçando de uma maneira mais carinhosa possível. Neal Morse além de exímio músico é um vocalista e tanto, sua voz consegue colocar sempre o sentimento certo dentro de cada música. 

“Bully” é uma das faixas que mostra o lado mais Spock’s Beard do Transatlantic. Ela começa emendada em “Swing High, Swing Low”, tanto que carrega o mesmo tema, porém, agora em seu estado mais agressivo e de certa forma agonizante. Poucas bandas teriam a capacidade de dar ao mesmo tema algo tão variado. 

“Rainbow Sky” é uma faixa que podemos perceber um aceno à música dos Beatles e também um pouco de Elton John – ao menos eu sinto isso. Mais uma música muito bela, através de suas harmonias celestiais e instrumentais expansivos. Tudo é desenvolvido de forma bastante doce e delicada antes que as coisas fiquem mais pesadas na faixa seguinte. 

“ Looking for the Light”, em The Breath of Life eu disse apenas que se trata de uma faixa em que Portnoy lidera os vocais, mas acho que fui injusto, pois pode ser considerado até mesmo a sua melhor performance vocal da carreira. A sua cadencia mais blues ainda não me cativou como as demais faixas – algo que eu já havia falado na outra resenha -, mas acredito que com o tempo serei cada vez mais rendido pelas suas transições de harmonias mais bluesy para linhas progressivas celestiais. 

“The World We Used to Know”, mais uma vez podemos notar alguns bons acenos para a música do Flower Kings. Mike Portnoy nunca escondeu que Keith Moon é uma de suas grandes influências, portanto, nada mais normal o baterista em alguns momentos deixar que o seu Moon interior fale alto. Começa com uma passagem instrumental bastante técnica e cheia de vigor. Quando os vocais de Stolt entram o clima se torna mais melódico. O solo de guitarra é lindíssimo, tendo depois dele agora a voz de Morse puxando o épico. A primeira metade do álbum não poderia terminar de forma mais bela. 

CD2:

“The Sun Comes Up Today” começa com uma harmonia vocal à capela simplesmente maravilhosa. Quem lidera os vocais aqui é Peter e possui um tema recorrente no álbum, podendo ser visto também em “Heart Like A Whirlwind”. As guitarras de Stolt aqui novamente podem ser vistas como o destaque da música através de excelentes linhas. 

“Love Made a Way (prelude)”, como eu havia falado na resenha de The Breath of Life, trata-se de uma balada simples ao violão e voz – de Morse - que serve apenas – como o nome sugere – como um prelúdio para o que vem a seguinte. “Owl Howl” é onde mais uma vez a banda deixa bastante nítido o seu amor por outro grupo, neste caso, o King Crimson. A voz de Stolt está soando sinistra, possui uma bateria minimalista, além algumas linhas de guitarra e um sintetizador na segunda metade que dentro do conjunto da obra criam um clima musical até mesmo fantasmagórico. 

“Solitude” apresenta um grande contraste com a faixa anterior, sendo mais um momento sereno do disco. A voz trêmula de Pete cai muito bem aqui e leva a faixa até a metade, quando Morse assume de forma emocionante e trazendo de volta o refrão de “Love Made a Way”. Após um curto e belo solo de guitarra, Pete está de volta, tendo em seguida novamente o refrão cantado por Morse. A faixa então caminha para um final sinfônico. 

“Belong” é outro momento do disco em que o aceno ao Flower Kings é evidente. Stolt através da sua guitarra singular é mais uma vez quem dita à direção da faixa. Pequenas vocalizações com mais alguns solos de guitarra criam um excelente clima jazzístico. 

“Lonesome Rebel” é uma peça que começa de forma acústica e que apresenta novamente Stolt liderando a música com o seu vocal distinto e desta vez suave. Outra faixa que faz com que o álbum tenha uma boa dinâmica. O seus últimos segundo é com Portnoy preparando o clima para algo mais explosivo. 

“Looking for the Light (reprise)”, o nome já deixa explicito que se trata de um retorno à faixa de mesmo nome encontrada no CD1. Como falei na faixa anterior, o clima preparado por Portnoy é emendado aqui por um início bastante progressivo. O preenchimento de Portnoy na faixa está simplesmente incrível, tocando em alguns intervalos de tempo estranhos como um bom progressivo pede. As linhas de baixo são avassaladores, o órgão pulsante e as guitarras muito bem estruturadas, em resumo, a banda caminha como um verdadeiro exército de titãs. Assim como em “Looking for the Light”, aqui Portnoy também está nos vocais, mas desta vez os divide com Morse. 

“The Greatest Story Never Ends” possui uma vibração muito interessante. São revisitados alguns temas em uma entrega frenética da banda. Carrega uma atmosfera sinfônica e mais um solo de guitarra excelente de Stolt. Não podendo deixar de destacar em determinado momento uma perfeita interpretação vocal ao melhor estilo Gentle Giant enquanto eles chamam “Belong” de volta ao álbum. 

“Love Made a Way” apresenta ao álbum um final magnificamente climático, conseguindo expressar completamente uma “relação espiritual”, digamos assim, entre este álbum e The Whirlwind. Repetindo o que eu já havia falado em The Breath of Life, a princípio eu não cheguei a achar este final de álbum bom como deveria, mas não sei onde eu estava com a cabeça, pois não existe absolutamente maneira melhor para finalizá-lo se não com o clima criado por esta faixa. É possível imaginar tantas coisas aqui, como estar de pé enquanto agita as mãos no ar e os olhos umedecem ou Neal Morse ajoelhando atrás do teclado enquanto lágrimas também escorrem do seu rosto. Um final épico, sem igual e simplesmente apoteótico em que os aplausos após o fim dos concertos – que espero que regressem o quanto antes – deveriam durar alguns bons minutos interruptos, em agradecimento a experiência proporcionada por essas quatro entidades sagradas do progressivo moderno. 

Bom, é inevitável que alguns comentários de faixa aqui, soem parecidos com os encontrados na outra resenha, mas mesmo assim, tentei quase sempre mudar a forma de expressão, mas claro, sem modificar a essência de cada uma das faixas e a impressão me passaram, dito isso, vamos para as considerações finais. 

Somando-se o tempo de The Breath of Life e Forevermore são mais de suas horas e meia de música, mais de duas horas e meia de música onde não consegui encontrar um ponto negativo relevante que seja. Os quatro membros da banda não têm mais nada para provar, porém, dentro de suas ambições eles não parecem conhecer limites, com isso estão dispostos a continuar buscando produzir obras-primas de vários matizes, sendo que no caso de The Absolute Universe, algo tão grandioso e belo como o arco-íris. Após finalizar algumas audições de Forevermore e compará-lo com The Breath of Life, aprendi que nada é tão incrível que não possa melhorar.


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Sobre Tiago Meneses

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Sobre o álbum

The Absolute Universe: Forevermore

Álbum disponível na discografia de: Transatlantic

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,75 - 2 votos

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