Resenha

Eat The Light

Álbum de Lotus

2016

CD/LP

Por: Roberto Rillo Bíscaro

Colaborador Especialista

09/02/2021



Fina flor da eletrônica norte-americana

Lotus tem sólida reputação nos circuitos independentes de electronica. Fundado por estudantes universitários em 1999, os norte-americanos denominam seu estilo de jamtronica, porque como os grupos funk clássicos, as canções são desenvolvidas a partir de jams no estúdio.

Dia 15 de julho, de 2016, o Lotus engrossou sua volumosa discografia com o surpreendente Eat The Light. Tento não usar o adjetivo surpreendente junto com qualidade – como é comum – porque acho elogio-sabotagem: se surpresa é algo inesperado, parece que não se esperava nada do artista. Horrível. A surpresa de Eat The Light não está na alta qualidade, mas na forma: o quinteto resolveu acessibilizar e lançou álbum com dez faixas deliciosamente dançantes, pop e com vocais, com influências que perpassam décadas.

De cara, o arraso do disco: Fearless. O Lotus afirmou que queria fazer músicas para as pessoas jogarem as mãos pro alto e dançarem no verão. Acertaram na mosca com esse disco-funkaço-pára-tudo! A primeira metade de Eat The Light continua com as batidas por minuto em alta rotação, o que muda são as matrizes. I’ve Been A Fool (Toy Guns) é mais New Wave com influência Acid House, mortal riff de guitarra funk e percussão à New Order, fase Technique. A faixa-título remete ao Talking Heads (que tem álbum chamado Remain In Light, de 1980), mas tem burburinho de eletrônica repetitiva presente do Kraftwerk e solo de guitarra intoxicante, que ocorre novamente em Move Too Fast, que além disso une 70’s e 90’s com baixo reverberante à Chic e barulhinho-delícia à Robin S. 

É a mistura competente de diversos subgêneros dance com pitadas de indie rock e música caribenha, uma das forças do álbum, que na metade final diminui as BPMs, mas não a rebolatividade. O indie rock de Sodium Vapor e When Our Nerves No Longer Twitch convive com a disco music à Tina Charles de White Light Fadeway e o som que Nile Rodgers fez pra Sister Sledge em Anti-Gravity, mas com o contraponto da guitarra melancólica tipo Barney Summer. Esse rolo todo funciona, porque o Lotus domina os subgêneros de frente pra trás, conhece todos seus truques e de tanto tocar ao vivo e fazer jam, mesmo essa fornada pop saiu com incríveis força e organicidade (no sentido de tudo estar quase DNAmente imbricado).


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Sobre Roberto Rillo Bíscaro

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Sobre o álbum

Eat The Light

Álbum disponível na discografia de: Lotus

Ano: 2016

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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