Resenha

Holy Ground

Álbum de The Dead Daisies

2021

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

31/01/2021



Glenn Hughes eleva o som do grupo a outro nível!

O The Dead Daisies iniciou seus trabalhos em 2013, lançando seu álbum homônimo e já nasceu com status de supergrupo, trazendo músicos acima de qualquer suspeita, que integraram grandes bandas de rock como Whitesnake, Journey, Guns N Roses, INXS e muitos outros. O idealizador deste projeto é o empresário da aviação e guitarrista David Lowy, único membro presente em todas as formações.

Desde o inicio, o grupo ficou caracterizado por grandes mudanças em sua formação, tendo se estabilizado com Lowy, Doug Aldrich (Whitesnake, Dio) na guitarra solo, Deen Castronovo (Journey, Bad English, Revolution Saints, Hardline e outros) na bateria, Marco Mendonza (Whitesnake, tyed Nugent, Thin Lizzy, Black Star riders e outros) no baixo e John Corabi (Motley Crue, Esp, Ratt, Union), nos vocais principais.

Após grandes álbuns e turnês, a banda sofre uma grande baixa com as saídas de Corabi e Mendonza. O trio remanescente chama então o veterano  Glenn Hughes (Deep Puprle, Black Sabbath, Black Country Communion) para cumular as funções dos membros dissidentes.

O agora quarteto entra  no  La Fabrique Studios, sul da França, sob a batuta do produtor Ben Grosse (Dream Theater e outros) para gravarem o novo petardo. 

Obviamente a troca de vocalista traz mudanças significativas na sonoridade do grupo. Corabi era carismático, mas é inegável que a experiência de Hughes trouxe amadurecimento e elevou o a musicalidade da banda a um outro nível. O que não é de se estranhar, afinal, o músico do alto de seus 69 anos, fez parte de duas das maiores bandas de rock dos anos 70 e participou de uma infinidade de projetos, gravando e excursionando há mais de 50 anos, o que convenhamos é mais tempo que eu tenho de vida.

A entrada de Hughes trouxe certa dose de groove e swing ao hard rock praticado pelo grupo, uma vez que o músico nunca escondeu suas influências de soul music e funk americano. 

Glenn deixou o som mais fluido e malemolente, mas soube dosar tais influências para não descaracterizar o som da banda, ou seja, houve uma grande evolução, mas nada que vá causar estranheza aos fãs dos Daisies.

Além do mais, Hughes é um dos poucos vocalistas da velha geração que continuam cantando como se tivessem 20 anos de idade, alcançando notas altas com grande facilidade.

De certo modo “Holy Ground”  traz um som bem linear, aquele hardão calcado na guitarra e com bateria pesada em onze faixas irrepreensíveis. Mas vale destacar: 

“Like No Other (Bassline)”, com sua linha de baixo cavernosa e “Come Alive” com seu andamento dinâmico, pois ambas são bons exemplos da ótima influencia do “novato” Hughes no som da banda; 

“Bustle and Flow”, parece ter sido criada para destacar o lado riffmaker do guitarrista Aldrich; “My Fate” chega arrastada, carregada de melancolia, com a base muito parecida com  os primeiros trabalhos do Dio. Mas quem se destaca mais uma vez é a voz inigualável de Glenn;

“Saving Grace”, com riffs sincopados, alternando com o vocal e o refrão em notas altas poderia estar em um disco solo do baixista e vocalista; E ainda temos um cover definitivo do Humble Pie, “30 Days In The Hole”,  do clássico “Smokin”, onde Hughes divide os vocais com Castronovo;

O grupo deve sair em turnê ainda este ano, porém, mantendo a velha tradição de rotatividade de membros, o Baterista Deen Castronovo resolveu sair da banda para cuidar de problemas de saúde, sendo substituído por Tommy Cufletos (Black Sabbath, Ozzy Osbourne). 

É inegável que o Dead Daisies funcionou melhor como quarteto, e  Holy Ground pode ser considerado não só seu melhor trabalho, como também um dos grandes discos de 2021, apesar de ainda estarmos em fevereiro.


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Sobre o álbum

Holy Ground

Álbum disponível na discografia de: The Dead Daisies

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 2,5 - 2 votos

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