Resenha

Disconnected

Álbum de Fates Warning

2000

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

29/01/2021



Composições excelentes, além de uma entrega e musicalidade de primeira linha

Fates Warning é uma banda que conheço à tempos, mas não costumo ouvi-la muito, e não digo que isso seja por algum problema existente em seu som, até porque ela não é a primeira banda que isso acontece, simplesmente a ouço apenas em doses homeopáticas mesmo. Lançado em 2000, Disconnected não repete nada dos seus trabalhos anteriores, seja em relação à música, quanto aos temas abordados. Se antes a banda havia mostrado uma música mais fluida e livre, além de temas temperamentais, neste disco a linha seguida é mais crua e os temas abordados não são mais tão sombrios quantos de outrora. 

“Disconnected Part 1” começa o disco com os seus pouco mais de um minuto através de uma guitarra lenta e uma paisagem sonora conduzida por sintetizadores. No final uma voz feminina anuncia “você está desconectado” e logo emenda com a faixa seguinte. “One” começa com alguns riffs simples de guitarra me lembrando a algo já feito pela Porcupine Tree. Ray Alder mostra logo de cara que seus vocais estão ótimos. Mesmo sendo uma faixa de variação pequena, a banda conseguiu – principalmente através da bateria – colocar excelentes ingredientes sonoros que criaram nuances diferentes para cada passagem musical. 

“So” começa através de uma linha de teclado bastante suave e espacial. Quando toda a banda então entra, os teclados de Kevin Moore mostram uma intensidade bem maior para poder acompanhar o riff de guitarra e o preencher com uma pompa necessária. Podemos perceber aqui algumas mudanças de andamentos e quebras em passagens mais silenciosas. Inclusive, uma destas passagens acontece bem no núcleo da faixa, com baixo e pratos dando ritmo para a linha vocal. O teclado na parte final consegue fornecer um papel de segundo plano que traz nuances musicais excelentes. 

“Pieces Of Me” é um heavy mais direto e muito bom. Seu riff introdutório já a deixa bem empolgante antes que os vocais entrem em umas linhas de nota alta. Alguns efeitos utilizados por Kevin aqui às vezes adicionam ideias que cairiam perfeitamente bem em alguma faixa típica da Ozric Tentacles, inclusive, efeitos esses que acentuam muito bem a peça. 

“Something From Nothing” começa com algumas notas de um baixo fretless e sutis toques de guitarra ao fundo antes que os primeiros vocais emergem de forma lenta – vale mencionar também alguns efeitos espaciais de sintetizadores. Quando a música enfim entra com mais força, destacam-se um sample/sequenciador com efeitos de teclado e uma linha de baixo maravilhosa. Caso o vocal seja ignorado quando ele retorna, novamente é possível perceber uma forte influencia na música da Ozric Tentacle. A partir de mais ou menos a metade da faixa, ela entra em um ritmo mais rápido, onde novamente se destacam ótimos riffs de guitarra. Em uma crescente constante a faixa atinge o seu pico através de alguns sons distorcidos. Uma música realmente muito poderosa e de audição extremamente agradável. 

“Still Remains” é o grande épico do disco com seus mais de dezesseis minutos. O momento de abertura com alguns efeitos e preenchimentos de teclados estabelecem a base para a voz profunda e soprosa de Alder. De certa forma uma imagem sonora onde mais uma vez é impossível não associar à Ozric Tentacles – mas em uma linha mais suave. A música enfim se caminha para um andamento mais rápido com todos os músicos contribuindo bem para a criação de uma linha melódica muito boa. A faixa possui algumas transições ao piano que o torna o instrumento principal. Em momentos mais silenciosos é interessante perceber a força do baixo. Ao longo da faixa é possível perceber também que os riffs de guitarra vão ficando mais alto. Em uma música deste tamanho quando feita de forma cuidadosa, algo que não pode faltar são melodias cativantes e algumas boas mudanças de andamento e isso eles fazem muito bem. No geral, o que se pode falar a respeito desta faixa é que se trata de um trabalho maravilhosamente bem composto. 

“Disconnected Part 2” traz novamente a sensação musical da faixa de abertura, porém, aqui com mais tempo para poder se desenvolver. O que podemos encontrar desta vez é um trabalho de piano que acentua a faixa em um estilo clássico e que são acrescidas vozes humanas distorcidas e distanciadas. Não sei se é apenas impressão minha, mas consigo enxergar um pouco de Vangelis nesta faixa. 

Este álbum é aqueles que podemos dizer que foram indiscutivelmente bem elaborados, considerando muitas nuances produzidas através de efeitos sonoros e/ou estilos. No geral, o álbum possui uma estrutura compacta com muita clareza do começo ao fim, sendo que cada faixa está bem posicionada de forma a criar uma satisfação mental e de prazeres auditivos. Resumindo, possui composições excelentes, além de uma entrega e musicalidade de primeira linha.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Disconnected

Álbum disponível na discografia de: Fates Warning

Ano: 2000

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,5 - 2 votos

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