Resenha

Black Clouds & Silver Linings

Álbum de Dream Theater

2009

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

17/01/2021



Um ótimo álbum e que representa muito bem o talento e a força da banda

Pouco antes do lançamento de Black Clouds & Silver Linings, lembro que eu não sabia exatamente o que esperar deste disco, falando em como estava a minha cabeça na época, a banda vinha de um disco que exceto pelas duas partes de “In The Presence of Enemies”, simplesmente não conseguiu me agradar em praticamente mais nada – lembrando que falo do meu pensamento da época, hoje minha opinião é diferente em relação ao Systematic Chaos, porém, isso é assunto pra outro momento.  

Ainda que eu não tenha percebido de forma instantânea, hoje acho que a banda conseguiu fazer aqui algo muito interessante, que foi unir o terreno musical mais sujo, digamos assim, do Dream Theater moderno com elementos mais clássicos e melódicos encontrados na sua fase clássica – leia-se até o disco Scenes from a Memory -, tudo isso mostrado em seis faixas, sendo que mais da metade são épicos de até quase vinte minutos. 

“A Nightmare To Remember”, após um breve início com som de chuva e trovoada, o piano dá as primeiras notas. Então que todos os instrumentos emergem de uma só vez criando uma atmosfera sinfônica e ao mesmo tempo metálica. A faixa segue uma linha furiosa e de vocais potentes. Há alguns momentos de rock progressivo mais melódico que são responsáveis em causar um equilíbrio em tudo. Em torno dos cinco minutos a banda entra em uma seção instrumental dramática e muito mais suave. Os vocais agora estão muito mais calmos e a música segue evoluindo através de um som de rock progressivo melódico. Então que a faixa se lança a uma seção instrumental matadora, primeiramente com destaque para um solo de guitarra escaldante e depois um solo de teclado incendiário. Conforma a seção instrumental continua, aquilo que mais impressiona – e talvez nem impressione tanto assim quem já é acostumado com a banda – é a maneira como os instrumentos interagem. A faixa regressa a um ambiente mais metálico, com Portnoy utilizando de uns vocais de metal extremo. Na seção instrumental seguinte a banda apresenta alguns elementos mais clássicos, tendo em seguida o retorno de um metal mais agitado, enquanto que o progressivo mais melódico assume o controle enquanto os vocais de Labrie retornam. Há um clímax após a marca de quatorze minutos e então alguns sons mais suaves levam a música até o fim. 

“A Rite Of Passage” começa em uma linha bem potente de metal. A primeira seção vocal é muito bem definida neste tipo de som. A banda então vai se cadenciando em uma espécie de metal progressivo mais melódico e moderno. Conforme a música vai se desenvolvendo, mais é possível notar elementos de rock progressivo melódico combinado com sons mais metálicos. Esta música consegue trazer umas boas combinações de sons satisfatórios e atraentes. A faixa então entra em mais uma seção instrumental baseada neste conceito, mudando em seguida para algo mais thrash metal por um tempo. Neste seguimento destaque para os solos – de guitarra e teclado. Após a seção instrumental o ouvinte é levado novamente ao rock progressivo mais melódico antes do retorno dos vocais. Esta faixa representa bem o que era o Dream Theater naquele momento. 

“Wither” é a balada do álbum, inclusive, algo que pode ser sempre um problema, pois acho que a banda nunca costuma ficar em cima do muro quando o assunto é esse, ou a balada é ruim ou é boa, sem meio termo, sendo neste caso, a primeira alternativa. Começa suave, sendo dramática e um pouco sombria a partir do momento que os primeiros vocais se juntam. Melódica com alguns acenos mais “fortes” de guitarra. É aquele tipo de balada que é facilmente identificável como sendo do Dream Theater. 

“The Shattered Fortress” é a faixa que encerra a famosa “Twelve-step Suite”, ou também chamada de “Saga da Cachaça” por alguns. Começa com um movimento que traz um riff poderoso de guitarra por cima de uma sonoridade sinfônica. A faixa vai funcionando muito bem dentro desta ideia, então que de repente muda-se para algo na linha de thrash metal. Os vocais são tipicamente de metal progressivo, mas com alguns vocais falados em contraponto que a deixam mais pesada. Ao mesmo tempo em que é bastante sinfônica, também tem uma veia metal impressionante. Então que entra um solo de teclado que é sensacional, aonde ele vai mudando seu andamento e evoluindo até que em determinado ponto a música cai para um ritmo mais leve e suave, com alguns vocais falados extremamente profundos. Os vocais cantados entram repetindo frases já ditas em “This Dying Soul”, segunda das cinco partes e que é encontrada no álbum Train of Thought. Acho este movimento excelente. Eventualmente, o ouvinte é trazido de novo para uma linha musical mais intrincada e metálica. Depois de uma boa seção vocal, a banda entra em mais uma parte instrumental que combina muito bem o progressivo com o metal. Após mais um breve vocal a música se prepara para o seu fim, e então que regressando oito anos, a banda termina a faixa exatamente como “The Glass Prison” começou lá no início da “Twelve-step Suite”. 

“The Best Of Times” começa com um piano isolado, e à medida que vai avançando, recebe primeiramente a companhia do violino do convidado Jerry Goodman e depois de algumas notas de guitarra, além de uma marcação suave de baixo. A faixa então entra em uma linha mais animada que me lembra um pouco algo que o Rush faria. Conforme a faixa vai se desenvolvendo é possível perceber que o elemento da música do Rush está presente, mas também temperado com um rock progressivo mais mainstream. A faixa definitivamente tem uma abordagem baládica – mesmo que esta palavra não exista. Vejo em muitos lugares o solo desta faixa sendo considerado pelas pessoas como um dos mais bonitos já feitos pelo Petrucci, eu particularmente nunca consegui me emocionar com ele. É certo que se trata de um movimento progressivo poderoso que leva a música para o seu final, mas pra mim, em um solo que não me diz muito. Sem contar que a faixa termina em fade out e nunca consegui gostar disso. 

“The Count of Tuscany” é a faixa de encerramento e também a minha preferida. Começa primeiramente com um violão solitário, sendo acompanhado logo em seguida pela guitarra elétrica. Depois disso a faixa então sofre uma explosão em uma espécie de congestionamento musical extremamente poderoso. Não para de crescer e evoluir, passando pouco mais de quatro minutos até que entrem os primeiros vocais – que parecem estar com raiva. A faixa então vai seguindo novamente em uma mistura muito boa entre metal e progressivo – sempre tendendo às vezes mais para um e às vezes para outro. A faixa mergulha em uma resolução melódica e suave, se mantendo por um bom tempo desta maneira – inclusive eu acho que a banda exagerou aqui, esticou demais esse movimento. O violão é quem começa a emergir a música novamente, seguido pelos vocais e algumas notas de teclado.  O arranjo agora já com toda banda, à medida que avança vai se tornando mais desenvolvido, chegando ao seu ápice em um bonito solo de guitarra e depois uma incrível e poderosa sonoridade sinfônica. Alguns efeitos sonoros finalizam a música quando os instrumentos se recolhem. 

Na época do seu lançamento eu já era um fã da banda de longa data, então não foi um disco que eu digeri bem na primeira audição, aquilo parecia estar distante demais do Dream Theater que eu virei fã, por isso, demorou um tempo – anos na verdade – para que eu o aceitasse da maneira que faço hoje. Hoje considero Black Clouds & Silver Linings um ótimo álbum e que representa muito bem o talento e a força da banda.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Black Clouds & Silver Linings

Álbum disponível na discografia de: Dream Theater

Ano: 2009

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,95 - 11 votos

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