Resenha

McCartney

Álbum de Paul McCartney

1970

CD/LP

Por: José Esteves

Colaborador Especial

16/12/2020



Transição difícil do ex-Beatle

Após a reunião que John Lennon encerrou os Beatles, Paul McCartney não sabia muito o que fazer. Considerando que ele fez parte dos Quarrymen, que viria a ser os Beatles, desde que tinha quinze anos, ele se sentia depressivo e confuso, o que provocou uma viagem para sua fazendo na Escócia, o que viria a ser mais um entrave entre ele e os membros de sua ex-banda. Com muito incentivo da sua esposa, Paul encerra o período que ele chamou de um dos mais depressivos da sua vida, ele encerra o seu primeiro álbum solo, o que o coloca em um caminho novo como artista. As críticas da época foram desanimadoras, reclamando de músicas inacabadas, mas as críticas atuais recebe bem o álbum, com alguma aceitação do público que empurrou o álbum para uma certificação platina.

As críticas da época estão completamente certas, é um álbum de músicas inacabadas. Dá pra notar o quão preso o Paul McCartney se sentia nos Beatles e o quão depressivo ele estava, porque ele decide puxar o experimentalismo para, surpreendentemente, o minimalismo lo-fi, criando faixas com poucas camadas e, provavelmente, poucos takes. Mesmo com esse clima de inacabado, o disco tem seus momentos, mas se comparado com o Abbey Road e o All Things Must Pass do George Harrison, esse álbum não é grandes coisa. Pelo menos o baixo do álbum todo é bom, mas também, é o Paul McCartney.

De acabadas, com qualidade, as que mais chamam atenção são as inspiradas em bluegrass e country (“Man Was We Lonely”) e a balada romântica “Junk” e sua sequência melhorada e instrumental “Singalong” Junk”; inclusive, essas faixas, se fossem melhor trabalhadas e completadas, seriam um ponto alto da carreira do vocalista por um tempo. No geral, as faixas se perdem em falta de estrutura (“That Would Be Something”), falta de direção (“Teddy Boy”) e a clara falta de propósito mesmo (“Kreen-Akrore” é percussão com gritos de macaco em cima). No geral, nada que valha muito pena caçar para ouvir.

A melhor faixa do álbum é claramente “Maybe I’m Amazed”. O nível de produção, complexidade e completude dessa faixa não se compara ao resto do álbum. Parece uma trilha sonora de um filme que o cara se dedicou a fazer aquela faixa arrebatadora, de destruir os corações dos outros, e depois só falou “pode ser qualquer coisa”. É uma balada romântica com um excelente linha de piano, um ótimo solo de guitarra, e que se sobressai (até os dias de hoje) como uma das melhores faixas do baixista. Que sonho seria se o resto do álbum fosse assim.


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Sobre José Esteves

Nível: Colaborador Especial

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Sobre o álbum

McCartney

Álbum disponível na discografia de: Paul McCartney

Ano: 1970

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,8 - 5 votos

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