Resenha

August In The Urals

Álbum de Deluge Grander

2006

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

12/12/2020



Pioneiro na evolução do rock progressivo sinfônico estadunidense do século XXI

Um disco que no mesmo tempo que é bombástico e pomposo, também soa extremamente sóbrio e muito inteligente. August In The Urals é um daqueles discos que mostra o quão ficou claro que a evolução sinfônica que começou nos anos noventa na Europa Oriental, se espalhou por todo o mundo e colocou a população progressiva diante de uma nova forma do gênero e que traria muito frescor à mistura. 

Quando eu falo em uma evolução e forma de apresentação do rock progressivo sinfônico, estou falando de algo que é perceptível desde a primeira nota, pois se os pioneiros localizados lá nos anos setenta formaram verdadeiros mestres na mistura entre o clássico e o rock, quando falamos da Deluge Grander e o seu August in the Urals, nós falamos de uns caras que estão fazendo uma fusão mais rica em número de gêneros que se cruzam entre si, como jazz, música clássica, música de vanguarda entre outros. 

“Inaugural Bash” é a faixa de abertura e o disco certamente não poderia começar de uma maneira mais arrasadora. Um bom exemplo da tendência mencionada no paragrafo anterior, sendo que nos primeiros minutos a banda se direciona para um caminho que eu defino como uma espécie de jazz sinfônico bastante suave, mas isso até começar uma mudança que mesmo que não seja tão radical, soa muito progressiva e dramática. A faixa muda lentamente de rápida e, digamos assim, leva, para um ar misterioso e também assustador. Mesmo quando o piano é o instrumento principal, a mixagem de órgão é algo não menos do que impressionante. Conforme a música vai se desenvolvendo, caso o ouvinte conheça algo de Rachmaninoff, não é difícil de notar a sua influência na banda, sendo ela misturada com alguns coros suaves e cantos sombrios. A viagem musical de “Inaugural Bash” dura mais de vinte e cinco minutos e a banda tem tempo para bombardear o ouvinte com tudo que um rock progressivo sinfônico tem a oferecer, excelentes riffs de guitarra, uso bem encaixados de mellotron, trompete, xilofone e tantos outros instrumentos, criando assim uma dissonância simplesmente maravilhosa sem perder em nenhum momento o conceito da melodia. Brilhante do começo ao fim. 

“August in the Urals” já é uma música bastante diferente da anterior, sendo mais fluida e de ar menos misterioso. Desta vez a interação entre piano e violão e algo desenvolvido maravilhosamente bem. Os vocais são bastante sutis, e mesmo que não estejam exatamente no mesmo nível da música, soa de uma maneira boa o suficiente para manter intacta a beleza e a complexidade da faixa. Aqui as mudanças de andamento já são mais drásticas e inesperadas, algo que qualquer bom amante de rock progressivo gosta bastante. 

“Abandoned Mansion Afternoon” é novamente uma música que começa numa linha jazzística e assim ela permanece por cerca de uns três minutos, da mesma forma que aconteceu na faixa de abertura do álbum. Então que a sua suave metamorfose suave começa, e depois de alguns minutos de guitarra e de uma boa transição vocal estamos novamente diante de uma peça musical muito complexa e de aura assustadora e que consegue trazer uma surpresa ao ouvinte a cada minuto, além de possuir um final frenético. 

“A Squirrel” é uma faixa extremamente dinâmica, e mesmo quando ela mais parece uma jam, eles também conseguem fazer com que se transforme em uma música progressiva completa, com algumas mudanças repentinas e tempos estranhos. Um dos destaques da faixa certamente está no órgão por volta dos quatro minutos, que leva a faixa para uma passagem jazzística. O seu final é bastante dramático. 

“The Solitude Of Miranda” é a faixa que finaliza esse disco grandioso. Começa de maneira frenética e podemos sentir uma pitada de Emerson, Lake & Palmer – pra falar de algo mais conhecido e não tornar isso difícil de explicar. A velocidade e a precisão dos teclados são impressionantes, ficando algo próximo ao estilo de Rick Wakeman. Mas sem dúvida que a cereja do bolo desta faixa está com a combinação de suaves coros femininos e fortes coros masculinos rodeados por um violão flamenco simplesmente arrebatador. 

August in the Urals é um disco que pode ser considerado pioneiro na evolução do rock progressivo sinfônico estadunidense do século XXI, e que não possui um segundo que seja que eu considere fraco, tudo é extremamente bem pensado e desenvolvido, chegando assim a um resultado de rara excelência.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

August In The Urals

Álbum disponível na discografia de: Deluge Grander

Ano: 2006

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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