Resenha

Gigaton

Álbum de Pearl Jam

2020

CD/LP

Por: Fábio Arthur

Colaborador Especialista

11/12/2020



Sabendo envelhecer

Olha, quem já leu minhas resenhas ou me conhece, sabe que eu pessoalmente tenho inúmeras reservas com esse pessoal que veio da era Grunge, mas não deixo de ter uma visão crítica afável quando o trabalho soa bem.

No caso de "Gigaton", de 2020, eu tenho minha visão da qual o grupo buscou em seus próprios elementos passados e na sua nuance amadurecida e musical, um novo aparato.

O disco, além de ser muito bem produzido - o que hoje não é mais uma surpresa -, ainda traz canções muito bem centradas, sendo essas faixas que fazem desse álbum algo como costumamos dizer: "quase um clássico". 

Josh Evans, o produtor, em conjunto com a banda, certamente interagiu dentro do processo, isso fica latente pela mudança até mesmo radical em alguns pontos. O caso é que, se não fosse por momentos de tentativas de soar Rocker ou de estar como nos 90, o disco seria um ápice luxuoso ao extremo. 

A Republic Records se incumbiu de levar o trabalho às redes, plataformas e lojas, em uma parceria com a Monkey wrech Records. O disco, antes mesmo de estar disponível, sendo esse o décimo álbum, obteve seus títulos anunciados em janeiro de 2020. E de certa forma, o que se viu e ouviu de matérias/resenhas, foi que a banda vinha melancólica e bem alternativa. Concordo em partes, pois em algumas faixas a coisa toma proporção bem abaixo de um nível Pearl Jam, e em outros momentos, Eddie Vader não consegue, talvez pela idade e cansaço de voz, emitir a agressividade de outrora o que prejudica o andamento e o ouvinte de forma brutal.

Do mais, se tratando de fazer arte de qualidade, o grupo mantém um nível acentuado em boa parte do repertório e principalmente no início do disco. "Who Ever Said" remete em uma canção boa demais para iniciar um trabalho lançado em 2020, tendo tudo aquilo que se espera, vibração, melodia, voz colocada e uma bateria pontuada. "Superblood Wolfmoon" trilha pela utilização de valores musicais mais amplos que outrora e mostra que pode sim mudar sem soar ruim. "Dance of Clairvoyant's", talvez a melhor do álbum, marca pelo textual, pelo refrão simples e objetivo com qualidade e por nuances ótimas de arranjos de cordas, mesmo que sutis. Lá pelo final, temos que ser sinceros que o álbum se perde e muito, mas ainda assim, algo como as faixas "Take the Long Away" e "River Cross" mostra qualidade, com canções muito bem definidas nos padrões propostos.

Um trabalho com 57 minutos, longo em demasia, pois você tem que pular algo, não tem jeito. Enfim, mesmo não sendo algo igual ao passado, a banda soa moderna e madura o suficiente para contribuir com um aparato de acordo com a idade de seus fãs. Musical com qualidade, sem soar pretensioso e sim natural em processo. 

Para quem gosta de música boa, fica a dica até para quem não é fã.


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Sobre Fábio Arthur

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 04/02/2018

"Obtive meu primeiro contato com o Rock, com o grupo KISS no final de 1983, após essa fase, comecei a me interessar por outros grupos, como Iron Maiden, do qual ganhei meu primeiro vinil o "Killers" e enfim, adquiri o gosto por outras bandas, como Pink Floyd, John Coltrane, AC/DC entre outras."

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Sobre o álbum

Gigaton

Álbum disponível na discografia de: Pearl Jam

Ano: 2020

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,17 - 3 votos

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Veja mais opiniões sobre Gigaton:

  • 27
    mar, 2020

    Nenhuma reviravolta, mas ainda bom!

    User Photo Marcio Alexandre

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