Resenha

Book Of Hours

Álbum de Willowglass

2008

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

01/12/2020



Uma coleção fluida de temas sinfônicos, além de belas passagens instrumentais

Este é daqueles álbuns que se tivesse sido lançado na primeira metade da década de setenta, provavelmente seria visto hoje por muitos como uma obra-prima. Real é que talvez ele seja um disco que esteja algumas décadas atrasado, porém, em momento algum deve ser ignorado ou descartado unicamente por tratar de um trabalho lançado “fora de hora”. Obviamente influenciado por bandas clássicas como Genesis e Camel, ele não soa de forma completamente derivado – o que é ótimo -, mas conseguindo lançar também uma espécie de feitiço único. 

“Argamasilla” é a faixa que inicia o disco já o levando para uma atmosfera que me faz lembrar Hatfield and the North, então ela se move perfeitamente por uma progressão de temas simplesmente adoráveis que nos remetem as melhores passagens instrumentais de discos clássicos do Camel. A música chega a um clima mais sombrio com um uso de mellotron maravilhoso – inclusive mellotron é um dos instrumentos dominantes do álbum e consegue evocar muito bem o sentimento nostálgico proposto. Voltando para passagens mais animadas e que lembram a cena de Canterbury, a faixa apresenta excelentes solos de sintetizadores analógicos. Esta é daquele tipo de música de onze minutos que em momento algum parece se arrastar, muito pelo contrário, parece curta. 

“Willowglass” parece muito ter sido tirada de um disco do Steve Hackett – mais precisamente dos seus quatro primeiros lançamentos. Mais curta, com apenas quatro minutos, é uma faixa belíssima com um uso suave de flauta, mellotron e violão. Se antes de conhecer esta música, alguém a me apresentasse como sendo uma nova faixa do Steve Hackett, eu compraria a ideia facilmente. 

“The Maythorne Cross” tem um começo em que eu como um bom fã da Van der Graaf Generator não podia deixar de notar certa semelhança, porém, não é algo que dura por muito tempo. A entrada de mellotrons mais uma vez torna a música mágica. Novamente uma faixa de mais de dez minutos, mas que não parece ser tão longa, graças principalmente a sua variação de climas e temas explorados. Pode ser dividida melhor em duas partes, onde a primeira segue uma linha mais lenta, mais renascentista e um ótimo trabalho de flauta, enquanto que a segunda metade soa um progressivo sinfônico liderado por solos contidos de guitarra que mais uma vez lembram o estilo de Steve Hackett. 

“Book Of Hours” é mais uma ótima composição com a cara do progressivo inglês produzido nos anos setenta. A primeira banda que me vem em mente com certeza é o Genesis, principalmente suas passagens acústicas que soam como algo entre as encontrada em “Super’s Ready” e “Musical Box”. Após uma introdução flutuante, a faixa voa em direção a uma sonoridade na linha do Camel em seus momentos mais oníricos. O solo de violão clássico no final é perfeito para conduzir disco para o épico de encerramento. 

“The Labyrinth” com os seus quase dezessete minutos é a faixa mais longa e que também finaliza o álbum. É a mais diversificada e de constante mudança, apresentando as seções mais suaves de todo o álbum, mas também os momentos de mais agressividade. A jornada é simplesmente incrível através de muitas mudanças de humor, sons e até mesmo imagens – levando em conta que se trata de um som bastante imaginativo. Muito hipnotizante, a beleza alcançada na faixa é de um grau que faz com que o ouvinte uma fez prisioneiro dela, não queira mais ser libertado. Rock progressivo sinfônico moderno do mais alto nível. 

Desenvolver um disco de música instrumental nunca é uma tarefa simples, mas Andrew Marshall tem um grande talento para compor músicas emocionantes e envolventes. O único ponto realmente fraco no disco ficou por conta da bateria que é muito monótona, parecendo que Dave Brightman toca de forma entediada, principalmente se a gente for comparar com a maneira inspirada com que Andrew toca os demais instrumentos. Não é algo que chega a prejudicar o disco propriamente dito, mas acho que vale uma reclamação. No mais, Book of Hours soa muito inspirado como uma coleção fluida de temas sinfônicos, além de belas passagens instrumentais.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Book Of Hours

Álbum disponível na discografia de: Willowglass

Ano: 2008

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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