Resenha

Frames

Álbum de Oceansize

2007

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

31/10/2020



Música variada indo do pop ao progressivo com muita destreza

Creio que todos aqueles que gostam de música progressiva e de post rock já devem conhecer a banda Oceansize. Frames é o terceiro álbum e o seu lançamento da confirmação da maturidade da banda. Os dois discos anteriores – os quais eu já resenhei aqui no site – haviam recebido inúmeros elogios de público e crítica especializada e Frames só veio confirmar que a banda merecia todas essas palavras. 

Caso você conheça algum dos dois álbuns anteriores, provável que também tenha a mesma impressão que tive na época em que ouvi Frames pela primeira vez, ou seja, aqui não se trata de um disco tão “louco” como seus predecessores e que também são bem mais complexos e de músicas que caminham por várias direções diferentes. Frames é sem a menor dúvida o álbum de uma maturidade concreta de uma banda que preferiu não correr riscos, mas encontrou o caminho para escrever um álbum mais profundo que seus discos anteriores. O que eu quero dizer aqui é que mesmo que a música não seja tão “estranha” e complexa, o lado atmosférico atingido pela banda foi incrível e até mesmo mais acessível. 

O disco tem início através da faixa “Commemorative T-Shirt”, uma música que soa bastante na veia do Porcupine Tree. No começo o ouvinte pode até mesmo ter uma sensação de estar ouvindo os discos Deadwing ou Fear Of A Blank Planet. Os vocais estão muito parecidos com Steven Wilson. Mas claro que a banda também soa de sua maneira peculiar. “Unfamiliar” traz à mente Alex Lifeson e Rush, conforme ela vai ganhando vida com seus acordes poderosos que podem ser associados ao trio canadense. Outros elementos de bandas antigas como King Crimson e Pink Floyd também são bem visíveis. 

“Trail of Fire” é uma faixa que poderia facilmente ter sido um single melódico se a rádio FM ainda fosse uma força dominante na indústria – pra ser perfeita pra isso só acho que deveria ser menor. Tudo é bem organizado, muito acessível comercialmente, bem construída e de vocais excelentes. “Savant” é um drama gótico e que se inicia através de um oboé sintetizado que eventualmente se expande em uma sinfonia de rock completa, com toques de Smashing Pumpkins – algo que eu não esperava – em boa medida. 

“Only Twin” é outra das faixas de maior destaque. Seu som pode remeter ao cinismo sombrio existente em ideias musicas do Roger Waters – em carreira solo.  Uma faixa sombria e temperamental. Maravilhosa. “An Old Friend of the Christies” é uma das duas músicas do álbum que ultrapassam os dez minutos. Começa com uma marcha fúnebre de influência gótica, evocando uma atmosfera de destruição antes de explodir. A banda nesta faixa mudou um pouco as influências e teve como espelho uma linha mais experimental e desafiadora como a encontrada no RIO e Zeuhl, bandas como Magma, Univers Zero e Art Zoid vêm imediatamente à mente conforme a música se transforma em uma verdadeira obra-prima. 

“Sleeping Dogs and Dead Lions” começa de uma maneira mais pesada e é dominada por guitarras. Isso me fez lembrar algo do King Crimson. Sem dúvida é a música menos palatável do álbum – embora eu adore – e de uma linha até mesmo vanguardista. “Frames” é a faixa que finaliza o disco e o faz de maneira brilhante. Começa de forma bastante inócua com pouco mais do que uma guitarra solitária tocando silenciosamente. Em seguida, camada sobre camada e um elemento é introduzido por vez e a música vai sendo emoldurada. Se durante todo o álbum o que sobressaiu foi uma sensação de angustia, para finaliza-lo a banda escolheu uma melodia edificante lindamente sinfônica. 

Apesar de durante a resenha ter sido citado vários nomes, é bom deixar claro que a Oceansize soa aqui tão genuína como nos seus dois trabalhos anteriores. Oceansize é uma banda que mostra muita confiança no que faz. Frames é um disco de extrema classe e de música variada indo do pop ao progressivo com muita destreza.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Frames

Álbum disponível na discografia de: Oceansize

Ano: 2007

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 2 votos

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