Resenha

Imaginary Friends

Álbum de A.C.T

2001

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

23/10/2020



Imaginary Friends é o rock progressivo em uma atmosfera alegre e edificante

Imaginary Friends é o segundo álbum da banda sueca A.C.T. O disco segue uma linha conhecida por quem já é familiarizado com a banda, música de ritmo sempre otimista, enérgicos e muitas vezes rápidos com arranjos limpos e precisos. Há um uso frequente de seção de cordas com violino e violoncelos, principalmente em transições de passagens mais silenciosas. Os riffs de guitarra possuem uma combinação equilibrada de estilos. O álbum é composto por seis faixas individuais e mais oito que formam um épico. 

“Take It Easy” é a faixa que dar início ao álbum. Começa com uma excelente combinação entre teclado, guitarra, bateria e baixo em um ritmo rápido e pulsante, além de uma melodia agradável. Quando o vocal entra na música ele cria uma nuance despreocupada e letra encorajadora que sugere que devemos pegar leve com nós mesmos e não nos obrigarmos em fazer as coisas tão depressa. Uma faixa bastante divertida e dinâmica. 

"Hippest Flop" possui um andamento um pouco mais lento que o apresentado na faixa anterior, mas mantendo a mesma nuance alegre com algumas passagens mais silenciosas durante suas transições. As harmonias vocais são muito boas e a música perfeitamente bem arranjada. O estilo da música muda dinamicamente de forma imprevisível. 

“A Supposed Tour” é uma música de ritmo forte e que traz com ela um forte sabor progressivo durante a sua abertura, com um destaque para a quebra de andamento em que piano e violino fazem um belo trabalho por alguns segundos. A estrutura combina batida otimista e lenta sempre de forma brilhante. Quando atinge a ponte de transição a faixa desacelera de forma melódica com ótimo trabalho de violino. Esta composição é toda boa, pois ela consegue ser precisa e bem arranjada do começo ao fim. 

“Biggest Mistake” é a mais longa do álbum com seus quase oito minutos de duração. Musicalmente está faixa oferece um fluxo contínuo com alguma mudança repentina ou variação entre uma passagem complexa e mais silenciosa – sempre executada de maneira alegre. “Imaginary Friends” coloca um tempero no álbum um pouco diferente do encontrado até o momento. A batida da música é mais lenta, embora como sempre em uma harmonia otimista. É possível encontrar até mesmo algum componente de reggae nesta faixa. “She/Male” começa com um solo simples de bateria seguido por uma linha enérgica de guitarra. O vocal então entra sobre uma cama bastante agradável de piano. Esta faixa tem uma sonoridade muito edificante do começo ao fim. 

Agora é a hora do épico “Relationships - The Long One", representado pelas próximas oito faixas do álbum. “At The Altar” tem apenas cerca de quarenta segundos, bastante melódica, ótimo vocal e arranjos de cordas que flui perfeitamente para a faixa seguinte. “Svetlana”, uma faixa otimista - perdi as contas de quantas vezes usei essa palavra nessa resenha – com algumas nuances que lembram ao Cast – banda mexicana de rock progressivo, principalmente por conta dos trabalhos de piano e teclado. Tanto o solo de violino quanto de guitarra no meio é excelente e fica mais valorizado ainda por conta do acompanhamento orquestral. O final da faixa explora muito bem o uso de violino/violoncelo e piano. "No Perspective" é mais uma faixa bem curta com pouco mais de um minuto. O estilo de canto é algo mais comum em óperas, porém, aqui ficou ótimo. Ela é uma boa ponte para a alta energia melódica da próxima faixa. Second Thoughts tem quase um minuto, mas possui uma levada forte e um trabalho de guitarra maravilhoso. Novamente a fluidez para a faixa seguinte é muito boa. “Mr. Unfaithful” possui a introdução mais empolgante de todo o álbum. Riff pesado de guitarra, bateria sólida, baixo pulsante e uma orquestração bem acabada. Essa música é uma maravilha, principalmente os trabalhos de guitarra e teclado. Entre rajadas e carícias instrumentais a banda constrói um dos melhores momentos do disco. “Gamophobia” é mais uma das faixas curtas que servem como pontes através de uma sonoridade atmosférica. “Little Beauty” é uma música lindíssima, muito bem elaborada e com uma excelente abertura ao piano seguido por um ótimo vocal. As passagens suaves com solo de violino e teclado são impressionantes, sem dúvida uma bela música. “And They Lived Happily Ever After” que encerra o épico tem muito espaço vazio ou alguns barulhos – que eu que eu nunca consegui entender com que propósito -, a primeira parte soa mais interessante do que a parte final que não parece muito o tipo de música que a banda costuma tocar, executada suavemente com notas baixas no vocal aumentada com violino, violoncelo e teclado. Não é ruim, mas o disco encerrou com a sua faixa menos empolgante. 

No geral é um ótimo álbum, onde o ponto “fraco” é o épico, pois ele não me parece soar coeso, mesmo que cada faixa individualmente seja excelente – exceto a última. Pra mim, soa mais como uma coleção de canções em vez de um épico. Mas de qualquer forma, considero um ótimo disco. Um rock progressivo de atmosfera alegre e edificante.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Imaginary Friends

Álbum disponível na discografia de: A.C.T

Ano: 2001

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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