Resenha

Snowtorch

Álbum de Phideaux

2011

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

22/10/2020



Compacto e sem espaço para pontos fracos, onde cada segundo é um deleite sonoro

Phideaux é uma das minhas paixões no progressivo contemporâneo. Liderada pelo genial multi-instrumentista Phideaux Xavier, a banda tem em sua discografia, verdadeiras joias do rock progressivo da era moderna. Após o lançamento de duas verdadeiras obras-primas, Doomsday Afternoon e Number Seven, a banda lançou Snowtorch e que pra mim finalizou a trilogia das maiores excelências da discografia do grupo. Todas as marcas registradas do som da banda estão presentes no álbum, uma grande combinação vocal de tom único de Phideaux com lindos vocais femininos, belíssimas melodias de piano, passagens de violão, grande influência nos pioneiros do progressivo, mas sempre mantendo um toque moderno singular, as letras peculiares, mas altamente inteligentes, tecendo sempre várias passagens musicais diferentes com grande facilidade e muito mais. Tudo isso feito sempre com perfeição. 

O disco começa com “Snowtorch - Part One”, um épico com quase vinte minutos de duração e apresenta tudo que faz da experiência de ouvir esta banda algo tão maravilhoso. Começa bastante devagar, mas vai aumentando de intensidade de forma magnífica. Toda a banda está tocando maravilhosamente bem. Particularmente eu amo a seção instrumental com cerca de seis minutos onde a banda meio que parece acenar na direção do Gentle Giant através de alguns excelentes teclados e guitarras vintages.  Depois há uma seção instrumental onde quem tem a chance de brilhar entre a mistura sinfônica são os instrumentos de sopro. O que segue são algumas seções simplesmente majestosas com uma ótima melodia de teclado em primeiro plano. Mas tenho que ressaltar que por volta dos treze minutos é a minha seção favorita do álbum – e talvez até mesmo de todo o catálogo musical da banda. Começa com um medley de piano acompanhado de violino e algumas vocalizações excelentes. O piano começa a tocar uma melodia belíssima, diria que com uma reminiscência em Neal Morse e que traz uma sensação de estar flutuando no espaço. Em seguida o piano se transforma e uma linha rápida e peculiar que pode trazer à mente do ouvinte o Emerson, Lake & Palmer em seu estado mais furioso tecnicamente. Palavras às vezes faltam pra definir esta passagem instrumental fenomenal que ainda se constrói em uma direção quase funky que inclui até saxofone. Os teclados, violino e saxofone ao longo de um pano de fundo sólido de bateria e baixo tornam esta música mágica. Uma faixa simplesmente deslumbrante. 

“Helix” faz com que as coisas abrandem consideravelmente – algo que eu inclusive agradeço depois de tudo o que foi feito na faixa anterior. Talvez esta possa ser considerada a balada do álbum e que tem como objeto dar uma pausa entre os dois épicos do disco. O que de melhor tem nesta faixa é a sensação que ela transmite, eu sinto como se eu estivesse planando enquanto escuto seus lindos vocais femininos e o violino, teclado e guitarra que os cercam. 

“Snowtorch - Part Two” começa com uma seção instrumental interessante com um grande destaque para o violão sobre uma linha instrumental quase sinfônica. Acho essa uma excelente maneira de avançarmos para a segunda metade do álbum, através de um ritmo maravilhoso e peculiar. Depois de um pouco de fade out, o violão continua a ter uma presença importante na próxima seção instrumental, que começa lentamente, mas depois entra em ação com alguns teclados intensos e uma bateria mais rápida. Só esta introdução fantástica já vale por toda a música. É maravilhoso quando a linha do teclado da primeira parte sai da seção instrumental um tanto caótica, nos levando novamente ao território familiar de Snowtorch. Não sei se acontece apenas comigo, mas por alguma razão, toda esta parte – ou até mesmo o álbum como um todo – consegue me trazer à mente A Passion Play do Jethro Tull – outro disco que eu simplesmente amo. 

O álbum termina de maneira espetacular através de uma faixa “escondida” e sem nome, trazendo de volta os temas espetaculares da primeira parte do álbum. Tem até um pequeno epílogo de uma faixa que é bastante divertida e termina o álbum com uma nota otimista, deixando o ouvinte com aquele gosto de quero mais. Com isso, se existir uma crítica que possa ser feita a este disco é que ele parece um pouco curto. Porém, ao mesmo tempo, Snowtorch é um dos pontos mais fortes da banda. Extremamente compacto, não existe espaço para pontos fracos e tem a capacidade de deixar o ouvinte impressionado do começo ao fim. Algo que sempre falo é que um trabalho não deve ser estendido apenas para preencher o maior espaço possível do CD, e certamente aqui a Phideaux mostra isso com perfeição, tendo uma noção exata do quanto tempo essa peça deve ter. Não há momento perdido e cada segundo deste álbum é excelente, onde novamente a banda consegue homenagear os artistas de rock progressivo que a influenciam (Genesis, Jethro Tull, Gentle Giant e etc), mas criando um som todo seu que e extremamente exclusivo. Nada menos do que essencial.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Snowtorch

Álbum disponível na discografia de: Phideaux

Ano: 2011

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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