Resenha

Que Alegria

Álbum de John McLaughlin

1992

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

04/10/2020



John Mclaughlin se reinventa em trio acústico!

Aos 78 anos John Mclaughlin pode ser considerado o mais importante guitarrista de jazz em atividade. O m´pusico foi um dos precursores da fusão do jazz com o rock no estilo que denominaria fusion, sendo peça essencial no antológico “Bitches Brew” de Miles Davis ainda nos anos 70.

Mas ao contrario de muitos colegas de instrumento, Mclaughlin nunca ficou estagnado, sempre gostou de buscar outras sonoridades e novos formatos, procurando evoluir  musicalmente.

Nos anos 80, o guitarrista havia deixado de lado sua guitarra para participar de um trio acústico ao lado de AL di Meola e Paco Delucia e deve ter tomado gosto pelo formato, pois iniciaria a década seguinte com seminal “Concert For Guitar’ & Orchestra, The Mediterran”, ao lado da London Simphony Orchestra”

Faltava a John utilizar o violão ao lado de uma banda, mostrando a sua visão do instrumento do ponto de vista mais jazzístico e técnico. O musico vinha se apresentado ao vivo com seu violão em formato de trio, acompanhado do percussionista indiano Trilok Gurtu e alternando os baixistas Kai Eckhardt e Dominique Di Piazza. 

Então o guitarrista escolheu o formato de trio para sua próxima gravação, utilizando Gurtu e di Piazza (Eckhardt participa de duas faixas). O trio rumou para o estúdio Bauer em Ludwigsburg, a sudoeste da Alemanha no final de novembro de 1991 para realizar as gravações que foram finalizadas em apenas quatro dias.

O próprio Mclaughlin assumiu a produção, e optou por usar tecnologia de ponta na época, utilizando aparato digital e conseguindo uma clareza absurda nos temas e na mixagem.

A sonoridade apresentada é diferente de tudo que o guitarrista havia feito até então: Mclaughlin se apresenta utilizando o violão acústico, porém utiliza interface midi de um captador externo para preencher os temas com sons de sintetizadores e criar ambiências. Trilok, por toda sua vivência e bagagem musical tem uma convivência exótica com seu instrumento, utilizando instrumentos percussivos indianos adaptados a uma bateria adaptada, criando uma sonoridade completamente atípica e original.

Di Piazza é um baixista que sempre privilegia a melodia, apesar de sua técnica e senso melódico apurado como pode ser visto na curta “Marie” (um solo de baixo extraordinário).

O álbum inicia com a releitura de “Belo Horizonte”, uma dos grandes temas de Mclaughlin, presente no disco homônimo de 1981. De cara percebe-se a integração do trio, que executa os temas com enorme fluência em clima de Jam session. O fato de tamanha interatividade se deve ao fato do grupo já estar na estrada se apresentando antes das gravações. 

A faixa seguinte, a cadenciada “Baba” tem uma base influenciada pelo blues, onde Mclaughlin utiliza alguns sons sintetizados de hammond e o percussionista Gurtu mostra toda sua técnica peculiar e sincopada;

Outros destaques: Uma nova versão para “Reincarnation”, outra de suas composições. Kai Eckhardt mostra toda sua fluência no baixo fretless, fazendo uma mediação entre o violão de John e a tabla de Trilok;

A faixa titulo, que soa dinâmica e apresenta váras alterações rítmicas com o guitarrista utilizando diversos sons de sintetizadores sobrepondo suas linhas de violão; e “Mila Repa”, com sua sonoridade lenta e atmosférica, com adesão de diversos instrumentos percussivos criando uma ambiência típica de trilha sonora;

“Que Alegria” traz um John Mclaughlin renovado e em constante evolução. Lançado em 1992, o álbum conseguiu a 5ª colocação no top 10 de melhores álbuns de jazz contemporâneo da Billboard.


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Sobre o álbum

Que Alegria

Álbum disponível na discografia de: John McLaughlin

Ano: 1992

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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