Resenha

White Snake

Álbum de David Coverdale

1977

CD/LP

Por: André Luiz Paiz

Webmaster

28/09/2020



O primeiro passo de uma nova trajetória

Com o final da turnê de "Come Taste the Band" em março de 1976, o Deep Purple interrompeu as atividades e ficou um bom tempo fora de cena. Como David Coverdale estava apenas no início de sua carreira e com muito sangue musical em suas veias, sua primeira tentativa foi como artista solo, em seu primeiro disco chamado "White Snake", nome que acabou virando inspiração para a sua futura banda.

"White Snake" mostra Coverdale como um artista pronto para explorar tudo o que aprendeu com os mestres da sua antiga banda. Fortemente influenciado pela nova abordagem do Deep Purple durante a sua permanência, aquela que incorporou elementos do blues, funk e soul em seu material, tentou seguir o mesmo caminho aqui e, embora tenha demonstrado ainda sinais de imaturidade, este fator foi compensado com talento.

Produzido por Roger Glover (Purple) e com o guitarrista Micky Moody (Juicy Lucy) como seu escudeiro - aliás, parceria com grandes guitarristas virou característica das composições e álbuns de David - "White Snake" traz nove faixas que focam no blues rock, trafegando pelas vias sonoras do R&B, soul e um pouco de funk. Álbum no qual é possível curtir bons momentos.
"Lady" abre contrariando as super potentes faixas de abertura do Purple. Um bom R&B, trazendo uma faceta mais leve da sonoridade de seus álbuns junto ao Purple, mas com agito. "Blindman" é seguramente a melhor faixa do disco. Um blues rock pesado e denso, mostrando todo o talento de David. Aliás, a faixa acabou sendo regravada pelo próprio Whitesnake mais adiante. "Goldies Place" segue focando no R&B, assim como na faixa de abertura, porém agora mais bluesy e puxando um pouco para o soul, sem muito destaque. A faixa "Whitesnake" faz novamente o nível subir e também se coloca como uma das melhores. O mais legal é que ela é a que mais mostra o caminho que sua futura banda viria a seguir. Um belo hard.
Virando a bolacha, "Time On My Side" abre com um pianinho suave e depois cresce com um riff de guitarra para uma faixa um pouco mais agitada. Acaba não se destacando por ser uma composição sem brilho. "Peace Lovin’ Man" suaviza as coisas em uma balada focada no soul e com aquela sonoridade gospel, cheia de corais. O destaque aqui é o vocal de David, embora a melodia também seja legal. "Sunny Days" parece ser uma referência ao período em que o vocalista esteve no Deep Purple. É uma faixa mais acelerada e traz um rock conduzido pelo piano, metais e tem seus bons momentos, porém sem muito brilho. Chegando próximo do final do disco, temos duas das faixas que menos se destacam. "Hole in the Sky" é um embrião de um talento de David que viria a crescer no futuro: compor baladas. Aqui, mais um pouco de soul e uma sonoridade mais densa e sonolenta. Por fim, "Celebration" traz um pouco de agito em um funk com um quê de jazz meio sem sentido. Totalmente desconexa e parece uma tentativa de chegar próximo de "You Fool No One", do álbum "Burn".

O pessoal que acompanha David no instrumental desempenhou um ótimo papel, com destaque para o baixo (DeLisle Harper e o próprio Glover) e a bateria do grande Simon Phillips.

Como um disco de estreia e por representar uma nova fase na carreira de David Coverdale, principalmente na intenção de desenvolver o seu lado compositor, "White Snake" traz alguns equívocos, mas mostra indícios de um grande talento em desenvolvimento. “Blindman”, “Whitesnake” e “Peace Lovin’ Man” estão aí para comprovar.


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Sobre o álbum

White Snake

Álbum disponível na discografia de: David Coverdale

Ano: 1977

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3 - 1 voto

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