Resenha

Fracmont

Álbum de Messiah

2020

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

28/09/2020



Depois de 26 anos, o Messiah ressurge dando uma aula de música extrema

A alegria em saber que o velho Messiah retornou com um novo álbum depois de 26 intermináveis anos, é algo que somente os que acompanham o grupo podem descrever.
Melhor ainda constatar que após tanto tempo a estrutura não encontrou sequer uma rachadura. As paredes estão intactas e o artefato alem de trazer uma ilustração digna de Oscar, não deixa pedra sobre pedra, como se o tempo fosse congelado. O que quero dizer com tempo congelado é que a banda a exemplo do Death de Chuck Schuldiner, teve sua linha evolutiva galgando degraus até chegar no ápice de Rotten Perish (1992) e finalizar o seguimento com Underground (1994), discos que traziam uma bagagem ultra técnica sem deixar o virtuosismo distorcer o resultado. Demostrando a mesma pegada dos anos 90, como uma sequencia natural onde somente a qualidade da gravação pode ser levada em conta como discrepância.

"Sacrosanctus Primitive" inicia-se com instrumental dedilhada em violão, e como concerne o título, com vozes sacras e arranjos perturbadores de tão lindos. Épica de um jeito que poucos grupos encontrariam tal formula. Após a quase vinheta, vem a faixa homônima a beber todas as influências de Rotten Perish em produção melhorada. Seu começo death vs doom articula no intermédio em partes rápidas para retornar ao tema inicial e ficar nessa gangorra de emoções que só o Messiah e mais uns quatro ou cinco grupos privilegiados conseguem alcançar. Os demais tentam, porem, morrem na praia do tédio. Não obstante, os solos, coros sinistros e outros ornamentos são inseridos para dar o verniz final.

"Morte al Dente" não foge do espectro assombroso e recorda momentos de And Justice for All (Metallica). Encontrando repouso somente no interlúdio.

O lado arrastado de "Urbi et Orbi" engana por alguns segundos e a porradaria come solta em solos na velocidade do som, alguns bem no esquema de Andreas Kisser com o recém lançado Quadra. Dessa forma "Urbi et Orbi" desenrola entre a cadencia e a porrada, que é a marca registrada do Messiah.

"Singularity! captura toda a raça de riffs definida na carreira do Sepultura e enfia em nossas caras outra tijolada. Até o momento (metade do álbum), deixo as dúvidas de lado quanto a Quadra de Sepultura e Titans of Creation do Testament como os melhores lançamentos do metal extremo em 2020. Com os olhos arregalados percebo que estou diante de um candidato imbatível para o estranho ano de 2020.
"Children Of Faith" consagra os amantes de Leprosy (Death), assim como faz "Dein Wille Geschehe" e "Miracle Far Beyond Desaster", ambas de estrutura rítmicas similares.

Com "My Flesh - Your Soul" a técnica absurda de Steve Karrer faz qualquer baterista sentir-se um nada ou querer morrer abraçado com o instrumento, a fim de alcançar tal nível.

O final com "Throne of Diabolic Herectics" tem um trecho de alguns segundos de "Ave Maria" e cai em riffs da velha escola do black metal, intercalando a dissonância desses, com solos de timbres limpos e muito bom gosto. Categoricamente eles abandonam tudo o que foi citado sobre o black metal e partem para o doom preservando a harmonia dos primeiros solos, como se possuíssem um interruptor de liga e desliga para entrarem em qualquer estilo sem que isso pareça complexo. Ao fim, o órgão de igreja dá o tom final as vozes do retornante trecho de "Ave Maria".

E ... Ave Maria, como esse disco é bom! Tão bom que se eu desse uma nota menor que a máxima, teria que praticar auto flagelo por um ano, escutando a discografia do Creed.


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Sobre Marcel Dio

Nível: Colaborador Sênior

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Sobre o álbum

Fracmont

Álbum disponível na discografia de: Messiah

Ano: 2020

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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