Resenha

Tatoo You

Álbum de The Rolling Stones

1981

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

29/08/2020



A colcha de retalhos que virou clássico

A verdade nua e crua, é que Tattoo You só existe por causa de um estoque de canções que foram reaproveitadas, ou seja, nasceu meio nas coxas e pela obra dos deuses, virou clássico.
Um catadão nas caixas empoeiradas e deu no que deu.
 
Ao meio de tantas canções engavetadas, da maior parte só se usufruiu a ideia central e os vocais, esses regravados. Mesmo assim, imagine o tempo aproveitado e a alegria de atingir o topo das paradas americanas?. De quebra lançou a "Satisfação" número dois, seu nome ? - "Start Me Up" - canção de riffs simples que  tornou-se hino.
E pensar que por pouco não foi abandonada?, na realidade um descarte do álbum Black and Blue sob o nome "Never Stop", ao que temos a versão fiel, basta puxar no YouTube e perceber que são poucas mudanças entre a original. Ganhou sim, um novo sopro com arranjos melhorados, apesar do refrão quase intacto.
Tattoo You é dividido basicamente entre as mais agitadas na primeira parte, e no Lado B, as ditas: baladas. 

A energia continua pós "Start me Up", agora com "Hang Fire", na melhor simplicidade dos Stones.
"Slave" tem andamento na base do: não sai daquilo, cujo o mérito reside no saxofone e piano, bem como brincadeira feita em estúdio e que após retoques, virou produto final, nesse caso, produto temporão.

"Little T&A" cantada por Keith Richards, é a revelação de suas aventuras com groupies. Surpreende pelos bons riffs e a ousadia da letra.

Em "Black Limousine" o blues de cabeceira vem com tudo, revigorado e com direito ao complemento de gaitas e solos bem aplicados.

"Neighbours" fecha a sequencia da parte A com muito groove, solos de saxofone e timbre roncadão no baixo de Bill Wymam, a impressão é que Bill utiliza um baixo fletless.
Era para ser bem melhor, não fosse a bateria manter a levada que por ora tira a gente do sério e destoa pela "altura" da caixa. Faltou tempero no arroz e feijão sempre competente de Charlie Watts.

"Worried About You" tem similaridade nos vocais de Emotional Rescue, mas sem a habilidade da antecessora. No mais, aproveitem seu magnifico solo de guitarra.

"Top" fica como a queridinha de muitos e minha também, toda a referência e carimbo dos Stones estão nela. E dessa vez o tempero que faltou na bateria de "Neighbours" é encontrado e o "gosto' fica pelo  perfeito.

"Heaven" é uma das canções mais estranhas e legais dos Stones. Impossível não repetir a dose por pelo menos três vezes seguidas, e não se deliciar com a profundidade de suas guitarras e leveza dos vocais. É flutuante e viajante, de batida única e perfeita.

Por fim, temos a excelente "No Use in Crying" e a derradeira "Waiting on a Friend", a balada com B maiúsculo !!, carregada de chorus e a simplicidade do folk. Embora o estilo folk não faça o uso tão frequente do saxofone. 
Sobre a música, Mick Jagger diria em uma entrevista em 1993 o seguinte: “Isso é das sessões de Goats Head Soup, todos nós gostamos na época, mas não tinha a letra. Além dos vocais, ficamos presos ao incrível solo de saxofone de Sonny Rollins no final. As letras que adiciono são muito gentis e amorosas, sobre a amizade na banda. Pelo menos eu pensei que era isso". 
Há ainda o clip de "Waiting on a Friend" no qual Jagger aparece sentado na frente da mesma casa usada para a capa de Physical Graffiti do Led Zeppelin, e conta com a participação de Peter Tosh.

Tattoo You foi a tábua da salvação para os Stones nos anos oitenta, reforçada pela excelência Steel Wheels. O intermédio dessa fase, não tem muito prestigio, pois Undercover e Dirty Work são trabalhos questionáveis.


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Sobre Marcel Dio

Nível: Colaborador Sênior

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Sobre o álbum

Tatoo You

Álbum disponível na discografia de: The Rolling Stones

Ano: 1981

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,72 - 9 votos

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