Resenha

Bernard & Pörsti: Gulliver

Álbum de The Samurai Of Prog

2020

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

25/08/2020



A The Samurai of Prog no seu apogeu

Eu sou suspeito para falar do projeto The Samurai of Prog e que chega ao seu oitavo álbum mantendo a mesma consistência de sempre - na verdade, soando melhor do que nunca. Além do baixista e idealizador Marco Bernard, aqui nós temos também o baterista Kimmo Pörsti como músico em todas as músicas. 

Gulliver, é uma apresentação de rock progressivo muito bem conduzida em cima da famosa história, “As Viagens de Gulliver”, do escritor irlandês, Jonathan Swift. Para quem não conhece, “As Viagens de Gulliver” se trata das histórias vividas por um médico cirurgião e aprendiz de navegação que parte da Inglaterra e após uma forte tempestade, que resultou em um naufrágio, é carregado para uma ilha, onde vivencia uma série de acontecimentos com povos bastante diferentes. Assim, Gulliver usa suas anotações para narrar minunciosamente todos os momentos dessa aventura surreal. Neste disco, além dos já citados, Steve Unruh – voz e violino - também lidera a banda e orquestra de músicos talentosos que ajudam a dar vida a essa história. 

O álbum começa da maneira clássica que podemos esperar do início de um disco conceitual, através de “Overture XI”. Inicia-se com o que me parece ser um cravo, seguida por uns rufos de tambores, flauta e flautim, demais instrumentos vão sendo adicionado e criando uma crescente e belíssima paisagem sonora. O trabalho de órgão é sublime, linhas sólidas de baixo e uma suave guitarra. Um começo de disco maravilhoso, progressivo e com alguns momentos de influências jazzísticas. 

“Lilliput Suite” é um épico de quase dezoito minutos que começa de uma maneira bem mais frenética. Mellotron, órgão e uma guitarra bastante inspirada. Ao ouvir a voz de Marco Vincini é difícil de não lembrar de Peter Gabriel – impressionante como tem vocalistas no progressivo que soam como ele -, mas é algo de se esperar, já que de certa forma, toda a produção do álbum soa como o Genesis clássico com esteroides, o que pra mim, acaba deixando o resultado maravilhoso. Um dos acréscimos mais importantes nesta faixa é a flauta, suas intervenções são importantíssimas para que a música prossiga de uma forma muito condizente com a narrativa e haja a criação de um ambiente primordial. No fim, o que temos aqui é uma sensação verdadeiramente de um progressivo perfeito, onde além dos instrumentos tradicionais, também é encharcado de violinos e instrumentos de sopro. 

“The Giants” começa com um solo de guitarra bastante sutil e inspirado, acompanhado por teclados, os demais instrumentos vão encorpando a música até que ela ganha um ar épico por conta da sonoridade mais enérgica. A maneira como é desenvolvido os trabalhos de cordas, orquestrações e pianos são simplesmente perfeitos, principalmente quando misturados a uma linha profunda de baixo. Uma faixa instrumental maravilhosa. 

“The Land of the Fools” começa através de um som mais direto e menos complexo de guitarra, baixo, bateria e teclado. A bateria às vezes destaca-se e me faz lembrar um pouco ao estilo de Phill Collins. Devo admitir que não gosto muito dos vocais – feitos por Daniel Fäldt da banda Simon Says -, eles não parece encaixar muito bem com as letras. Mas onde a faixa realmente brilha são em suas extensas seções instrumentais com muita versatilidade e nuance, lembrando em alguns momentos a The Flower Kings. Destaque também para uma seção delicada de piano tocada em um molde meio clássico e meio jazzístico. A música vai aos poucos regressando e ganhando a forma progressiva sinfônica, antes de voltar novamente ao piano e em seguida receber os últimos versos – os melhores da faixa – em um ritmo mais ameno. O solo final de guitarra também edifica bastante a música. 

“Gulliver's Fourth Travel” começa com pianos inspirados que logo são acompanhados por uma performance de violino belíssima. O vocalista e violinista Steve Unruh compartilha os vocais bilíngues com Stefano Galifi do Museo Rosenbach. Trata-se de mais uma peça bastante dinâmica e a que mais mostra a linha progressiva italiana entre todas as faixas. Inegável que o violino é o instrumento que mais se destaca aqui. Bastante dramática – a mais de todo o álbum -, não é difícil de notarmos uma reminiscência genesiana de seu período clássico – com Peter Gabriel nos vocais. 

“Finale” como o nome sugere é a faixa que finaliza o disco, sendo também a mais curta. Começa de uma maneira que me faz lembrar um pouco ao Emerson, Lake & Palmer. Possui uma excelente atmosfera que cria muito bem um grande final para o álbum – principalmente devido ao trabalho do sintetizador e órgão. 

Apesar de ser um disco que conta com mais de vinte músicos envolvidos – somente tecladistas são seis -, no final sua música soa bastante coerente. Acho que amantes de bandas como Genesis e Kansas – pra citar apenas duas – que seja menos saudosista e se disponha em dar chance ao novo, não vai se arrepender ao ouvir Gulliver, pois trata-se da The Samurai of Prog no seu apogeu.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Bernard & Pörsti: Gulliver

Álbum disponível na discografia de: The Samurai Of Prog

Ano: 2020

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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