Resenha

Heartland

Álbum de Indra Rios-Moore

2015

CD/LP

Por: Roberto Rillo Bíscaro

Colaborador Top Notch

23/08/2020



Sem medo de personalizar clássicos de Pink Floyd e Bowie

Indra Rios-Moore tem nome de divindade indiana e é filha de porto-riquenha e afro-sírio-americano, baixista de jazz. Estudou vocalização lírica, participava de acampamentos, onde se praticava música balcânica e cresceu na multicultural Nova Iorque.
Enquanto trabalhava como garçonete, Indra conheceu o saxofonista de jazz dinamarquês Benjamin Traerup. Logo estavam casados e desde então, a moça vive a chata vida de se dividir entra a Nova Roma e a pobre Escandinávia. Seus músicos de apoio são todos da região, onde faturou prêmios e excursiona sempre.

A aderente mania de catalogar, enquadra Rios-Moore como cantora de jazz, mas seu som aglutina muito mais que apenas o que se convencionou imaginar como clichê jazzístico. Claro que há muito saxofone – uma das marcas de certa facção do subgênero – e sua divisão no cantar é de grande do jazz, porém, seus dois álbuns aventuram-se com muita competência até por terrenos art-rock, conseguindo transformar em seu, clássicos de alguém tão personalista quanto David Bowie. E, caso você não conheça como o Camaleão inovou em seu auge, acredite, o que Indra fez é muita coisa. Presente no álbum Heartland, até predatou o canto de cisne de Blackstar.

O onipresente sax do maridón introduz o esparso início de Heroes, que Rios-Moore despiu e deixou praticamente irreconhecível a não ser que você entenda a letra. Embora haja elementos de free jazz, aquilo tem art-rock no DNA.

A moça é atrevida. A versão de Money, do Pink Floyd, mantém a estrutura melódica, especialmente no baixo e na guitarra acentuadamente mais bluesy. Mas, Indra também resgatou a canção para si. Não é o caso de procurar melhores, mas de reconhecer que a cantora nos apresentou outra grande possibilidade de desfrutar o clássico de Dark Side Of The Moon.

Território de jazz tradicional só mesmo o encerramento Solitude, que volta ao Duke Ellington, dos anos 1930. Talvez por influência da mãe latina, Indra tenha tido contato com boleros e isso se traduz em Hacia Donde. Por qualquer língua e subgênero que tateie, a norte-americana se sai bem, até mesmo cantando em algum idioma africano, em Oshun.

From Silence pode agradar quem ama folk, alt country e o sentimento spiritual, entre gospel e R’n’B, está em números como Little Black Train, Your Long Journey e Blue Railroad Train.

Com voz tão educada e expressiva, os arranjos têm mesmo que evidenciá-la e a releitura de What Becomes Of a Broken Heart é tão esparsamente sublime que lembra a intensidade quieta das Trinity Sessions, dos Cowboy Junkies. Indra Rios-Moore está na mesma liga de bambas como Lizz Wright e Margo Timmins.


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Sobre Roberto Rillo Bíscaro

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Sobre o álbum

Heartland

Álbum disponível na discografia de: Indra Rios-Moore

Ano: 2015

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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