Resenha

As Aventuras Da Blitz

Álbum de Blitz

1982

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

24/07/2020



Um fenômeno musical que deixou saudades

Em 1982 era apenas um pivetinho de três anos, não peguei a febre ou o fenômeno da Blitz, sim, o final dessa onda que ainda atingia as rádios por volta de 1987/88. Cansei de tanto ouvir Você Não Soube Me Amar, Mais Uma de Amor, A Um Passo do Paraíso ou Bete Frígida.
A Blitz caiu no gosto do povo e das rádios, fazendo também grandes shows no Circo Voador, contudo, tiveram repulsa dos grandes produtores da época, a exceção de Mariozinho Rocha, que por sorte era uns dos cabeças da EMI. Desse modo, o single “Você Não Soube Me Amar” vendeu 500 mil cópias, e o disco consequentemente estourou.

Ouvi a bolacha hoje, é, o vinilzão mesmo!, o que teve a matriz riscada por pregos e segundo consta, riscado pelo próprio Evandro Mesquita e banda.
O que me deixa pasmo são os conteúdos das respectivas faixas limadas : "Ela Quer Morar Comigo na Lua" e "Cruel Cruel Esquizofrenético Blues" - a primeira nem faço ideia sobre o porquê do veto, a segunda com certeza foi pelo palavrão, um "PQP" que os censores não perdoaram.
Confira as palavras de Evandro sobre o ocorrido :
“A gente achava que censura só era para o Chico Buarque. A gente queria agradar à nossa turminha da praia, que eles se sentissem representados por uma banda. Aí tivemos essa surpresa desagradável. Foi uma ideia do Mariozinho Rocha, que foi nosso produtor do primeiro disco: riscamos com prego a master dos vinis. Aí todos saíram com aquela marca, para passar para todo mundo a agressão que a gente estava sofrendo na nossa arte”, conta.
Evandro diverte-se ainda, lembrando que, por causa disso, muitas agulhas de vitrola foram vendidas na época. As faixas danificadas estragavam a agulha. “A Gradiente até mandou presente para a gente de tanta agulha que eles venderam, mas isso foi uma atitude política também, que veio junto com o pacote todo do primeiro disco.”


Quanto ao restante do disco, tenho sensações divididas. Respeito a banda e a veia teatral, principalmente o papel do carismático Evandro Mesquita. A sensação real é que tem canções refrescantes até para quem ouve depois de tanto tempo, refrescante pelos arranjos beirando a new wave, surf music e o reggae, também as duas vocalistas no apoio a Evandro, elas mandavam bem demais. Em contraponto, as letras são um pouco tolas.
Ainda tinha o Lobão nessa turma, que alem de baterista, foi um dos fundadores e o idealizador do nome. E tão logo saiu para tentar carreira solo. Dizia que era o único músico de verdade dentro da Blitz e mais uma série de coisas, que ... sinceramente, deixa pra lá. Ao menos indicou e acertou o futuro, sabia e demonstrou em várias entrevistas que a piada perderia a graça no terceiro disco, e realmente aconteceu. Quase a mesma trajetória da contemporânea Gang 90, afetada com a terrível perda de Julio Barroso em 1984.

Talvez o alarde não saísse para o verão dos sonhos se As Aventuras da Blitz não fossem conduzidas por dois hits supremos, como : "Mais Uma de Amor (Geme Geme)" e "Você Não Soube Me Amar". Ou até mesmo nas "mais discretas" como "Vitima do Amor" e a ótima "Eu Só Ando A Mil". O restante, francamente, não são grandes coisas.

Por fim, o debut foi um bom retrato da música brasileira. Mas, a graça acabou e o retorno deles situado em duas épocas diferentes, uma nos anos 90 e outra em 2006, serviram apenas para matar a saudade das velhas canções e vê-los ao vivo.
O exemplo da Blitz pode caber até ao Mamonas Assassinas, que se não fosse pelo fatídico acidente, com certeza pegariam o mesmo rumo lá pelo segundo ou terceiro lançamento.


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Sobre Marcel Dio

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Sobre o álbum

As Aventuras Da Blitz

Álbum disponível na discografia de: Blitz

Ano: 1982

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,5 - 1 voto

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