Resenha

Fugazi

Álbum de Marillion

1984

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

19/07/2020



Identidade mais própria, mais agressiva e mais direta em relação à estreia

Este álbum certamente mostra toda a consistência do Marillion em relação sua direção musical daquele momento, ou seja, em relação ao rock progressivo. Tendo feito bastante sucesso com o seu disco de estreia, Script for a Jester's Tear, o grupo através de Fugazi demonstrou uma enorme maturidade na sua musica e composição. Certamente este disco aliviou muitas pessoas em termos de dúvidas que pareciam mais evidentes a cada audição de Script for a Jester's. Aquele receio de que apesar de uma maravilhosa estreia, tudo pudesse vir pop em seu segundo disco, mais ou menos como soava o Genesis daquele período, mas no fundo eram preocupações que poderiam ter sido evitadas, pois Fugazi não demora absolutamente nada para mostrar que a o Marillion veio para se manter como a líder de um movimento de rock progressivo que se iniciava.

“Assassing” tem um começo bastante atmosférico e em um tom meio islâmico – Fish até iria fazer isso algumas vezes em sua carreira solo -, mas depois se transforma em algo mais enérgico e animador. Essa faixa sempre me soou como aquele tipo de faixa que seria ótima de ouvir pela manhã ao acordar. Possui um belo interlúdio com uma bateria e percussão dinâmica muito bem conduzida pelo então novo baterista Ian Mosley – que já havia tocado com Steve Hackett, Curved Air. 

“Punch And Judy” traz um sentimento mais otimista do que a primeira faixa. Até o seu tamanho é bastante propício para se tocar em rádio, quase de três minutos e vinte segundos. Acho este som maravilhoso e a prova de que uma música progressiva não precisa necessariamente ter no mínimo oito minutos. Musicalmente tudo é bem desenvolvido, além de ter um refrão que considero bastante marcante. 

“Jigsaw” começa na linha de um típico rock lento, com suaves teclados e vocais, mas eis que então acontece uma explosão e com isso os demais instrumentos ganham evidência em uma melodia muito bonita. O processo entre uma linha lenta e seguida por uma parte efusiva é repetido mais uma vez antes de um solo lindíssimo de guitarra. Essa é daquelas músicas que devem ser apreciadas com o coração, se possível, ainda lhe dou a dica de um quarto escuro, definitivamente você vai conseguir tirar tudo que ela oferece. 

“Emerald Lies” é a minha faixa favorita do disco e se eu tivesse que responder hoje qual a minha favorita da banda, provavelmente a escolha seria ela também. Fish é bastante poético aqui, representando um cara que foi a uma festa com sua namorada e ele acaba vendo que a namorada flertava – ainda que inocentemente - com outros homens. A música começa com uma bateria pesada e um teclado agradável, mas logo em seguida entra em um clima mais silencioso. A você silenciosa ganha companhia primeiramente de uma guitarra rítmica e depois a bateria também entra em cena, dando mais um belo segmento para a música, tornando tudo mais enérgico. A melodia sempre flui naturalmente de um segmento para outro e a faixa é concluída brilhantemente. Dificilmente eu escuto este disco sem voltar essa música ao menos duas vezes antes de deixa-lo seguir para a próxima. 

“She Chameleon” começa com um solo de órgão bastante ameno de bela melodia – marca registrada da banda - seguido pelas primeiras frases proferidas por Fish. O vocalista demonstra uma voz pesada – no sentido emocional – nesta faixa. Possui um interlúdio bastante agradável baseado em teclado e mais um solo de guitarra muito bonito. 

“Incubus” é uma música sobre pesadelo. Além da sua característica nas composições melódicas, como música que se move dinamicamente com transições suaves de uma melodia para outra, aqui a banda apresenta uma estrutura musical muito forte e um ritmo diferente, mas claro, sem perder o seu brilhantismo. Não é de admirar que por algum tempo na época ela fosse à música mais querida nos concertos da banda. 

“Fugazi” a faixa título também é a que encerra o disco. Começa com um piano muito bem executado seguido pela voz de Fish. Algo a ser a elogiado bastante nesta faixa é a sua composição. No geral é uma peça de muita energia e bateria dinâmica e algumas linhas de baixo que mexem com adrenalina do ouvinte. A música que começa meio serena, depois cresce e faz com que o disco se encaminhe para um - aparentemente - fim inesperado através de uma sonoridade bastante otimista, porém, há uma pausa de atmosfera mais obscura seguida por batidas menos animadoras, terminando o álbum dentro do humor “dark” – principalmente lírico – do álbum. 

Este disco é um clássico por tantos motivos que eu nem sei por onde começar. A produção é absolutamente nítida, os teclados estão preenchendo o ambiente como nunca e enchendo de sentimento por onde vagueiam, baixos com linhas sólidas e variadas, deixando tudo mais interessante de ouvi-lo do que no disco de estreia, a guitarra também está bem variada, dinâmicas, flutuantes e melódicas, a questão da bateria, Ian Mosley mostrou ser um músico mais bem capacitado pra estar junto a banda e cumpriu o seu papel muito bem, até porque, nenhum instrumento neste disco é tímido, logo, aparece muito bem. As letras de Fish estão extremamente refinadas, tendo o vocalista sempre uma grande capacidade de interpretá-las com muita originalidade e humor. Resumo da ópera, Fugazi é impecável.


Nota: As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor



Comentários

Faça login para comentar

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.

Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito, aberto e democrático para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.



Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

Veja mais algumas de suas publicações:

  • Image

    ResenhaRick Wakeman - Aspirant Sunset (1991)

    22/03/2021

  • Image

    ResenhaJefferson Airplane - After Bathing at Baxter's (1967)

    24/06/2020

  • Image

    ResenhaGreen Carnation - Light of Day, Day of Darkness (2002)

    14/05/2022

  • Image

    ResenhaSteve Hackett - Bay Of Kings (1983)

    12/11/2021

  • Image

    ResenhaBig Big Train - Grand Tour (2019)

    11/10/2019

  • Image

    ResenhaDunwich - Heilagmanoth (2008)

    12/02/2021

  • Image

    ResenhaAnekdoten - Until All The Ghosts Are Gone (2015)

    22/01/2022

  • Image

    ResenhaMike Oldfield - Amarok (1990)

    21/05/2020

  • Image

    ResenhaKing Crimson - Red (1974)

    28/04/2018

  • Image

    ResenhaAlcest - Souvenirs D'Un Autre Monde (2007)

    29/07/2021

Visitar a página completa de Tiago Meneses



Sobre o álbum

Fugazi

Álbum disponível na discografia de: Marillion

Ano: 1984

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,55 - 10 votos

Avalie

Você conhece esse álbum? Que tal dar a sua nota?

Faça login para avaliar

Veja mais opiniões sobre Fugazi:

  • 01
    jul, 2021

    Um clássico do neo-progressivo dos anos 80

    User Photo Márcio Chagas
  • 16
    mar, 2018

    Fugazi: A pérola neo progressiva

    User Photo Marcel Dio

Visitar a página completa de Fugazi



Continue Navegando

Através do menu, busque por álbums, livros, séries/filmes, artistas, resenhas, artigos e entrevistas.

Veja as categorias, os nossos parceiros e acesse a área de ajuda para saber mais sobre como se tornar um colaborador voluntário do 80 Minutos.

Busque por conteúdo também na busca avançada.