Resenha

Space Revolver

Álbum de The Flower Kings

2000

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

12/07/2020



Forte musicalidade, belas melodias e algumas das melhores músicas da banda

Devo admitir que inicialmente, ao ouvir este disco pela primeira vez, ele acabou não soando de uma maneira que me chamasse à atenção nenhum pouco, a música parecia soar muito forçada e isso acabava negligenciando o lado mais melódico de uma composição, algo que no fim das contas considero um problema grande. Porém, após algumas escutas, minha apreciação começou a aumentar cada vez mais. Lembro que cheguei a até falar comigo mesmo que a chave para curtir esse álbum com mais facilidade é entender a sua complexidade e mudança abrupta oferecida em algumas de suas músicas. Pra ficar mais claro isso que estou querendo dizer, pense em Tales from Topographic Ocean do Yes, muitos dos que reclamaram e ainda hoje reclamam, o fazem pelo seu excesso de complexidade e por acusa-lo em ser um disco nada melódico, porém, apesar de eu concordar que inicialmente também foi isso que senti, com o tempo o meu apreço também cresceu significativamente. E como a melhor maneira de apreciar um álbum onde o ponto principal está na sua complexidade? Bom, creio que a receita é única, simplesmente deixe a música fluir em sua mente e permita que ela desça até o seu coração, de forma constante ainda que demore muito. 

Após essa introdução quase teórica de como ouvir um disco, creio que possa ser mais fácil aproveitar o fluxo completo já a partir da primeira faixa. “I Am The Sun - Part One” conforme a música vai se de desenvolvendo é difícil de entender porque esse som estava com tanta dificuldade de me agarrar. Inclusive se tornou uma das minhas favoritas entre todas da banda. Enérgica desde a sua introdução, passando por arranjos e variações complexas do começo ao fim, desde músicas animadas até improvisações de vanguarda e jazz. Uma composição no mínimo maravilhosa. “Dream On Dreamer” é uma das faixas mais curtas do álbum – que tem menos de três minutos. Como o título sugere, é uma música bastante sonhadora, atmosférica, sax soprano e ótimo baixo. 

“Rumble Fish Twist” é uma faixa instrumental. Começa com alguns efeitos sonoros e que são seguidos de ritmos fortes em arranjos complexos, além de relativamente rápidos. O trabalho de teclado é ótimo e oferece alguns efeitos sonoros acompanhado de linhas de baixo sólidas, guitarra bem ritmada e uma bateria trituradora. Também tem que ser mencionado o curto, mas excelente solo de baixo. Stolt também tem espaço para desfilar um maravilhoso solo de guitarra por cima de uma atmosfera onírica, a música que começou tão explosiva segue serena até o fim. 

“Monster Within” é uma música bastante enérgica de humor muito edificante. Devo confessar que essa é aquele tipo de música que mexe com a minha emoção. No geral o que mais valorizamos na banda são seus trabalhos instrumentais, mas aqui em especial creio que deve ser dada uma atenção aos vocais poderosos de Hasse Folberg e Roine Stolt – lembrando que eu nem mesmo gostar da voz de Stoit gosto, mas aqui funciona bem. Uma explosão de adrenalina, a faixa muda o seu estilo no meio, com bom solo de guitarra e trabalho inventivo de guitarra. No fim a música termina em um humor edificante e um pouco de influência no blues. “Chicken Farmer Song” leva o álbum pra uma linha de som mais simples e até mesmo mais fraco – ainda que não possa ser considerado ruim. É uma música simples e alegre de refrão bobo.  “Underdog” é um começo que dá a entender o disco vai ter seguidamente uma música que embora não seja ruim, também não empolga, mas neste caso, embora comece um pouco fraca e sem impressionar, ela vai se transformando em um trabalho muito bom, principalmente pelas belas harmonias vocais no refrão, além disso, seu final caótico e dissonante é bem interessante. “You Don't Know What You've Got”, essa sim pode ser considerada uma faixa ruim de fato e obviamente a mais fraca do álbum. A única coisa boa desta música dentro do disco é que ela é a menor delas. Uma balada ao violão completamente descartável.  

“Slave To Money” tem um começo meio circense. Assim como acontece com “Underdog”, aqui a música não agrada logo no seu início, porém, consegue trazer de volta ao disco arranjos complexos – ainda que de fluxo suave em seu núcleo – e atingir um pacote musical com boas mudanças de estilo como a banda sabe fazer muito bem. “A Kings Prayer” é uma música onde novamente os vocais de Stolt e Frosberg estão muito bons – destacando os dois refrãos memoráveis. Relativamente lenta em um estilo balada, acessível à maioria dos ouvintes, mas sem perder o brio ou cair em um terreno sem vida. Destaque para um solo de guitarra simplesmente maravilhoso. “I Am The Sun - Part Two” começa de uma maneira bastante diferente em relação a primeira parte, de certa forma até um pouco insípida, mas volta ao tema principal mais a frente. Embora não seja tão espetacular quanto à primeira, esta também é muito emocionante, possui usos de teclados magníficos que podem envolver muito quem os escutam. Por volta do sexto minuto, a música muda de direção, ficando atmosférica, enquanto parece se preparar para entrar em uma seção instrumental mais dramática, e quando isso acontece é impossível de não se arrepiar. Esse tom dramático segue até o fim do álbum, o deixando com um final que não poderia ser melhor. 

Sei que cada sensação é única entre música e ouvinte, mas falando por mim, Space Revolver é uma experiência verdadeiramente especial. Claro que tem alguns momentos que possuem menos inspiração, mas esses deslizes são mais do que compensados na maioria do álbum.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Space Revolver

Álbum disponível na discografia de: The Flower Kings

Ano: 2000

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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