Resenha

Chicago VII

Álbum de Chicago

1974

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

10/07/2020



Música refinada

Após o lançamento de dois discos que misturavam pop com leve toque de jazz, a banda estadunidense Chicago pareceu estar um tanto quanto inquieta e cansada de tocar músicas que não fossem nada desafiadoras. Então que a ideia inicial era fazer um disco em que não teria absolutamente nada além de jazz, o que de fato era uma ideia incrível – tanto que alguns membros acharam exatamente isso. Porém, outros olharam com mais cautela e pensavam que poderiam perder o seu público radiofônico com uma mudança do tipo. Então no fim decidiram lançar um álbum bem jazzístico, mas contendo também músicas mais amigas da rádio, digamos assim, através de um LP duplo – o que não era nenhuma novidade em se tratando da banda. 

Bom, com isso a banda mostra alguns bons sinais de que está voltando a sua melhor forma, conseguindo, ao menos em minha opinião, até rivalizar com os seus dois primeiros e geralmente mais aclamados álbuns. Um incrível álbum de jazz e fusion. Os primeiros vocais nem são ouvidos até a sexta faixa. Este é daqueles álbuns que você tem que admirá-lo concentrando-se nele, captando-o, pois deixando apenas de plano de fundo pode ser bastante difícil. A aceitação do público que chegou a ser um dos assuntos antes da sua gravação também deixou de ser um problema, sendo bastante aceito logo de cara. O que falar do time de instrumentistas? Todos de primeira e parecem tocar com alegria e sorriso no rosto – queria muito uma foto dessas gravações -, além de muito improviso e execução muito bem estruturada. Quando os vocais enfim aparecem pela primeira vez, não chegam de forma deslocada, mas sim, muito bem vinda. Se antes Peter Cetera poderia ser visto como o compositor mais fraco, aqui ele melhora bastante. Inclusive, Cetera é quem ficaria responsável pela banda anos mais tarde, mas com outra pegada e é assunto pra outra resenha, aqui seguimos falando da excelente música deste disco. 

O que Chicago VII nos entrega no fim das contas? Bom, o disco é cheio atmosferas jazzísticas, sendo quase um disco completo de jazz/rock, aquele som pelo qual a banda já havia ficado conhecida inicialmente. Mas em relação aos sons mais acessíveis, aqueles que podem se preocupar com algo extremamente radiofônico e sem brio, mesmo as músicas mais acessíveis são muito agradáveis. Vários são os singles que saíram deste disco, sendo um deles e com grande tendência psicodélica, “Wishing You Were Here” – inclusive eu ligaria facilmente para uma rádio para pedir uma música assim. O Chicago conseguia fazer algo que era basicamente impensável na cabeça de qualquer um, criar jazz lembrando muitas vezes grandes nomes do gênero, sem deixar de fazer uma música mais popular – de bastante qualidade, obviamente. Uma banda que ensina que com a mistura certa de tudo, se pode agradar a todos. 

Isso tudo é um jazz fusion e rock absolutamente perfeito. Os momentos jazz do disco eu considero os melhores, a fluidez é maravilhosa e quando orientado para o rock a maneira que tudo se encaixa é brilhante. Este disco quando ouvido com bons fones é uma experiência das mais incríveis que alguém pode ter. Até mesmo quando orientada para o rock, a banda acrescenta metais, momentos de jazz experimental e outros de jazz mais acessível que se incorporam a um toque latino muito dançante. 

Vocês nunca vão ter a noção da riqueza musical deste álbum apenas lendo essa resenha – até mesmo porque eu não acho que a fiz como deveria -, tudo nele é maravilhoso do começo ao fim. Essencial e perfeito em todos os sentidos.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Chicago VII

Álbum disponível na discografia de: Chicago

Ano: 1974

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 2 votos

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