Resenha

The Cheerful Insanity Of Giles, Giles And Fripp

Álbum de Giles, Giles & Fripp

1968

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

08/07/2020



Na maior parte falta originalidade, mas ainda assim, um bom disco

Eu acho esse um bom disco, mas também compreendo a dificuldade que os fãs mais fervorosos do King Crimson têm em apreciar a gênese, digamos assim, da sua banda favorita. O disco carrega certo humor bobo – embora isso não fosse problema, afinal, era algo bastante presente na música britânica da época. Bom, não tem como negar que algumas faixas não passam de bobagens e cantigas esquisitas, mas verdade seja dita, não mais do que Gong ou mesmo o Genesis no seu primeiro disco. 

O ideal é esquecer, por exemplo, toda história por trás de ambos os lados do disco, com isso certamente estará mais aberto para perceber alguns elementos que estarão presentes futuramente no King Crimson. Outro ponto que deve ser levado em conta é que o disco não deve ser encarado como um registro de rock progressivo, mas sim, psicodélico.

A primeira metade do álbum foca em Rodney Toady, um desajeitado gordo e feio, enquanto a última parte trata de Just George, outro personagem disfuncional. No entanto e como já dito, entender as passagens narrativas dificilmente é essencial para apreciar o álbum, e na verdade elas são bastante irritantes.

Mas e a música em si? Bom, digamos que elas são uma espécie de versão mais domesticada – o que não quer dizer ruins – do tipo que o Pink Floyd fazia no seu início de carreira. Músicas como, “Meadow” e” Newly-Weds”,  são psicodélicas e pastorais, em alguns momentos podendo ser notados boas linhas de guitarra fluida de jazz de Fripp. “One In A Million” é aquele tipo de música inglesa da segunda metade dos anos sessenta, mas neste caso não influenciada apenas por Pink Floyd, mas também pelos Beatles e The Kinks. Se tudo fosse seguindo nesse nível, certamente o disco seria algo de outro patamar, porém, o que parece novo vai desaparecendo a medida que as faixas vão ficando mais fracas. “Digging My Lawn”, por exemplo, descreve essa queda de qualidade , assim como “Little Children” – que até tem a inclusão de uns vocais femininos bem legais, mas não o bastante. Mas depois de pegar novamente um gás na segunda metade do disco através da boa “Elephant Song”, o álbum finaliza muito bem através das suas duas últimas faixas. Uma das duas é “Suite n°1”, uma faixa instrumental clássica e que toca inicialmente em alta velocidade tanto por parte de Fripp, tanto pela banda que o acompanha. O próximo seguimento já é bem diferente, em uma linha bastante melancólica – até mesmo com boas variedades de mellotron. Fripp então surge em outra performance clássica – desta vez tingidas pelo flamenco e o jazz. Não acho que seja exagero dizer que Fripp fez um dos seus trabalhos de guitarra mais impressionantes da carreira mesmo antes de formar o King Crimson. “Erudite Eyes” finaliza o disco muito bem. Apresenta uma exploração musical mais folclórica e de face jazzística mais selvagem, além de uma melodia intrigante. As improvisações atmosféricas tanto de Fripp quanto a de Gilles no baixo são arrepiantes. Uma música não apenas ótima, mas ousada. 

Apesar de admitir que a maior parte do álbum não possua nada de mais, e com isso, possa ser colocado facilmente na prateleira e lá ficar esquecido, tenho uma certeza absoluta, “Suite nº1” e “Erudite Eyes” são músicas essenciais para qualquer fã comprometido com o King Crimson ouvir, não somente por serem músicas carregadas com as raízes da grande banda que estava por vir, mas simplesmente por conta de que existe ali uma música progressiva de qualidade bastante diferente dos materiais variados que o King Crimson lançou.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

The Cheerful Insanity Of Giles, Giles And Fripp

Álbum disponível na discografia de: Giles, Giles & Fripp

Ano: 1968

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3 - 1 voto

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