Resenha

Signify

Álbum de Porcupine Tree

1996

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

25/06/2020



Basicamente todas as facetas da banda em um só disco.

Mais um disco encantador da Porcupine Tree, Signify apresenta uma abordagem mais madura no sentido de ser menos indulgente que Sky Moves Sideways – o que não quer dizer que isso o torne melhor -, além de possuir uma mistura mais forte de estilos. Como um todo, o tracklist é composto de faixas muito mais curtas. Tendo como foco principal, nem as paisagens sonoras psicodélicas clássicas da banda, nem o estilo mais “musicalmente orientado” dos álbuns posteriores – Signify de certa forma é um tanto liminar, sendo o motivo de incomodar alguns fãs. Particularmente eu acho um trabalho descontraído, geralmente lento e que não possui muitos ganchos para o ouvinte se agarrar. O Som psicodélico é mais ambiental do que nunca e não tem tanta profundidade como no maravilhoso, Sky Moves Sideways. 

Para algumas pessoas, os chamados discos de transição costumam ser um problema, pois podem soar meio incoerentes e não poder ser classificado ao lado de nenhum outro, porém, discos assim são necessários, pois mostram uma banda mudando sem ser necessariamente de forma drástica. Enquanto que para alguns pareça um trabalho e incompleto, e para outros uma mistura excessiva, creio que foi atingido o mix ideal. 

“Bornlivedie” é aquele começo de disco que não dizem muito e não compromete, ou seja, uma espécie de café com leite. Alguns barulhos e sonoridades eletrônicas durante menos de dois minutos. “Signify” é onde de fato podemos dizer que o disco começa. Um começo incrível, riff forte de guitarra em um ritmo direto e puro. O solo de guitarra simples e distorcido dá a atmosfera e groove necessário. Muito bom e já faz uma previa do futuro do som da banda, mais precisamente em Absentia. 

“The Sleep Of No Dreaming” possui acordes silenciosos de teclados que definem o clima onírico da música. Willson é de uma voz com suavidade tremenda, mas cresce nos refrãos trazendo toda banda junto nas passagens mais impactantes da faixa. Uma música realmente maravilhosa. 

“Pagan” assim como a faixa de abertura, é apenas uma faixa de transição, novamente uma música atmosférica. Uma faixa que apesar de curta, necessária, pois faz com que a próxima tenha um impacto maior. “Waiting Phase One” já começa com aquele ar soberbo e característico da banda. Alguns acordes acústicos e umas batidas no bumbo vão criando um momento pacífico, mas de certa forma, uma paz meio diferente, pois a atmosfera não demonstra uma passividade feliz – que estranho como isso soou, mas é isso mesmo-, mas algo como desespero e apatia. As linhas de baixos que entram são simples e motriz. O refrão é excelente e o único defeito é que não tenha ao menos uns dez minutos. 

“Waiting Phase Two” tem um início que é pura atmosfera, com alguns ruídos e também percussão. Ainda que não possua uma grande substância musical, continua sendo perfeita para o disco. Tudo soa de forma misteriosa e profunda. A ambientação criada aqui eu acho que pode ser comparada a criada pela Ozric Tentacles em várias de suas músicas. Uma faixa típica de um disco com contrastes, entre momentos de rock e momentos de paz e puro relaxamento. A linha de baixo da faixa anterior aparece aqui, mas um pouco alterada. 

“Sever” é onde o rock progressivo mais pesado conhece a música eletrônica, os vocais distorcidos parecem chorar em desespero novamente com um ritmo estressante. Possui um coro excelente que elevam a faixa a um dos destaques do álbum. “Idiot Prayer” possui um ambiente eletrônico puro até chegar à sua seção intermediária, quando a banda inaugura a “danceteria techno-club Porcupine Tree”. Sobre um ritmo dançante, a guitarra e os teclados se movem graciosamente. Aqui a banda mais uma vez aborda um estilo diferente e evidencia o quão eclético o disco pode ser, e por isso pode ser visto como uma transição, entre o que a banda havia feito e uma prévia do que ia fazer. 

“Every Home Is Wired”, aqui logo nota-se uma sonoridade que a banda iria explorar mais nos discos Stupid Dream e Lightbulb Sun. Violão e teclados oníricos sob vozes que ecoam. Novamente mostrando que este disco tem de tudo. “Intermediate Jesus” apesar de ser uma das maiores faixas do disco, também é um dos momentos de menos atrativos e de pouca substância. Parece uma espécie de jam que foi incluída no material final. De qualquer maneira, possui uma boa execução instrumental. Costumo dizer que se trata de uma música de elevador, mas não de elevador de prédios comuns, mas de elevadores de esconderijos que servem como cativeiros. 

"Light Mass Prayers" tem novamente um começo atmosférico, um ruído ambiente, principalmente – exclusivamente- através de teclados. Uma exploração e experimentação de Wilson. Como conselho, isso só faz sentido quando escutado em um aparelho de som decente, caso contrário, não funciona muito. “Dark Matter”, que música mais maravilhosa, tão viajante e onírica, tão indutora do sono – no bom sentido, claro – a voz de Wilson aqui presenteia o ouvinte com poderosas harmonias. O refrão é meio floydiano, o disco não poderia fechar de melhor forma. 

No geral, o que temos aqui é uma ótima adição a qualquer coleção de música progressiva. Basicamente todas as facetas da banda em um só disco, sendo desempenhadas em alta performance e musicalidade rica.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Signify

Álbum disponível na discografia de: Porcupine Tree

Ano: 1996

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,25 - 4 votos

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