Resenha

Travelling Without Moving

Álbum de Jamiroquai

1996

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

25/06/2020



O pop dançante que reinou absoluto nos anos 90

Jamiroquai surgiu nos anos 90 com uma proposta dançante e totalmente fora do contexto da época. Com um som apurado na carona de batidas da disco music e música eletrônica, tornando-se boa alternativa aos que estavam divagando em meio a massiva exploração da euro disco ou do rock alternativo.
Assim, o vocalista Jason Kay permaneceu consistentemente como líder em várias mudanças na formação, sendo que Travelling Without Moving encerra a participação do baixista Stuart Zender, que por motivos de discórdia nas divisões financeiras, acusou Kay de receber uma cota maior. Na verdade Stuart chegou a gravar as linhas de Synkronized, entretanto, por questões judiciais foram retiradas e gravadas as pressas por outro baixista.
Coincidência ou não, os três primeiros discos com Stuart Zender são considerados os melhores. Um garoto a época, Zender construiu as melhores e mais dançantes linhas de contrabaixo nos anos 90, pescando influências que iam desde Bernard Edwards (Chic) até ao pop Duran Duran de John Taylor.

Como o tempo é o senhor da razão, passados 24 anos Travelling Without Moving pode ser considerado um clássico definitivo, todavia, influenciando grupos de pop rock como Coldplay e The Strokes. Caindo também no gosto comum a quem aprecia boa música, independente de estilo. Por isso sou um pouco avesso a nome-los somente como acid jazz, justamente pelo fato de atravessar demarcações e ir alem do que um gênero possa compreender.

O disco é bem variado e homogêneo, para não dissecar todas as faixas, deixo a visão sobre alguns destaques, como o single "Virtual Insanity" - que vem a ser uma critica ao futuro obscuro que apontava sobre o mundo e acabou chegando, numa mezzo previsão sobre a mão da tecnologia sobre nossas vidas, globalização, engenharia genética e por fim, traduzindo o título, a insanidade virtual.
Já em seguida temos Cosmic Girl, canção brilhante a reciclar temas dançantes dos anos 70 e transporta-lo pela fenda do tempo ao mundo único de Jamiroquai. Advirto aos mais novos que tomem cuidado ao primeiro contato, vicia pra valer !.

Memorando os bons tempos da MTV, juntamente com os vídeos das faixas citadas acima, escuto Alright enquanto vejo o clip. Legal ver o performático Jay dançando e ao final a galera do salão cantando o refrão. Uma pena o resultado do trecho final não ir para o estúdio.

E por ultimo, a excepcional faixa título, cujo a introdução é do motor de um dos carros da coleção de Jason Kay, salvo engano uma Lamborghini, apesar da capa mostrar uma adaptação da marca da banda ("Buffalo Man") com o logo da Ferrari. A canção em si, marca a tradição do agito com os graves tomando a dianteira com direito a um solo no interlúdio.

A nível de curiosidade, convém citar a instrumental "Didjerama" e também Didjital Vibrations, ambas pelo uso do Didjeridu - instrumento de sopro dos aborígenes australianos e comumente usado nos álbuns do Jamiroquai. O som no didjeridu é produzido pela vibração dos lábios.

Então é isso, ouçam as não citadas e deleitem-se com o Jamiroquai. Percebam também que eles foram um dos últimos sopros de vida no reino pop. Bom, falei sobre tudo e por fim esqueci de citar os teclados geniais de Toby Smith - (falecido aos 46 anos de idade após perder a batalha contra um câncer no ano de 2017). Sua colaboração é bem observada desde o debut Emergency on Planet Earth com toques de psicodelia sobre uma apresentação menos extravagante, tendendo a suavidade e sofisticação no uso de arsenais de moog e fender rhodes.


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Sobre Marcel Dio

Nível: Colaborador Sênior

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"Sou um amante da música, seja em qualquer estilo, rock, blues, jazz ou pop."

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Sobre o álbum

Travelling Without Moving

Álbum disponível na discografia de: Jamiroquai

Ano: 1996

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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