Resenha

Misplaced Childhood

Álbum de Marillion

1985

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

11/11/2017



Uma música de fluxo natural e coesiva

Para a maioria das pessoas, provavelmente esse não seja apenas o melhor álbum da era Fish, mas de toda a discografia da banda. Misplaced Childhood apresenta uma música de fluxo natural e coesiva, com excelentes linhas melódicas, grande musicalidade e ótima narrativa. Em se tratando de neo progressivo é uma verdadeira obra-prima. Este álbum deve ser consumido como um todo em uma ótima jornada pela alma e vida de Fish junto à essência sublimada da música neo-prog. A variação de humor entre canções e texturas realmente me atraem provavelmente mais do que qualquer outro álbum do Marillion. Os temas trazidos nas músicas podem se relacionar mais com o ouvinte, o amor perdido, o delírio, o engano, a revelação e a epifania são coisas que todos experimentamos em algum momento. A música traz à tona tudo o que Fish estava sentindo durante a sua viagem de LSD e que inspirou a criar as letras deste disco.

O álbum começa através de “Pseudo Silk Kimono”. Um excelente teclado melódico e sinfônico, toque de guitarra delicado e quase inaudível criando uma atmosfera suave, além de uma linha de baixo profunda. Apenas o começo de um disco sensacional. 

"Kayleigh" foi o maior single que a banda já teve, atingindo o número dois nas paradas do Reino Unido em determinada época. É uma canção bastante direta e sincera de perder a pessoa que você ama. O título vem da antiga namorada de Fish, cujo primeiro nome era Kay, e seu segundo nome Lee. Tem um groove com boa combinação entre bateria e baixo e um ótimo solo de guitarra no meio, sem nunca deixar de destacar a maneira emotiva com que Fish interpreta a letra, podendo ser sentido a dor em sua voz. 

“Lavender” é uma linda balada. Fish fala sobre o amor e como as coisas eram mais fáceis quando ele ainda era criança devido a inocência com que no geral as crianças lidam com este sentimento. Possui algumas belas e edificantes melodias de piano que termina com um ótimo solo de guitarra. 

Em “Bitter Suite” eu sempre digo que “Trial of Tears” do Dream Theater tem uma grande influência nesta introdução. A faixa mostra Fish explorando o lado barato do amor, começando com um bonito poema, fundo obscuro, música ambiente, evoluindo lentamente em uma experiência musical sombria. Tem uma doce passagem progressiva de sonoridade reminiscente em “Lavender”. Possui algumas ótimas linhas de piano e guitarra, além de uma cozinha muito segura e forte. Os vocais de Fish como sempre fazem com que entremos de cabeça em suas letras. 

“Heart Of Lothian'' é mais uma música incrível e se trata de uma das canções mais emocionantes da banda. Ela se refere ao orgulho do povo escocês por sua terra e à juventude do próprio Fish. Possui uma excelente seção rítmica, um belíssimo solo de guitarra e mostra Fish no topo de sua forma vocal. A atmosfera da banda é bastante influenciada em Genesis. O final é brando, belas letras e uma atmosfera belíssima criada pelas teclas de Mark Kelly.

“Waterhole (Expresso Bongo)” é uma canção mais curta que abre com gritos estranhos de guitarra e logo continua com um excelente riff de sintetizador e ótimo trabalho de bateria. A linha de guitarra é feita permanentemente de maneira errática. Apesar de breve é uma canção que adiciona massivamente sua proposta ao sentido do álbum. 

“Lords Of The Backstage” é outra canção curta, a menor do álbum pra ser mais exato. Tem um bom trabalho de sincronização entre guitarra e sintetizadores. Possui letras divertidas e perspicazes. Ela é a faixa que leva ao grande épico do álbum. 

“Blind Curve” apresenta o momento mais progressivo do álbum e uma das faixas mais emblemáticas entre todas da banda. Começa de maneira direta através de uma bela linha de guitarra e vocais imediatos. Falando em vocais, eles são simplesmente poéticos. Percebe-se também uma banda em seu auge e trabalhando como uma unidade coesa. Algumas notas da guitarra de Rothery são completamente etéreas. Tudo é bem encaixado, teclados exuberantes e uma interação muito sólida entre Trewavas e Mosley fazem desta faixa um dos pontos mais altos do álbum. Minha música preferida da banda. 

“Childhoods End?” é a luz da esperança. A canção feita para o nosso personagem se sentir melhor, que o consola e diz que tudo ficará bem. Tudo o que estava perdido era a direção, mas foi encontrada. Uma musica forte com letras emocionantes. Uma faixa perfeitamente estruturada, dramática quando necessária, tudo está no lugar e soa muito bem, com destaque para o baixo que é executado de maneira profunda e é muito importante pra dar a tonalidade das letras. 

“White Feather” é a faixa que finaliza o disco. Sinceramente, não é uma música ruim, mas faz a qualidade do álbum cair um pouco. Destaque é que se trata de uma melodia simples e animada, do tipo boa pra finalizar um disco, além de que o vocal de Fish (principalmente no coro) a ajuda a ganhar impulso. No mais, nada que chega a chamar atenção. 

Em seu primeiro disco a banda fez nascer o neo progressivo, mas através de Misplaced Childhood a banda definiu completamente o subgênero e elevou a barra da qualidade a algo tão alto que as outras bandas iriam que trabalhar muito até alcançar esse nível. Se em se tratando de neo progressivo, este disco não for essencial, confesso mais não saber o significado dessa palavra. 


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Misplaced Childhood

Álbum disponível na discografia de: Marillion

Ano: 1985

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,83 - 15 votos

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